7 de maio de 2021

Habitual e corriqueira tornou-se a veiculação de chamativas campanhas publicitárias, através dos meios de comunicação, onde os aposentados e pensionistas do Instituto Nacional de Seguridade Social constituem o grande alvo de inúmeras instituições financeiras.  

Atualmente a coisa piorou: já não temos mais descanso. As ligações indesejáveis já não respeitam horários de almoço, de descanso ou feriados. E a essas invasões de privacidade se juntam as operadoras de Tv por assinatura ou telefônicas. Reclamar pra quem? 

Essas famigeradas tentativas de induzir ao empréstimo consignado revela que o País ainda está muito distante de exercer um modelo ideal de previdência, suficientemente capaz de suprir as necessidades daqueles que trabalharam e contribuíram durante décadas para que pudessem usufruir a merecida recompensa ou, no mínimo, assegurar um benefício que pudesse sanear suas despesas e proporcionar uma tranquila velhice. 

Grandes estrelas da televisão brasileira são protagonistas de peças sofisticadas, numa astuta campanha de marketing onde os segurados são atraídos para efetuarem operações de empréstimo. Vale tudo para garantir uma boa fatia do lucrativo mercado, já que essa categoria representa muitos milhões de brasileiros e, através da Medida Provisória nº 130, o Governo federal autorizou os bancos a atraí-los para efetuarem empréstimos a partir de acesso fácil, pois o próprio governo, além de fazer o desconto das parcelas na “boca do caixa”, garante um índice de inadimplência quase inexistente. Por se tratar de um excelente negócio para os bancos, muitos deles gastam fortunas em campanhas. 

Por trás da mídia, do teatro, da fama efêmera de olimpianos da televisão o governo disfarça graves contrastes sociais gerados a partir da mal estruturada e, pior ainda, mal aplicada fórmula de previdência, para a qual insistem em direcionar infinitos prejuízos que fomentam as principais mazelas de grande parte da população, que ainda tratam – com certa dose de ironia – de melhor idade. 

Sua Santidade, o Papa João Paulo II, hoje Santo, deixou um profundo legado através de atos e inúmeros escritos. Entre eles se destaca um que revela: “A nação que mata suas crianças, não tem futuro”. Divagando sobre esse enunciado, dispus plenamente a concordar e traçar uma analogia entre as duas faixas etárias. Esbarrei numa indagação: E o que será da nação que maltrata seus idosos? Que trata mal quem doou grande parte de sua vida ao trabalho e, por conseguinte, patrocinou empreendimentos que ele, agora que chegou na terceira idade, poderia usufruir e, infelizmente, não pode. 

Em plena “melhor idade” eles não podem sair às ruas e transitar em calçadas uniformes e contínuas; não podem sair de casa sem correr o risco de serem assaltados; muitas vezes até os direitos garantidos por lei lhe são aviltados. Resta então, o consolo de ficar em casa (quem tem), diante da TV e através do telefone correr mais um risco contraindo dívidas que, de acordo com o Código Civil, não se finda com o falecimento de quem contraiu. Ou seja, deve-se pelo menos cuidar de nossos aposentados e pensionistas para não serem herdeiros também de dívidas. 

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