O interior segundo Marcelo Serafim

O deputado Marcelo Serafim alugou um avião, colocou nele seu pai Serafim Corrêa e dois vereadores de seu partido e foi conhecer os municípios do Alto Solimões, região amazonense que a ONU considera um bolsão de miséria. Foi, viu e constatou o óbvio: que o interior do Amazonas está abandonado. A viagem de Marcelo Serafim não terá nenhuma importância na rotina dos moradores dos municípios visitados, mas renderá boas imagens para sua campanha pela reeleição.

Marcelo Serafim está atrás de discurso político para sustentar sua candidatura à Câmara dos Deputados. Desta vez não contará com o suporte da Prefeitura de Manaus e por isso tem de caminhar com as próprias pernas. Esperou três anos para visitar o interior do Estado que ele representa. Todavia, a luta pela dignidade dos moradores do Alto Solimões, onde a população sobrevive com menos de US$ 1 por dia, era para ser encampada desde o primeiro dia de mandato.

Convidado de honra

A festa foi grandiosa e contou com a participação do Alto Comando da Polícia Militar do Amazonas. Foi custeada com dinheiro público de um Estado laico, mas teve a presunçosa chancela do próprio Deus. O culto religioso da Igreja Assembléia de Deus foi de louvor pelos dois anos de comando do coronel Dan Câmara à frente da PM, mas na realidade serviu de lançamento de sua possível candidatura a deputado estadual. O uso do recurso público para interesse particular pode trazer problemas terrenos nas barras do TCE (Tribunal de Contas do Estado). Já o resultado pelo uso do nome de Deus na festa de Dan Câmara só se saberá no dia do juízo final.

Abandonado pelos irmãos

Enquanto uns são abençoados com a mão de Deus, outros são abandonados por Ele. O deputado estadual Carlos Alberto não será candidato à reeleição em outubro porque perdeu apoio dentro Igreja Universal do Reino de Deus.
Ainda terá de apoiar outro candidato da congregação que deve ocupar sua cadeira na ALE. A Universal do Reino de Deus sempre elege um representante no parlamento estadual e seu apoio é disputado entre os demais candidatos majoritários.
Carlos Alberto está em seu segundo mandato, mas tem participação apagada na ALE. Em sua página na web, o destaque foi seu discurso quando do lançamento do livro O Bispo, escrito por Edir Macedo, o chefão da Universal do Reino de Deus.

Sem fundamento

Não tem lógica alguma a justificativa do presidente do Sindicam (Sindicato dos Revendedores de Combustível do Amazonas), Luiz Felipe Moura Pinto, para o aumento do preço da gasolina em Manaus.
Segundo ele, a gasolina aumentou de preço porque o percentual de álcool misturado a ela diminuiu de 25% para 20% este mês. A medida foi adotada pelo governo federal justamente para reduzir o impacto da subida do álcool no preço da gasolina.
O raciocínio está errado porque o preço do petróleo está em queda no mercado mundial, enquanto o do álcool sobe. Se a mistura de álcool é reduzida, é óbvio que o valor da gasolina deve cair, como realmente aconteceu logo após o aumento ilógico.

Minha casa, meu problema

O governo federal está financiando casas nas zonas rurais de 51 municípios do interior do Amazonas. O total do investimento é de R$ 30,3 milhões para construir 2.042 residências, cujo valor unitário será de cerca de R$ 15 mil.
O dinheiro vem do programa “Minha Casa, Minha Vida” e é um dos principais projetos do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento). O recurso já começou a ser liberado e imediatamente começaram as reclamações.
Em Manacapuru, os moradores beneficiados estão reclamando da péssima qualidade das moradias que começaram a ser construídas. Dizem que são feitas de tábuas de azimbre, madeira que é refugo nas serrarias.

Mensagem vazia

A mensagem anual do governador Eduardo Braga, apresentada ontem na ALE (Assembléia Legislativa do Estado), frustrou aqueles que esperavam revelações bombásticas. Na realidade, a mensagem teve duas leituras antagônicas. Para os deputados de situação, Braga mostrou um Estado preparado para o futuro, com uma lista enorme de realizações e avanços nas áreas de saúde, educação, cultura e desportos. Aos parlamentares de oposição, o governador deixou de explicar a verdadeira situação das finanças do Estado, não falou nada sobre o orçamento e escondeu o jogo a respeito se será ou não candidato ao Senado. Ou seja, não disse quase nada.

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