O processo judicial eletrônico modus operandi (Parte 2/2)

Vistas as circunstâncias postas no texto anterior, tem-se em seguida que, temerosas, as pessoas obrigam-se a não mais sair de casa. Encomendam tudo pelo telefone.  Restaurantes despediram os garçons e os trocaram por motoboys, que são então os telegarçons. Existem agora notáveis serviços de completa entrega, mesmo um jantar luxuoso à luz de velas, ornado com ricos pratos de porcelana chinesa; talheres de prata Christofle (Paris); toalha e guardanapos de linho (Bélgica); Vinho Sauternes 2001, da Châuteau d’Yquemde, escolha de iguarias internacionais, tais como Crème Brulée (França); Paella (Espanha); Lasagna Fiorestina (Itália), Açorda de Mariscos (Portugal), e sobremesas celestiais, como Pastel de Nata. Para atendimento, basta contactar o Restaurante Alentejo, ali na rua Pará, Vieiralves, salvo se o excesso de encomendas frustrar o pedido, de momento, restando então o valioso cardápio do dia.

Segue, encerre-se o assunto desta estação de escritos semanais, dizendo que toda a expectativa em volta da primeira audiência virtual, nas circunstâncias, acabou por intranquilizar o dirigente, dando-lhe de véspera uma noite mal dormida que se refletiu no dia seguinte, ou seja o da instrução eletrônica. Deu-se, como fosse o dia marcado, cabia-lhe cumprir a obrigação conjugal. Mas qual o quê! Preocupado com o dia seguinte, foi a desculpa. Não fosse este um termo bem comportado se diria logo: broxou! Mas não, diga-se disfunção erétil. A esposa fulminou-o com aquele olhar e vociferou: Eu, hein! Tá bom, conta outra!

De manhã, agitado, levantou da cama (onde não havia “levantado”), vestiu rapidamente uma camisa social e o paletó que já deixara a postos, engravatou-se e instalou-se na fria sala, quando chegaram alguns participantes onde se daria a audiência virtual, cercada de expectativa. Ligados os aparelhos eletrônicos, inclusive a tela mostrando o Juiz e servidores, na sede do Fórum. Pronto, mas aí acometeu-lhe um frio, não na barriga, mas um pouco mais abaixo e assim foi até o fim. Ali, notou uma coroa, muito maquilada ostentando um batom escuro, roxo mesmo, e um cabelo volumoso, tingido também da cor do tal batom. Destacava-se a figura.

No fundo, estava uma vistosa morena lutando com a curta saia que escapava-lhe para manter bem cobertas as belas pernas, embora vez por outra, via-se algo mais, levando a pensar quanto um estrábico (zarolho), se ali estivesse, colheria vantagem visual, dirigindo um olho para a figura da moça do fundo (da sala) e o outro aos demais. Ao final, ao levantar-se, ereto, parecendo -lhe em vias de micção, mas era erotismo, (por causa da moça no fundo?), tudo bem diferente da narrada noite anterior, em casa. Mas não será de se dar como pecado em face de algo fugido ao controle, faça-se justiça. Devaneio nada sadio, não? Paciência, voltemos especificamente ao processo, que é o que interessa mesmo.  A propósito, não houve o desfecho aguardado. Adiou-se para outra data a fim de estudar-se hipótese de conciliação.

Todos de pé, se deu a saber o frio abaixo da barriga. Quando o viu levantado, a moça morena saiu às presas, não sem antes deitar um olhar de reprovação, no que foi acompanhada por quase todos, inclusive os que estavam no Fórum, com exceção da balzaquiana que se pôs a sorrir, a olhar e a passar a língua nos lábios, onde se via ao redor um volume redondo e roxo como um inquieto morango glande, grande, digo. Então, curioso, e seguindo os olhares, ele viu quanto o perturbara a atribulação causada pela estreante audiência, desde a noite anterior. É que de manhã levantou-se, às pressas, esquecendo de colocar qualquer outra veste, além da curta camisa social e o paletó, que já deixara a postos de véspera.  Sim -que horror! Todos viram que estava pelado, pior, não depilado, por volta do baixo ventre, digamos assim. Daí o frio, quem sabe afinal causa do enrijecimento…(Final)

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