O PT não conhece Olga Benário

É isso mesmo, a história só se repete enquanto farsa. É o caso dos boxeadores cubanos Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara. Ambos deveriam competir no Pan do Rio de Janeiro, mas abandonaram a delegação de seu país, deixaram de lutar e ganhar medalhas e ficaram dias desaparecidos até serem encontrados pela Polícia Federal brasileira, em Araruama, no Estado do Rio, e imediatamente repatriados para Cuba, onde os aguardava Fidel Castro. Foi uma decisão temerária e errática do governo brasileiro, embora tivesse a garantia, dada pelo próprio Comandante, de que os boxeadores não seriam presos na volta à ilha.
Este fato pode vir a se tornar a mácula mais horrível do governo Lula, superando em muito todas as que conhecemos até agora. Não se trata apenas de um grave erro de diplomacia, caso comum para o governo do PT, mas de uma decisão que deixou de levar em conta a real possibilidade de ambos os boxeadores sofrerem represálias duríssimas em Cuba. O próprio Fidel, em um artigo para um jornal local, classificou a atitude de Rigondeaux e Lara de traição, o que na ilha revolucionária do Comandante significa um estigma equivalente à pena de morte, se não física, então moral, política, pessoal e esportiva. Para começar, como castigo, os dois deixarão de competir no exterior.
É difícil entender o porquê de o governo brasileiro decidir pela repatriação dos cubanos quase imediatamente após terem sido localizados pela PF. O mínimo de prudência, neste caso, seria a forma mais sensata para lidar com a situação, até porque pairam sobre Cuba denúncias de violação aos direitos humanos, inclusive com fuzilamento de dissidentes políticos. Sabemos que Lula tem grande admiração por Fidel Castro, da mesma forma como nutre respeito anormal por Hugo Chávez, presidente da Venezuela.
Se o presidente brasileiro autorizou a repatriação dos boxeadores cubanos atendendo a um pedido, digamos assim, do Comandante, então seu ato equivale ao de Getúlio Vargas, que entregou Olga Benário aos alemães, mesmo sabendo que isso significava uma sentença de morte para ela.
A política externa do governo brasileira é tocada pelos intelectuais do PT, que prezam mais a ideologia que o pragmatismo das relações internacionais. Essa visão complacente para com os “compañeros” já deixou o Brasil em situação vexatória diante da Venezuela e da Bolívia, simplesmente porque Lula considera que Chávez e Morales, este presidente boliviano, têm o direito de exercer a política que quiserem em seus países, mesmo ferindo interesses brasileiros. Política externa baseada em ideologia só serve para os Estados Unidos, que impõem pela força sua visão de mundo e aceita quem quiser, ou então sofra a conseqüência.
Não é caso do governo brasileiro e sua visão de Terceiro Mundo, que sempre quis fazer de Lula um líder planetário, cujo objetivo era acabar com a fome e miséria no mundo, como se esse dois problemas fossem passíveis de solução apenas pela vontade humana. Posições desfocadas da realidade levaram o Brasil e perder todos os cargos em organizações internacionais que pleiteou, tudo porque faltou inteligência na condução da política externa do governo. Aferrados a dogmas, os intelectuais do PT conduzem o País, mundo afora, de forma vacilante.
É emblemático o fato de o assessor para assuntos internacionais de Lula ser Marcos Aurélio Garcia, que se deixou flagrar, no Palácio do Planalto, repetindo um gesto que algumas pessoas, menos intelectualizadas, mas mais inteligentes, não costumam fazê-lo sequer em um bordel.
Fatos assim se tornaram corriqueiros dentro do governo brasileiro, no qual seus expoentes acreditam que tudo pode ser resolvido com manipulação e desmentidos. Acreditam que os fins justificam os meios, mesmo que a finalidade não tenha nada de nobre. Metem os pés pelas mãos com tanta freqüência que se chega a suspeitar da capacidade intelectual deles para gerirem o país e, agora, vem o caso dos boxeadores cubanos, cuja suspeita é de terem acatado uma ordem de Fidel Castro para rep

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