O próximo passo será o biogás

Quem segue pela estrada AM 010 (Manaus/Itacoatiara) não pode deixar de notar a presença do aterro sanitário da cidade, no km 19. Apesar de constantemente as camadas de lixo estarem sendo recobertas com terra, o mau cheiro denuncia o que está por trás da falsa bela aparência do lugar.
Pertencente à prefeitura, desde 1986 o terreno recebe os dejetos da capital amazonense. Dados da Semulsp (Secretaria Municipal de Limpeza e Serviço Público) mostram que somente nos primeiros dias do mês de janeiro, início da administração Arthur Neto, foram retiradas 4.651 toneladas de lixo da cidade, o que equivale a 591 toneladas/dia. Na remoção manual, realizadas em pontos específicos, como lixeiras viciadas, foram mais 1.906 toneladas, o equivalente a 245 toneladas/dia. Na coleta doméstica foram recolhidas 13.260 toneladas de lixo, mais de 1.600 toneladas/dia, enquanto na coleta seletiva recebeu mais 39 toneladas de resíduos sólidos de toda cidade. São resíduos sólidos urbanos, comercial, público, parte do que sobra da construção civil, animais mortos, restos de feiras, de frutas, verduras, peixes e lixo hospitalar.
No quesito coleta domiciliar, de janeiro a março, foram mais 151.197 toneladas de lixo retiradas representando aumento de 1.327 toneladas (0,89%) em relação ao mesmo trimestre de 2012. A média diária alcançou a marca de 1.680 toneladas, com cada manauara produzindo, em média, 902 gramas de lixo doméstico todos os dias.
Nos igarapés a quantidade de lixo recolhido também chegou às toneladas, agora no mês de maio. Três toneladas foram retiradas do igarapé do Franco e da Bacia do São Raimundo. “O serviço de limpeza de igarapés acontece todos os dias e é intensificado durante o período de cheia, devido o risco de alagamentos resultantes do acúmulo de lixo”, falou José Renato, chefe de operações em limpeza de igarapés.
“Com exceção da coleta seletiva, todo material foi destinado para o aterro sanitário”, disse Paulo Farias, secretário da Semulsp.

Utilização por terceiros

Uma novidade implantada desde o mês passado no aterro sanitário, foi à utilização do local por terceiros, no caso, empresas e pessoas físicas, como destino final de resíduos não perigosos, mediante pagamento para a prefeitura.
Segundo o decreto nº 2.348, de 14 de maio, as empresas só poderão despejar no aterro sanitário, resíduos sólidos não perigosos e o pagamento será efetuado por tonelada, conforme o tipo de material.
Para os resíduos de Classe 2 (não perigosos), a Semulsp irá cobrar 2,5 UFM (Unidade Fiscal do Município) por tonelada, que equivale a R$ 186,62. Já sobre os resíduos de construções e demolições das Classes A e C o valor será de 1,21 UFM (R$ 90,32).
De acordo com Paulo Farias, as pessoas que utilizarem carros pequenos, como vans e pick-ups irão pagar por viagem, e não por tonelada. “Os carros, vans e pick-ups pagarão 1 UFM (R$ 74,65). Já os caminhões abaixo de quatro toneladas pagarão 3 UFM (R$ 223,95). Os demais veículos leves pagarão de 1 a 3 UFMs”, explicou.
Paulo Farias lembrou que a Semulsp já vem cadastrando empresas e veículos para a utilização do aterro sanitário. “Esse serviço já vem sendo feito há um mês. Os veículos são cadastrados e pesados na balança do aterro”. A balança eletrônica tem capacidade para pesar de uma única vez, 60 toneladas, e possui um software específico para o controle da pesagem.
O próximo passo para o aterro se modernizar, será transformá-lo numa usina de biogás. São Paulo foi a primeira cidade do Brasil a aproveitar o biogás como fonte de energia. Vinte e quatro geradores de alta potência queimam todo o gás do lixo. As máquinas transformam o biogás do aterro em energia elétrica suficiente para abastecer 35 mil domicílios da cidade de São Paulo.
Em Manaus, há um ano foi lançado o edital de licitação para modernização do aterro, incluindo uma usina de biogás, mas até agora não apareceram interessados.

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