O perigo de um novo golpe militar

O artigo aponta evidências de perigo de tentativa de um novo golpe militar no Brasil.

Antes de out/18, tive um pesadelo, vi Jair sendo eleito, gerando caos na nação, com tropas fortemente armadas atuando nas cidades. Acordei após levar tiro por não concordar com o modo operandis adotado no bairro onde moro. Talvez o pesadelo seja fruto das leituras envolvendo o perfil parlamentar e profissional dos potenciais candidatos de 2018, inclusive o histórico do capitão Jair, desde o tempo do Exército até a CD, descritos nos artigos “O tambor vazio do Bolsonaro – parte 1 e 2” publicados no JC-AM em 20 e 27/09/17.

Após fazer estudo estatístico, constitucional e documental para organizar os pensamentos, foram publicados os seguintes artigos no JC-AM: no dia 27/09/18 “Bolsonaro + Haddad = soçobro nacional”, com cenários que apontavam evidências de que a gestão Haddad seria desastrosa e evidências de que a gestão Bolsonaro traria caos ao país; e no dia 10/10/18 o artigo “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”, com 3 cenários para cada um dos dois candidatos que disputaram o 2º turno de 2018.

Pois então, Jair foi eleito democraticamente, temos que respeitar, mas após 1 ano e 5 meses, percebo que o pesadelo não é só meu, as previsões envolvendo o caos durante sua gestão estão ocorrendo rápido, o pior cenário previsto é a tentativa de um novo golpe de estado por parte dos militares. Abaixo elenco algumas das evidências:

1ª) última prática histórica: força armada não avisa, age!

Se fizermos um resgate histórico das notícias publicadas dias antes do golpe de 31/03/64, identificaremos que na época, os interventores se alinharam aos EUA e negavam interesse no assunto, ações que se repetem hoje. Por exemplo, estudo feito no acervo da Folha de SP, pelo jornalista Fábio Marton <https://bit.ly/2TUZYMM> para descobrir a posição das Forças Armadas sobre a possibilidade de golpe, revelou que questionados pela imprensa: 1º) o porta-voz dos EUA garantiu que o país era contra golpe (21/03/64–10 dias antes); 2º) o então general do Exército Amauri Kruel afirmou 11 dias antes do golpe (20/03/64) que “a ditadura dos fotógrafos, era a única ditadura que nós admitimos no país”;

2º) Os atuais militares do governo não são confiáveis

Capitão Bolsonaro tem vasto currículo de coisas ruins que o desqualificariam para atender os requisitos mínimos para ser um bom presidente, preconizados no artigo 84 da nossa CF: indisciplina, impulsivo, sem equilíbrio emocional, falta de liderança, não cumpre acordos, ameaças de explodir bombas, prisão, condenação no Exército, apoio público a grupos de extermínio, milicianos, ditadura, às torturas, condenação em diferentes instâncias da Justiça. O mais grave de tudo, pois envolve vidas, o de não preparar o país contra a pandemia, resultando oficialmente no adoecimento de mais de meio milhão de brasileiros (país é o 2º pior do mundo), dos quais mais de 32 mil vidas preciosas já foram ceifadas, isso porque estou sendo bonzinho em não considerar a alta subnotificação que há no Brasil.

General Mourão é outro sem preparo, sem equilíbrio emocional, não confiável, quando fala, é um Deus nos acuda, já deu diversas declarações desastrosas que não condizem com o alto posto que ocupa <https://bit.ly/2BllJPp; https://glo.bo/2MiUA1L; https://bit.ly/2Y0YxOb; https://bit.ly/2McKlMq;>. Para quem defendeu o combate aos privilégios e a corrupção, o vice Mourão não consegue se mostrar fiel a essas convicções quando questionado sobre: as promoções relâmpagos que seu filho anda tendo no BB; a tentativa de ingerência de mito com indicação do desqualificado Eduardo ao cargo de Embaixador do Brasil nos EUA; ingerência do Jair que resultou na suspensão por 6 meses das investigações contra Flávio; negociação dos militares do governo com os políticos sujos do Centrão <https://bit.ly/36Lx3A1; https://bit.ly/3gzynuh> que roubaram o Brasil em parceria com quadrilhas instaladas no PT/MDB. Para quem não cumpre o prometido e exalta publicamente a ditadura militar de 64 <https://bit.ly/3eG0ztp>, torna-se difícil acreditar em Mourão quando afirma que não há possibilidade de golpe militar no país.

