Obras do Igarapé do Mindu ganham mais R$ 80 milhões

A prefeitura de Manaus e a CEF (Caixa Econômica Federal) assinaram acordo para recuperação do entorno do igarapé do Mindu, onde está prevista a construção de quatro vias urbanas formando um anel viário e a instalação de um corredor ecológico em toda a área do igarapé. O valor do contrato é de R$ 80 milhões e complementa convênio anterior estipulado em R$ 120 milhões.
As vias urbanas interligarão o bairro Parque 10 de Novembro, na zona sul de Manaus, a avenida Grande Circular, zona Leste, com acessos alternativos para a zona Oeste.
De acordo com a Semcom (Secretaria Municipal de Comunicação Social), as vias farão parte de um projeto maior para melhorar o trânsito da cidade, agilizando a circulação de ônibus. A Semcom divulgou também que a construção do anel viário está inclusa no projeto de reorganização do sistema de transporte de Manaus e que a obra do corredor do Mindu está parada há dois anos e meio.
A Seminf (Secretaria Municipal de Infra-estrutura) informa que a licitação ainda não foi executada, pois o projeto está em fase de aprovação pela CEF. A previsão é que o projeto seja liberado nos próximos dez dias. “Teremos uma audiência pública para discutir a questão e somente após isto é que haverá a licitação, que será feita na primeira quinzena de outubro”, completou o titular da pasta, Américo Gorayeb.
A obra nos arredores do igarapé do Mindu abrange também ciclovias, trilhas para caminhada, replantio da vegetação nativa, pontes e passarelas. Segundo Gorayeb, o prazo de conclusão da obra é de 18 meses e para sua realização, em torno de 2.000 famílias deverão ser retiradas de suas casas por estarem em áreas de risco às margens do igarapé.

Desapropriações vão consumir R$ 36 mi

Ficou acertado também que a Prefeitura de Manaus fará visitas técnicas para conhecer a realidade de cidades como Quito e Guayaquil, no Equador, Bogotá, na Colômbia, e Caracas, na Venezuela, onde a CAF mantém projetos de desenvolvimento sustentável. “A visita será uma forma de conhecer as experiências de êxito das regiões e estabelecer futuras parcerias com os governos locais, fortalecendo a interação entre os governos locais da Amazônia Internacional, reforçando os objetivos da Cúpula Amazônica de Governos Locais”, afirmou Marcelo Dutra.
No final do mês de julho, uma comitiva de representantes da CAF, incluindo o vice-presidente da instituição, José Carreras, e a diretora representante da corporação no Brasil, Moira Paz-Estenssoro, esteve em Manaus visitando as áreas que receberão a obra. Entre as obras que a secretaria pretende fazer no caminho por onde passam as águas, há projetos para construção de ciclovias, praças e parques.
O secretário municipal de meio ambiente disse acreditar que, com a implantação de obras sociais no entorno do igarapé, como parques, a área será mais preservada. “As pessoas vão utilizar os espaços para lazer próprio e dificilmente voltarão a jogar lixo nas águas, porque será como um bem pessoal, cada um vai zelar pelo espaço”, opinou.
O Parque Residencial Buritis I, no bairro Santa Etelvina, zona norte, ainda em construção, foi escolhido para receber as famílias que tiveram suas residências desapropriadas pelas obras, conforme informações da Semcom. Os recursos disponíveis para a secretaria utilizar na desapropriação são de R$ 36 milhões e integram o valor global da obra.

Para geólogo, não basta reviver o igarapé

Na opinião do geólogo e consultor ambiental, Jorge Garcez, além de reviver o igarapé seria necessário fiscalizar o trajeto abrangido pelas obras para que lixo e esgoto não fossem despejados novamente nas águas. Além disso, as margens do igarapé precisariam de manutenção e preservação permanente.
“No lugar de construir parques e ciclovias, recomendaria a recuperação da vegetação e o estabelecimento de um espaço entre a margem e qualquer outra coisa que fosse construída, para resguardar o ambiente”, ressaltou Garcez.
O especialista chamou a atenção para a importância de manter a vegetação em contato com a água. “Os microorganismos essenciais para o início do ciclo da cadeia alimentar aquática precisam das plantas em constante contato com a água para se alimentarem e garantir comida para todos os seres vivos do igarapé”, explicou.

Bacia do Mindu

Parceria da Semmas (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade) e convênio com a CAF (Corporação Andina de Fomento) visando a “requalificação social e urbanística do Igarapé do Mindu” como qualifica a secretaria, será desenvolvida para recuperar a bacia do Mindu, incluindo os igarapés afluentes.
Segundo o titular da Semmas, Marcelo Dutra, o projeto não tem prazo definido para execução. “Ainda estamos elaborando um estudo de viabilidade ambiental, verificando dados sobre a água e geografia do local. Depois ,teremos o valor necessário para fazer a obra e encaminharemos o projeto para a CAF”, explicou.

Milennium vê iniciativa com otimismo

Uma das empresas impactadas diretamente pelas obras de revitalização do Igarapé do Mindu, o shopping Millennium Center avalia o empreendimento como uma iniciativa positiva, não apenas para a organização, como também para a população.
“Acreditamos efetivamente na revitalização, pois apresentará uma quantidade imensa de vantagens, como a diversidade do ecossistema, além da boa qualidade de água a ser concedida a população”, declarou, por meio de sua assessoria de imprensa, a gerente de marketing do Milennium Center, Karla Henderson.
Para a executiva, o entorno do Mindú se beneficiará muito com o cenário de beleza natural  e o efeito ambiental das obras afetará positivamente as atividades do shopping.
Karla Henderson destacou que os dejetos sólidos e líquidos gerados pela empresa são tratados rigorosamente. “Os efluentes são tratados por caixas de filtragem antes do descarte, dentro dos padrões determinados pelos órgãos competentes. Ou seja, a água passa pelo processo de cloração antes de chegar ao Mindú Os dejetos recolhidos por empresas especializadas e não são lançados no Igarapé”, concluiu.

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