11 de agosto de 2022
Prancheta 2@3x (1)

O segredo de Frederico Veiga

“Quatro horas depois as equipes da Defesa Civil, do Corpo dos Bombeiros e da Marinha, com seus equipamentos de resgates aquáticos, conseguiram içar o veículo com os corpos dos primos dentro”. E com essas mortes, o segredo inconfessável permanece guardado para o resto das vidas dos personagens de ‘Segredo Inconfessável’, o segundo romance do procurador aposentado, e agora romancista, Frederico Veiga.
“Sonho escrever livros desde muito jovem, mas aí o tempo foi passando, as coisas foram acontecendo, você se enchendo de compromissos, estudos, depois trabalho e a arte de escrever que, como qualquer outra, precisa de dedicação, foi ficando para depois, o depois que é o hoje, o agora quando, aposentado, posso me dedicar a buscar na imaginação as minhas histórias”, contou Frederico.

O primeiro romance de Frederico Veiga, ‘Judeu mestiço’, foi lançado há seis anos e só agora surge o novo, editado pela Norma Editora, da professora e historiadora Etelvina Garcia.

“Escrever um livro não é fácil. Resolvi escrever ‘Segredo inconfessável’ porque me veio a inspiração, aí a história foi sendo construída ao longo dos dois últimos anos”, falou.

Romance sobre a natureza humana
A trama de ‘Segredo inconfessável’ se passa numa cidade fictícia, com personagens e história fictícios, mas, pelas citações que o autor faz ao longo do romance, o leitor saberá que os acontecimentos começaram possivelmente em fins da década de 1960 e início de 1970, continuando pelos anos seguintes. “Espero que ninguém que leia o livro se reconheça em algum dos personagens, porque tudo ali é fictício. Claro que você se baseia num fato aqui, noutro ali, mas apenas para interligar a trama inicialmente imaginada”, explicou.

“Diria que é um romance sobre a natureza humana e o meio onde vivemos. Uma visão da sociedade onde vivemos, escrito com absoluta clareza, permeando o dia a dia das instituições nacionais. Para mim, uma visão nada otimista do Brasil de hoje”, revelou.

“Frederico Veiga é um excelente autor, daqueles que conseguem envolver o leitor com suas tramas e personagens, capazes de fazer com que leiamos seus livros do começo ao fim de uma só vez para saber logo como será o final da história”, comentou Etelvina Garcia, que além de editora, também fez a revisão do livro.

“Os leitores desatentos, ao terminarem a leitura dessa obra, hão de pensar tratar-se de mais uma das novelas americanas. Não perceberam as filigranas que sabiamente o autor incrustou na sua narrativa. Convencidos pelo texto, hão de ter divagado nas intrigas familiares que sempre existem numa sociedade”, escreveu na orelha do livro o desembargador federal Othilio Francisco Tino.

“Frederico Veiga, como poucos escritores amazonenses, consegue retratar com fidedignidade uma época não tão distante da história brasileira quando poucas famílias detinham o domínio sobre a política, a economia, a religião e, sobre a justiça, com práticas que até os dias atuais não foram de todo abandonadas. O leitor é levado a rememorar os estilos de vida cultuados pelas elites brasileiras que atravessaram as gerações dos anos 70, 80 e 90, com seus carros, suas músicas, suas bebidas, suas festas, em um verdadeiro flashback literário”, escreveu o juiz de direito Ronnie Stone, na apresentação.

Sobre o lançamento
‘Segredo inconfessável’ será lançado no dia 17, quarta-feira, às 18h, no Espaço Cultural Simões Mendonça, av. Guilherme Paraense, 777 – Parque Residencial Adrianópolis, em frente à praça. Informações: 9 9981-3248 (Norma Editora).

Trecho do livro
“O Ford Landau, com ar condicionado – um luxo então -, percorria as ruas da cidade e atraia alguns olhares dos populares nas calçadas que notavam que dentro seguia uma noiva da alta sociedade local para a igreja. Os pensamentos voavam no cérebro de Joana; agora ela não se conteve e sorriu descontraidamente enquanto seu olhar fixava-se no para-brisa frontal do automóvel. Rememorou das centenas de vezes que chovia forte no término da aula, por volta de meio-dia, e que, assim, dependia da boa vontade de alguma colega rica cuja família tivesse carro para ganhar alguma carona até em casa sem o risco de se molhar. A partir desta noite, raciocinou Joana, não teria apenas carro com motorista para lhe conduzir e servir, mas haveria de ter o seu próprio automóvel para dirigir, assim como já faziam as moças bem nascidas no Rio de Janeiro e São Paulo; não, não viveria dentro dos padrões provincianos e simplórios de sua cidade; iria romper esse atraso em relação às mulheres do lugar”.

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