A semana anterior já havia sido agitada quando no auge das manifestações algumas Fake News sugeriram ao mercado a saída de Pedro Parente do comando da Petrobrás, possivelmente para assumir outra empresa do governo. Imediatamente o mercado reagiu mesmo sem saber a veracidade da notícia e as ações da gigante do petróleo brasileiro perderam valor nas bolsas e seu patrimônio desabou chegando a perder cerca de cento e quarenta bilhões de reais em um só dia.

Uma semana depois, com a greve relativamente contornada e o governo atordoado com um acordo desacordado, prometendo o que não pode cumprir e com muita gente que não deveria, se metendo no bolo, a notícia de fato abala o país: Pedro Parente apresenta sua carta de demissão ao Drácula, digo, ao presidente Temer, de maneira irrevogável. O diretor demissionário da Petrobrás alegava em sua renúncia “não ser mais positivo” para o governo e sua política.

Na verdade a saída de Parente foi causada pela ingerência política principalmente de Moreira Franco naquilo que vinha sendo tocado com extrema capacidade e que gerou a recuperação do que já foi um dia uma das maiores petrolíferas do planeta. Mais uma vez nosso país leva um chute mal dado pela mania esdrúxula de nossos políticos de acharem que tem poder e capacidade de gerir as empresas. Quando foi necessária a presença do ministro das Minas e Energia o mesmo nem apareceu, sendo todos os assuntos tratados pelo ministro da Justiça, Raul Jungman, que deu um Show a parte de serenidade e coerência política.

O pior de tudo foi a segunda queda no patrimônio da Petrobrás, que perdeu cerca de quinze por cento de seu valor nas Bolsas tanto no Brasil quanto no mercado internacional. Pela segunda vez o mercado foi impiedoso e claro, pois já tinha avisado o quanto confiava na gestão de Parente e o quanto a saída do mesmo iria gerar como reação dos investidores. Qual a dificuldade de nossos governantes desgovernados de entender a importância de atender às necessidades dos investidores deste nicho tão importante para o nosso país? Ficamos então na impiedosa e sem graça discussão sobre o nome do sucessor e o quanto o mesmo vai poder diminuir as consequências do estrago, pois revertes já é impossível.

Mais uma lição de economia fica deste incidente, embora com um custo tão alto que sairá como sempre do bolso do contribuinte brasileiro: o mercado para funcionar de forma positiva precisa de algo fundamental que é a CONFIANÇA, seja em relação aos resultados das empresas, seja das atitudes dos gestores como estava acontecendo em relação ao diretor renunciado da Petrobrás. O mercado econômico quer resultados logicamente, mas antes de tudo quer a segurança de que estes resultados podem vir e para tal, precisa da CONFIANÇA que seja passada pelo sistema.

O Brasil já se viu em situações onde este problema de confiança, ou falta dela, foram fundamentais na história econômica e política de nosso país. Na implantação do Plano Real nosso país havia anunciado moratória e dificilmente os investidores aceitariam o simples anúncio de mais um plano econômico. No entanto embora pouca gente conheça a história, um time de alto nível se formou para reduzir a dívida externa brasileira e retomar o acordo com os credores internacionais. Depois disso o presidente Itamar Franco baixou um decreto cortando de uma só vez quarenta por cento das despesas públicas de nosso país, incluindo salários de funcionários públicos (incluindo o dele), o que passou a confiança ao mercado de que realmente a equipe de economistas do novo plano estava disposta a fazer algo diferente do que havia sido feito até então.

Não foi à toa que o Plano Real além de ter sido um sucesso, recebeu vários prêmios internacionais e teve nos seus idealizadores, Pérsio Arida e André Lara Rezende o peso de seus nomes dando a confiança que o mercado queria. Hoje apesar da bagunça que alguns ministros do STF tentam fazer no sistema judiciário brasileiro, o nome de peso do judiciário é o de Sérgio Moro. Por isso somos obrigados a assistir constrangidos ao afundamento da Petrobrás, com seu patrimônio caindo sob o PESO DO NOME DE PEDRO PARENTE.

*é professor, economista, mestre em engenharia da produção, consultor econômico da empresa SINÉRGIO

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