25 de junho de 2022

O turismo não é levado a sério

Um discurso do vereador William Alemão chamou a atenção sobre o descaso público que o turismo recebe em Manaus e, por extensão, no Amazonas inteiro. As verbas públicas destinadas ao setor são pífias. Para completar, não existe uma secretaria e a Manaustur é um apêndice da Secretaria de Cultura. O pior de tudo: se não há destinação de verbas por orçamento, a ausência de um órgão autônomo para o setor, impede que verbas federais sejam destinadas a Manaus. Já foi dito em outras ocasiões que, no Estado principalmente, o gigante arrecadatório do Distrito Industrial ofusca os olhos do governo para qualquer setor que queira mostrar sua pujança. Estabelece-se o círculo vicioso: Investe-se pouco porque o retorno é pequeno. Retorna pouco porque quase nada é investido. 

O turismo no Amazonas é impulsionado de fora para dentro, pelo interesse natural que as pessoas têm pela Amazônia, não pela estrutura que oferece. Atitudes isoladas tendem a minguar quando não há uma só linguagem e um único direcionamento. Quando falamos em direcionamento, devemos falar do conjunto. Um local bom para seus moradores é bom para o turismo. É muito bonito chegar a um lugar e encontrar informações sobre a cidade fornecidas até pelo porteiro do hotel ou pelo motorista do aplicativo.

Há três décadas, em Alter do Chão, no vizinho Estado do Pará, havia algumas pousadas baratas e o acesso era feito por ônibus velhos ou taxistas pilantras. Ali temos um típico exemplo de um lugar aprazível que com o tempo foi transformado em destino turístico. Quantos lugares semelhantes têm no Amazonas? Ou em Manaus, mesmo? Nunca esqueçamos que a área municipal é um quarto do tamanho de todo o Estado do Rio de Janeiro, ou metade do Estado de Sergipe. Nunca esqueçamos que a capital amazonense tem a metade da população do Estado, embora tenha apenas 0,06% da área dele. Façam um exercício de matemática e se questionem: Quanto chão temos para oferecer ao turista? Quanto peixe tem nesses rios e lagos para oferecer à pesca artesanal que não depreda? Falar em espaço físico no Amazonas é chover no molhado. Espaço com poucos moradores pode ser aquele oferecido aos turistas que buscam a natureza.

Mesmo para aqueles que procuram uma aventura radical o ditado “quem quer conforto fique em casa” não é aplicável durante toda a estada num local. Embora muitos turistas se sujeitem a passar uma noite na floresta, no meio do nada (ou de tudo), chega a hora que o conforto faz bem, assim como a comida que lembre seu lugar de origem. A gastronomia em Manaus é bem diversificada e pode satisfazer ao turista mais exigente. 

Embora o turismo exija grandes investimentos, o valor investido para criar um posto de trabalho é muito menor que no Polo Industrial, onde a concentração é acachapante. Enfim, os segmentos que compõem o turismo são tão variados e em alguns casos o investimento é apenas em treinamento pessoal.

O vereador em sua fala também chamou a atenção para a pesca nas cheias. Sim, porque os bagres são pescáveis também na cheia, quando os tucunarés se escondem no alagado. A pesca ao bagre atrai muitos aficionados da pesca esportiva ao Pantanal Mato-grossense. Além do mais, uma excursão na cheia pode ser muito prazerosa, porque não há aumento na correnteza dos rios. O Polo Industrial é muito bom e fornece um faturamento invejável. Por que ficar só numa fonte de renda? Por que não levamos a sério nosso potencial turístico? (Luiz Lauschner)

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