Na quinta-feira (7), cientistas, professores, estudantes e congêneres de todo o Brasil promoveram na internet a Marcha Virtual pela Ciência. Nos últimos dois meses, desfilaram por nossos olhos séculos passados e o esforço de gerações em prol de um futuro melhor. A peste — pandemia do século 14 — e a epidemia da varíola no século 19 — que matou milhares de pessoas no Brasil — assombraram a humanidade em séculos anteriores. Sob péssimas condições sanitárias e econômicas, níveis elevados de pobreza e fome e um Sistema Único de Saúde carente de recursos (embora universal), o Brasil e algumas das cidades mais afetadas pela pandemia fornecem condições propícias para experimentarmos nova catástrofe.

Na crise atual, adubada por enorme desigualdade social incrustada na cultura e na organização política do Brasil, já se desenha aqui, na evolução da pandemia causada pela covid-19, o mesmo que se vê nos Estados Unidos: são os mais pobres e vulneráveis que já sofrem as piores consequências da doença avassaladora. Castigados pela crise econômica e social, perderão vidas e acesso a condições dignas de sobrevivência.

O isolamento social — recomendado pela OMS, sociedades e organismos científicos e de saúde — gera na população dúvidas sobre a conduta mais adequada. Ante esse cenário e seu desenrolar sombrio, a sociedade civil recorre à ciência, à solidariedade e à democracia. Assim, nasceu o Pacto pela Vida e pelo Brasil no último dia 7 de abril, lançado por entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a Associação Brasileira de Imprensa, a Academia Brasileira de Ciências e a Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência.
 
Nesse pacto, endossado por mais de 115 entidades nacionais e internacionais, os signatários clamam aos brasileiros, em particular, aos governantes e parlamentares, a exercer a cidadania guiada pelos princípios da solidariedade e dignidade humana. O fortalecimento do SUS e a garantia de renda básica emergencial, com alcance amplo e implementação eficaz, que não é o caso atual, são elementos centrais do Pacto.

A crise econômica agravada pela pandemia pode causar distúrbios sociais incontroláveis e requer a busca urgente de soluções envolvendo toda a sociedade. Para tanto, é fundamental a contribuição da ciência, desenhando políticas públicas eficazes para o combate à pandemia ou a implementação de programas econômicos de reestruturação pós-crise. Projetar e planejar o futuro pós-crise requer ciência. Obter tratamentos, remédios e vacinas requer ciência. É, portanto, mais do que oportuno ser feita neste momento a marcha em defesa da ciência. Sim, a vida vem antes da economia. É esse o Pacto. E para ambas, o remédio é ciência.

Fonte: Redação

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