O vereador Ari Moutinho (PMDB) declarou que considera a hipótese de não mais disputar eleições para cargos públicos. Está magoado. Descobriu que levou uma “pernada” do governador Eduardo Braga de quem sempre foi fiel escudeiro, aliado dileto e muitas outras coisas que se pode dizer de um afilhado político. Fazia parte do grupo que sempre esteve ao lado governador, seja nos bons e maus momentos, junto com o também vereador Marco Antônio Chico Preto e o ex-vereador Bosco Saraiva.
Mas a descoberta da traição o abalou profundamente a ponto de querer abandonar uma carreira política que, se não brilhante, pelo menos é a única que Ari exerceu em toda sua vida. Cumprindo seu quarto mandato, em 1992 foi eleito para a Câmara Municipal de Manaus como o vereador mais novo do país, com apenas vinte anos. Já foi candidato outras vezes a deputado estadual e federal sem nunca obter êxito. Exerceu também uma secretaria estadual, de onde saiu respingado pelas acusações de fraudes em licitações públicas.
Apesar de ter terminado sua juventude e amadurecido como homem no serpentário da política amazonense, Ari se abalou com a descoberta de que, ano passado, nas eleições proporcionais, nas quais disputava uma vaga para deputado federal, Braga teria dado apoio velado ao então candidato Sabino Castelo Branco, na época do PFL do também candidato Amazonino Mendes, este para o governo, e concorrente direto de Braga. Sabino disputava a eleição com as pesquisas prometendo-lhe uma enxurrada de votos ancorada em dois programas de rádio de apelo popular.
Claro que todos queriam pegar uma carona na popularidade de Sabino e Amazonino fez dele seu principal cabo eleitoral nas áreas miseráveis de Manaus, onde ele tinha, ou tem ainda, grande aceitação. No entanto, igual a tantas outras questões mal explicadas da política amazonense, Sabino se afastou da campanha de Amazonino na reta final, Braga se reelegeu no primeiro turno e o final era o que todos pensávamos que fosse.
Mas não é. Surge agora a notícia de que Braga teria cooptado Sabino, que significa dizer apoio velado para sua campanha vitoriosa a deputado federal, em detrimento de Ari, que concorria ao mesmo cargo, com apoio oficial do governador. Nunca se saberá que cargas d’águas motivaram Sabino a abandonar o barco de Amazonino, onde era o imediato, e embarcar no de Braga, como clandestino. Aos pragmáticos, basta dizer que o arranjo deu certo: ambos venceram as eleições, como queriam, e Ari ficou pela praia, relegado ao seu quarto mandato de vereador municipal.
Esse arranjo, às escuras, Ari o recebeu como uma punhalada pelas costas, até porque se considerava, ou se considera ainda, o filho dileto de Braga. Não deveria ser assim. O vereador, em sua fulgurante carreira pública, já participou de disputas eleitorais, alianças e conchavos que os credenciam ao patamar de político experiente. E reza o Manual do Político Experiente que esta espécie deve ter as costas grossas, largas e imunes a punhaladas. Uma “pernada” recebida aqui é paga com uma “pernada” dada acolá. A isto se chama “a arte da política” (não aquela exercida pelos grandes), que nas paragens tropicais e, principalmente, nas equatoriais, se transformou em artesanato de sobrevivência. E Ari sabe disso, ou deveria saber. Ele não é bobo.
O resultado final dessa conjunção política é que Ari saiu magoado a ponto de querer renunciar a sua carreira pública, Braga é governador e Sabino está em Brasília, na Câmara Federal, fazendo o quê? Eu não sei. O deputado federal, em oito meses de atuação no Parlamento, ainda não fez um pronunciamento que merecesse repercussão no Amazonas. Quando apareceu nos holofotes foi destaque entre os políticos que se elegem por um partido e migram para outra agremiação, após assumir o cargo.
Conjecturas são conjecturas. E ninguém pode afirmar que Ari Moutinho seria eleito deputado federal se Braga não desse apoio velado a Sabino. Que, se eleito, o vereador magoado faria um grande papel em Brasília. Mas uma certez

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