O vírus mais mortal – Parte Final

Reli, em reclusão por conta da pandemia, o artigo sobre saúde “AIDS – o vírus do preconceito agride mais que a doença” do jornalista Paiva Netto, e gostaria de concluir o presente artigo relembrando uma citação que o escritor fez, no seu texto, lembrando palavras do saudoso dom Paulo Evaristo Arns (1921-2016), cardeal-arcebispo emérito de São Paulo: “[…] A utopia é a união de todas as esperanças para a realização do sonho comum. Se realizarmos este sonho, teremos construído uma nova realidade”. 

E ressalta Paiva Netto: “ […] Longe do Amor Fraterno, ou Respeito, se assim quiserem apelidá-lo, o ser humano jamais saberá viver em Sociedade Solidária Altruística Ecumênica, porque a sua existência ficará resumida a um terrível “cosmos”, o mesquinho universo do egoísmo. […]”

Falamos do vírus da irresponsabilidade, da indiferença, e poderíamos falar do vírus do preconceito, do egoísmo … e de tantos outros que emergem numa humanidade que precisa de cuidados médicos urgente. 

Os mais otimistas diriam: “graças à Deus, a pandemia veio em boa hora”.

Temos, desde à época da denominada “primavera árabe”, um grande questionamento sobre a validade da democracia. O povo nas ruas pedia respeito à coisa pública e MUDANÇAS. Foram fatos portadores de futuro.

Hoje, quero concluir o artigo respondendo que considero o vírus da reeleição o mais letal de todos. Não mata só pessoas. Mata sociedades, nações, civilizações, até democracias.

Faz de um presidente eleito democraticamente, um ‘rei louco’, um capitão que não sabe comandar uma país em guerra. Ao só pensar em 2022, me fiz a mesma pergunta de meu amigo Antônio em um grupo de WhatsApp: onde está o comando central no Brasil? 

Faço minha, a resposta do amigo Antônio: “não está, não existe!!! […] aqui, não há confiança nas autoridades. E nem pode haver, com tanta bagunça e desencontro nas medidas e informações. Aqui, não há plano, não há estratégia integrada, há muito palanque, por todos os lados. ” 

Ainda bem que Deus é brasileiro e não permitirá que o Brasil ganhe a “copa do mundo de vítimas da pandemia”.  

Mas as estatísticas nos projetam um abril de muita reclusão, solidariedade e estratégia de guerra. É preciso garantir aos isolados socialmente: alimentos, remédios, respeito, amor e espiritualidade. 

Cabe ao Estado, integrado, os Estados Unidos do Brasil pelo Brasil, criar estratégias para o enfrentamento de um abril que será reconhecido na História como o mês da vitória do Brasil sobre a pandemia.

Comecemos por não permitir o desabastecimento de alimentos e remédios, incluído os equipamentos de proteção individual e de tratamento intensivo, se necessário, paralisando fábricas para que fabriquem motores específicos, entre outros produtos necessários ao enfrentamento do vírus. Em tempos de guerra, precisamos de um Estado laico e comandante.

Mesmo laico, o Estado pode induzir fluxos de respeito, amor e espiritualidade.

Comecemos por retomar o lema positivista de Auguste Comte (1798-1857) em nossa bandeira, nos inspirando em Jesus: AMOR, ORDEM E PROGRESSO.

No evangelho segundo João (13:34) temos uma recomendação nobre, ou, quem sabe, um novo mandamento, daquele que, para muitos, doou sua vida por nós, há mais de 2.000 anos, Jesus: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei. ”

A guerra e o isolamento social nos mostram o valor do amor do abraço, do amigo, da família, da solidariedade, do trabalho, do exemplo, do respeito…

O respeito é uma estratégia incondicional, uma ideologia de sobrevivência em tempos de desafios pela vida. 

O governo que não respeita as orientações da Organização Mundial de Saúde – OMS não merece ser o primeiro a discursar no plenário da Organização das Nações Unidas – ONU.

E como professor e cientista não posso deixar de falar da espiritualidade. Há vários conceitos, mas, vou tentar explicar em um simples exemplo.

Estamos todos isolados, providos de alimentos e de medicamentos, mesmo assim, nos sentimos sós, com lapsos de claustrofobia. Esquecemos que temos família, amigos, vizinhos, comunidade, trabalho e um plano de vida. 

Cuidar da espiritualidade é cuidar da alma, desculpe a redundância, que anima a vida. Sem uma alma sã, dificilmente teremos resistência física a qualquer vírus existencial, ontem, hoje e sempre. Morreremos, mesmo que mortos vivos.

Um bom gestor, empresário, técnico de equipe, responsável de família, ou comandante de tropa saberá pensar e entender da necessidade de se cuidar do espírito do coletivo, do social, da organização, da cidade, do estado, da nação, da família.

Concluo este artigo ouvindo a composição de Fernando Brant e Milton nascimento, “Conversando no bar”, na voz de Elis Regina: 

“Lá vinha o bonde no sobe-e-desce ladeira.

E o motorneiro parava a orquestra um minuto

Para me contar casos da campanha da Itália

E do tiro que ele não levou

Levei um susto imenso nas asas da Panair

Descobri que as coisas mudam

E que tudo é pequeno nas asas da Panair […]”.

Em tempos de grandes desafios, segue uma excelente recomendação final, de um grande estudioso do Apocalipse, Paiva Netto: “Cuida do Espírito, reforma o ser humano. E tudo se transformará. ” 

Meus sinceros agradecimentos aos jornalistas Roque Reis e Marcus Stoyanovith Cavalcanti pela revisão.

*Daniel Borges Nava é geólogo, analista ambiental e professor doutor em Ciências Ambientais e Sustentabilidade na Amazônia

Fonte: Daniel Nava

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