Objetivos: dimensões e categorias

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No método científico-tecnológico o problema aponta sempre para uma solução de natureza tecnológica. A tecnologia é o fim, enquanto a ciência é o meio. A tecnologia, em linguagem de engenharia de produção e marketing, é o cliente, enquanto a ciência é o fornecedor. Esse microesquema lógico é importante para que o cientista não se perca na longa jornada da invenção tecnológica. Isso significa que o papel da ciência é o de provisão dos conhecimentos disponíveis e dos não disponíveis sobre os fenômenos que serão manuseados para gerar a tecnologia e também sobre o próprio artefato que será criado. Dessa forma, o método científico-tecnológico prevê um objetivo geral vinculado à invenção e pelo menos dois objetivos específicos: um voltado para os fenômenos e outro, para o artefato. O primeiro precisa dar conta dos conhecimentos sobre aquilo que será manuseado, enquanto o segundo assegura os saberes sobre o encapsulamento que será utilizado. Contudo, nos dois casos, um esquema lógico deve prevalecer, que vincula dimensões e categorias analíticas.

Para compreender as dimensões e categorias analíticas, imagine o ensino antigo sobre o corpo humano. Corpo humano seria o fenômeno a ser conhecido. Suas partes maiores, como cabeça, tronco e membros, suas dimensões. Isso significa que para haver qualquer explicação sobre o corpo humano é necessário, antes, explicar uma de suas macropartes, suas dimensões. Isso quer dizer também, obviamente, que qualquer explicação sobre essas dimensões são explicações sobre o corpo humano. E, por serem partes do todo, representam uma atitude de quebrar o todo. Essa atitude remonta ao que, em grego, quer dizer análise. Analisar é quebrar em partes. Dimensões analíticas significa isso: quebrar para conhecer. As categorias analíticas, por sua vez, são partes dessas dimensões. Ouvido, nariz e olhos são categorias analíticas da cabeça, que é uma dimensão analítica do corpo humano, fenômeno que quero conhecer e explicar.

Por que a ciência procede assim? Relembremos o desafio científico. Sua primeira missão é reconhecer um fenômeno, sua existência. Por essa razão os primeiros estudos científicos sobre determinada coisa é reconhecer sua existência, apontar seu escopo, ainda que incompleto. (Quase tudo na ciência é incompleto, cheio de lacunas.) Assim, os primeiros estudos são exploratórios no sentido de descobrir as partes do todo para que se possa compor e recompor continuamente o próprio todo. Quando essas partes se avolumam, fazem-se os estudos associativos, para saber se elas estão ou não associadas, como o próprio nome diz. Também são feitos os estudos relacionais, que procuram medir e explicar os impactos de uns sobre os outros. As dimensões e categorias analíticas estão por trás disso tudo. Como? Através dos objetivos das investigações.

Há o objetivo geral e os objetivos específicos tanto na ciência quanto na tecnologia. Os objetivos gerais são sempre a situação futura desejada, como já explicamos. Os objetivos específicos, por outro lado, estão sempre vinculados às dimensões e categorias analíticas. É por isso que é obrigação do cientista conhecer todos os estudos científicos já realizados sobre o seu fenômeno para recompor todas as dimensões e categorias analíticas já mapeadas. Se ainda não foram feitos estudos associados e relacionais, precisarão ser feitos. O esforço de um cientista é fazer avançar a ciência geral, ainda que, para isso, tenha que fazer um estudo localizado, limitado geográfica e conceitualmente. São as dimensões e categorias analíticas mapeadas que vão aparecer, por exemplo, nos questionários, protocolos de experimentações, entrevistas e todos os tipos de instrumentos e estratégias de coletas de dados. É por essa razão, também, que em toda investigação é possível fazer um desenho representando o esquema lógico que vai ser testado.

O mesmo esquema lógico vale também para a  geração de conhecimentos científicos sobre o artefato da tecnologia. Aqui, os objetivos específicos vão dar conta das partes/subpartes ou componentes/subcomponentes do artefato e suas relações intrínsecas e extrínsecas. Cada parte é uma dimensão analítica do artefato e cada subparte, sua categoria analítica. Imagine um curso de extensão feito em quatro módulos. Cada módulo é uma dimensão analítica e cada parte de cada módulo é sua categoria analítica. Veja o caso de um repositório de tecnologia. Cada tipo de tecnologia ali depositada pode ser uma dimensão analítica, enquanto cada tecnologia, sua categoria. Isso é o que na engenharia de produtos chamamos de item-pai, item-filho, item-neto e assim por diante.

É preciso ter isso em mente para que se possa compreender os cinco tipos de problemas na produção de tecnologia e suas relações com os objetivos a que essas produções visam. Para a construção do artefato, é necessário que o cientista tenham em mãos conhecimentos para cinco perguntas acessórias de pesquisa, que constituirão seus objetivos específicos: 1) a primeira tem como objetivo uma resposta conceitual acerca da tecnologia a ser gerada, 2) a segunda visa à identificação das partes e subcomponentes da tecnologia pretendida, 3) a terceira tem o desafio de demonstrar a relação que cada parte tem com as demais, 4) a quarta tem a incumbência de descrever como cada parte e subcomponentes funcionam e 5) a quinta se preocupa em descobrir os impactos que o ambiente apresenta sobre a tecnologia e seus componentes assim como da tecnologia e seus componentes sobre o ambiente.

Toda tecnologia é um todo feito de partes. Os conhecimentos sobre o todo enquanto fenômeno (que são produzidos através de suas dimensões e categorias analíticas) são os objetivos pretendidos pela ciência; os conhecimentos sobre o artefato e seus componentes (outras maneiras de percepção de dimensões e categorias analíticas) têm a finalidade de encapsular os objetivos alcançados pela ciência. O método científico é utilizado tanto para gerar os conhecimentos sobre os fenômenos quanto sobre os possíveis artefatos capazes de encapsulá-los de forma mais eficiente e eficaz.

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