6 de maio de 2021

Oito municípios do AM tem saldo positivo de vagas em maio

Pelo segundo mês seguido, apenas oito dos 61 municípios do interior do Amazonas apresentaram saldo positivo de empregos formais, na passagem de abril para maio. Ao mesmo tempo em que a capital extinguia 4.476 postos de trabalho celetistas, algumas das cidades amazonenses conseguiram avançar nas contratações, a despeito da interiorização da pandemia da covid-19, e da interrupção do transporte fluvial e terrestre de passageiros. 

O total de postos de trabalho criados nesses municípios, no entanto, não passou de 42, em maio. A estagnação foi a marca de 20 localidades, enquanto 34 amargaram performance negativa e eliminaram vagas. No total, o interior contribuiu com um corte global de 370 vagas. Situação pior foi verificada no acumulado dos cinco meses do ano, que registrou a extinção de 819 empregos formais, embora 20 municípios tenham fechado com saldo positivo. Os dados estão no “novo” Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

O ponto mais negativo é que apenas um município concentrou mais de 80% das vagas criadas. Iranduba teve saldo positivo de 34 postos de trabalho e apresentou alta relativa de 1,71% sobre o estoque anterior – decorrente de 75 admissões e 410 desligamentos. Novo Aripuanã (+3 e +2,91%) veio em um distante segundo lugar. Borba (+0,49%), Envira (+1,49%), Fonte Boa (+1,85%), Manicoré (+0,16%), São Sebastião do Uatumã (+1,72%) e Urucurituba (+2,04%), por outro lado, conseguiram gerar um único emprego, cada.

Na outra ponta, Manacapuru (-2,54%) registrou o pior saldo do mês no interior, ao eliminar 78 empregos celetistas, seguido por Presidente Figueiredo (-42 e -1,52%). Outros destaques nessa lista vieram de Maués (-3,61%), Parintins (-1,29%) – ambos com corte de 34 vagas –, São Gabriel da Cachoeira (-6,90%) e Tabatinga (-1,34%) – que eliminaram 29 empregos, cada. 

No acumulado do ano, os melhores números vieram de Apuí (28 vagas, +8,95%), Eirunepé (21 e +7,29%), Atalaia do Norte (+17 e 89,47%), Manicoré (16 e +2,66%) e Nova Olinda do Norte (12 e 3,26%). Em contraste, Manacapuru (-307 postos de trabalho e -9,29%), Itacoatiara (-109 e -2,43%), Coari (-84 e -3,05%) e Parintins (-78 e -2,92%) lideraram a lista de destruição de empregos no interior amazonense. 

Com exceção de Manaus, os cinco maiores municípios em termos de estoque de empregos com carteira assinada respondem por 44,41% de todo o volume apresentado no Estado. Itacoatiara (4.346 empregos), Manacapuru (3.157), Presidente Figueiredo (2.694), Coari (2.690) e Parintins (2.591) e Iranduba (1.994) responderam pelos maiores estoques. 

Construção e loteamentos

No entendimento do prefeito de Iranduba, Francisco Gomes (o “Chico Doido”), a atividade econômica que vem sustentando o crescimento e a geração de empregos formais no município é a imobiliária, uma vez que setores tradicionais, como as olarias e a agricultura não apresentaram resultados positivos neste ano e foram significativamente afetados pela pandemia.

“O que está nos mantendo são as obras de construção civil a partir de loteamentos. O polo oleiro até conseguiu aumentar um pouquinho a produção agora, mas antes vinha apenas se mantendo e sofreu bastante com a pandemia e redução de demanda, além dos atravessadores. Tem gente que vem comprar o milheiro de tijolo para vender pelo dobro na capital. Já a agricultura sofreu pela cheia nas áreas de várzea”, lamentou.

Obras públicas

Em sintonia, o assessor técnico da Sedecti (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação), Alcides Saggioro Neto, observa que Iranduba teve desempenho influenciado pelo setor da construção, com saldo positivo de 28 postos de trabalho, seguido pelo comércio (+12). O emprego formal de Presidente Figueiredo, por outro lado, foi influenciando pelo cultivo de cana de açúcar, 

Saggioro Neto salientou que, com exceção de Presidente Figueiredo, todos os municípios apresentam grandes populações, em contraste com o perfil da maior parte das localidades do interior, onde o baixo contingente e a alta taxa de informalidade, tendem a favorecer o impacto de ações dos governos, como obras públicas. 

“O Amazonas estava em um processo de recuperação dos níveis de emprego para a situação anterior a 2016, mas a pandemia afetou o PIM, um dos principais empregadores do Estado e que exerce influência sobre o consumo de outros setores. Espera-se que, com a retomada das atividades, seja possível, ao longo dos próximos meses, recuperar os níveis de emprego para o período anterior ao da pandemia”, afiançou.

Expectativa de recomposição

Na análise do titular da Sedecti, Jório Veiga, apesar do impacto da crise da covid-19 sobre a atividade econômica, afetando diretamente a oferta de emprego, a expectativa é que o mercado se recomponha nos próximos meses. O secretário estadual acrescenta que o governo do Amazonas está empenhado em garantir ao setor privado o apoio necessário para que as operações sejam mantidas, garantindo a oferta de empregos.

“É verdade que a pandemia ainda não foi controlada e os efeitos da crise ainda vão persistir por algum tempo, mas a indústria já começa a operar e o comércio está reagindo. Então, é de se esperar uma retomada gradual das forças produtivas de nosso Estado”, finalizou.

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