General Heleno tem um passado assustador, desconhecido pela maioria, pois em 1977, quando capitão, participou de golpe frustrado junto com Ministro do Exército Sylvio Frota contra a abertura democrática proposta pelo presidente Ernesto Geisel. Heleno e dezenas de golpistas foram exonerados e retirados de Brasília, conforme DOU de 18/10/77 <https://bit.ly/2XkqC3K>. Além disso, esse general não tem palavra, veja esses vídeos <https://bit.ly/2zEbSDV; https://bit.ly/2zMLCHn; https://bit.ly/3dn2BhX>, em entrevistas e em locais públicos, durante a campanha de 2018, o general Heleno afirmou que “Bolsonaro formaria uma equipe que não estivesse nesse toma lá-dá-cá”, fez fortes críticas ao centrão, mas uma vez no poder, ele, o capitão e seus generais jogaram as promessas no lixo e estão abraçados com condenados e réus do centrão, nomeando gente investigada pela justiça. Então como confiar em alguém que tentou dar o golpe no país e mentiu para a nação? No último artigo, há exemplo de nomeação de gente suja, autorizada pelo General Braga Netto, bem como sua manipulação de dados quando falou em rede nacional sobre a posição do Brasil em relação à covid-19. Então, como confiar neles?

3º) Aumento de militares loteando os órgãos do Estado

Levantamento do Ministério da Defesa, feito a pedido do Estadão <https://bit.ly/2XQGJoR>, aponta que militares da ativa já ocupam quase 2,9 mil cargos no Executivo. São 1.595 do Exército, 680 da Marinha e 622 da FAB. Destes, 42% estão empregados na estrutura da Presidência, especialmente no Gabinete de Segurança Militar, órgão reforçado no atual governo.

4º) aumentam os inquéritos dos órgãos de controle

Acordos com nomeações de gente ruim <https://bit.ly/3ckJfZt>, práticas de Fake News <https://bit.ly/2MdRnAs>; Interferência no Exército <https://bit.ly/2yV3a3K; https://bit.ly/3eADSXF>; interferência no BB <https://bit.ly/2MhXaoA>; interferência na PF <https://bit.ly/2LTW9mF>; interferência na RF e no MPF <https://bit.ly/2ZS7jQY; https://bit.ly/3eAiC4d>, anulação de nomeações: IPAHAN<https://bit.ly/2Xi0iau> e IFRN <https://bit.ly/2XKqRnO>; candidatos laranjas, etc.

Com a economia ruim, perda de credibilidade e apoio no congresso, aumento colossal das mortes devido ao descontrole da covid-19, com o avanço das investigações, qual vai ser a reação das Forças Armadas em caso do STF/PGR, TCU ou TSE denunciar e/ou condenar (incluindo cassação de chapa) um ou mais militares deste governo, pois alguns da reserva já estão ameaçando, falando grosso contra quem investiga, enquanto fecham descaradamente os olhos diante da má gestão e das inúmeras irregularidades do governo centrão verde-oliva.

*Prof. Dr. Jonas G. da Silva – Prof. da Eng. de Produção da UFAM. Atualmente, pesquisador visitante do Instituto de Pesquisa em Inovação da Escola de Negócios da Universidade de Manchester (RU). E-mail: [email protected]

Fonte: Jonas Gomes

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