Essencialmente a nossa vida caminha em direção ao outro. Isso significa que somos carentes de afeto por natureza. Ninguém se basta a si mesmo. Estamos sempre precisando do outro. A nossa vida, seja familiar, social, ou emocional, só é completa quando estamos em contato com o outro.

O que seria da nossa vida sem o outro? Nada, não é mesmo? Para o filósofo francês Emmanuel Lévinas, o outro solicita de mim uma resposta, que inevitavelmente preciso dar. Por carregar em si o infinito, o transcendente, o outro, que não é uma projeção de mim mesmo, precisa ser respeitado em sua integridade.

O contato com o outro, com o diferente, diz sobre a essência humana: a sociabilidade. Portanto, a sociabilidade é uma das características mais marcantes dos seres humanos. Pode-se dizer mesmo que sem a sociabilidade não seríamos humanos. Por isso, uma das definições mais interessantes que eu conheço na filosofia sobre o ser humano é essa: “o homem é um animal social”.

Igualmente, as Ciências Humanas e Sociais ensinam que a sociabilidade nos define. Elas ensinam também que ser necessitado do outro, de contato social, de amizade, não é sinal de fraqueza. Pelo contrário, a sociabilidade ajuda na formação de nossa própria identidade.

Quando nos relacionamos bem com os outros, com o nosso semelhante, crescemos como seres humanos. Para o Papa Francisco, a família é o local onde o ser humano cresce no amor, no afeto, no respeito e na solidariedade. Diz ele: “As famílias são como um fermento que ajuda a fazer crescer um mundo mais humano, mais fraterno, onde ninguém se sinta rejeitado e abandonado”.

Nesse sentido, uma das regras fundamentais da história da humanidade sempre foi a cooperação. A colaboração, a capacidade de cooperar, de atuar junto, de desejar e querer o melhor para todos, sempre foi decisiva na trajetória da espécie humana para que nós pudéssemos sobreviver, chegar onde chegamos.

Portanto, num mundo cada vez mais competitivo e excludente, onde a criança, o deficiente físico ou mental, o negro, a mulher, o pobre, etc., são deixados de lado, por não serem “competitivos”, a cooperação é a via possível para tornar o mundo mais harmonioso, acolhedor e inclusivo.

Não podemos aceitar que o mundo gire apenas em torno da competitividade, onde só sobrevive os mais fortes, os mais capacitados. Não que a competitividade não deva ter o seu valor, mas ela não pode se sobrepor à colaboração como principal maneira de sobrevivência humana.

É preciso, enfim, encontrarmos outra forma de sobrevivência no Planeta. Não podemos continuar aceitando, de braços cruzados, que à Natureza, o Pantanal, a Amazônia, sejam destruídos em nome de um pseudo progresso. Ainda temos tempo para fazermos alguma coisa, basta querermos. O importante é reagirmos, não ficarmos inertes, achando que está tudo bem.

Não está tudo bem, e para mudarmos esse cenário é preciso deixarmos de lado as ideologias partidárias, econômicas, religiosas, e juntos construirmos ações que visem atender o bem comum. Somente através do trabalho coletivo, do respeito mútuo, da solidariedade, da cooperação, do amor pela coisa pública, poderemos sair do caos em que nos encontramos atualmente.

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