‘O momento é dos militares’ diz Alfredo Menezes

Seguro do apoio do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) à sua campanha na corrida eleitoral pela Prefeitura de Manaus, o coronel Alfredo Menezes (Patriota) diz ignorar as pesquisas de intenção de votos. A menos de 30 dias de realização das eleições municipais, o Ibope aponta que Amazonino Mendes (Podemos) e David Almeida (Avante) continuam liderando a preferência do eleitorado manauara.

Para o coronel, que já foi superintendente da Suframa e tem uma relação de amizade com Bolsonaro há pelo menos 40 anos, esses números não têm credibilidade e representam, na realidade, uma manobra de caciques da velha política para continuar dominando o poder público.

“O Ibope nunca acertou uma pesquisa em Manaus. Essas pesquisas, sempre tendenciosas, vêm acontecendo nos últimos 15 anos. São números comprados, manipulados, e não representam o real sentimento dos eleitores”, questiona. “A população está cansada dessas manobras. É uma vergonha”, acrescenta.

Menezes promete fazer um governo com a mesma disciplina que norteia a vida nas Forças Armadas –com muita disciplina, seriedade, dignidade e transparência na aplicação dos recursos públicos.

Para isso, ele vai convocar os órgãos de controle para acompanharem de perto a sua gestão, como aconteceu durante os quase dois anos em que administrou a Suframa. E diz que o momento, hoje, é dos militares, que têm na imagem de Bolsonaro sua principal referência política.

“Se o Amazonas é hoje o que é, um Estado próspero, mais desenvolvido, deve-se aos militares que criaram a Zona Franca de Manaus. Em meu governo, vou me inspirar no lendário coronel Jorge Teixeira, excelente prefeito, que construiu as principais vias da cidade, marcando sua trajetória política nos anais da história amazonense”, afirma.

Segundo o coronel Alfredo Menezes, muitos candidatos querem pegar agora carona no “rabo do cometa”, que é Jair Bolsonaro, para tentar convencer o eleitor que têm o apoio do presidente na campanha eleitoral.

A declaração é uma resposta direta, uma alfinetada, no Capitão Alberto Neto (Republicanos), que recentemente entrou com uma ação judicial contra o ex-superintendente acusando-o de se apropriar indevidamente da imagem do presidente em sua campanha à Prefeitura de Manaus.

“O presidente Bolsonaro já mostrou que apoia a minha candidatura. Toda a população do  Amazonas sabe, tem ciência disso. Ao contrário do candidato pastelão (Capitão Alberto Neto) que não vai ganhar nada na disputa. E vai sair menor do que um anão das eleições”, critica.

O coronel Alfredo Menezes deu uma entrevista exclusiva ao Jornal do Commercio.

Jornal do Commercio – Como anda a sua campanha pela prefeitura de Manaus. Está realmente nos planos como o sr. idealizou?

Coronel Alfredo Menezes – Está melhor do que esperávamos. Traçamos algumas metas 60 dias antes do início da campanha. Temos muita receptividade junto à população. Vemos que as pessoas estão indignadas com essa oligarquia política que domina o poder há mais de 40 anos.

São candidatos com pele de cordeiro, que se travestem de novo, e representam os velhos caciques políticos. Tenho recebido várias manifestações favoráveis de diversos segmentos na cidade.

Os feirantes querem nos apoiar e se sentem abandonados pelos velhos políticos. Pretendemos honrar todas as demandas de interesse da sociedade.

JC – A menos de 30 dias das eleições, como o senhor avalia os números da pesquisa eleitoral sobre a preferência do manauara,  principalmente agora com a mais nova pesquisa do Ibope?

AM – Em primeiro lugar, temos que acabar com essa política nefasta do que está por trás dessas pesquisas. Não há seriedade, credibilidade. Esses números são comprados, manipulados.

Eles, os velhos caciques, compram dados para projetar os candidatos deles. Essas manobras vêm acontecendo nos últimos 15 anos.

O Ibope nunca acertou uma pesquisa em Manaus, de algum candidato que tenha sido eleito. É vergonhoso. No meu caso, venho num crescimento contínuo. Antes eu era uma pessoa desconhecida, mas cresci de 4% a 5% com um trabalho de apenas 60 dias.

Foi um trabalho duro focado nas mídias sociais, seguido de presença física. Vamos às comunidades. Colocaremos em prática um programa de governo direto, enxuto e objetivo.

JC –O senhor vem percorrendo grandes áreas vulneráveis na cidade. Quais as principais prioridades manifestadas pela população?

AM – São três áreas prioritárias –saúde, que não tem nada a ver com a pandemia, mas sim com esse grupo político que destruiu o setor nos últimos 15 anos.

O transporte público, que não é mobilidade urbana. As pessoas estão indignadas com a qualidade dos  serviços, falta de renovação da frota, sem cumprimento de horários. Elas querem ar-condicionado nos ônibus.

A população clama também por mais segurança pública. Depois vêm questões como moradia, regulação fundiária, educação.

Conversando com a equipe ministerial, soube que qualquer gestor terá três desafios para 2021-geração de emprego e oportunidade e renda para a população de todas as cidades brasileiras.

Ainda a educação. Com a pandemia, os protocolos de segurança terão continuidade e isso vai impactar na vida escolar de nossos filhos.

Em seguida, vem a saúde. As pessoas estão cansadas de ficar em filas para conseguir um atendimento.

Em Manaus, foi um assédio político muito grande em cima da saúde. Colocaram hospital de campanha, que foi destruído e não se sabe por quê. Muitos eram amigos e agora viraram inimigos.

Ninguém briga por amor. No âmbito do governo, reativaram o hospital na Nilton Lins, contrataram profissionais e acabaram fechando a unidade.

E a Covid-19 continua aí.  Esse é o nosso grande desafio.

JC – Não se pode retirar essa sua referência com o nome de Jair Bolsonaro. Mas ultimamente, o Capitão Alberto Neto entrou com uma representação judicial contra o sr. acusando-o de se apropriar indevidamente da imagem do presidente em sua campanha. Como avalia isso?

AM – Não há disputa pelo apoio do presidente. O candidato (Capitão Alberto Neto) é um ator pastelão, um brincante.

Da minha parte não há disputa. Ele que quer se inserir nesse contexto. É só consultar o ‘DivulgaCand’, portal da Justiça Eleitoral,  para ver quem são os apoiadores que levaram esse candidato ao Congresso Nacional.

São políticos da velha oligarquia. Tem um senador da ‘Maus Caminho’ e um deputado que ajudaram a elegê-lo.

A sociedade está vendo. Ele, sim, que está querendo prejudicar nossa campanha, tirar votos da gente, dizendo que tem o apoio do presidente. Não vai ganhar nada. Vai sair da campanha menor do que um anão

O presidente fala diretamente comigo. Ele (o candidato) está, sim, com dorzinha de cotovelo (rss). Muita gente está por trás dele incentivando isso.

JC – O sr. esperava por isso….?

AM –  Claro, é ciúme de macho (rsss). É um problema seríssimo esse pessoal novo, uma ciumeira…

O presidente autorizou o meu material de campanha. Não sou um cara enxerido. Bolsonaro disse que seu candidato era um sujeito careca. Daí, todos rasparam a cabeça (rsss).

E esse candidato queria ser promovido de major para coronel. É o que dizem, é vergonhoso.

São pessoas que não têm seriedade e nem capacidade para dirigir uma cidade. Tem que deixar de ser capitão, amadurecer para exercer o cargo.

JC – Estamos a menos de 30 dias da realização das eleições municipais. Como está sendo sua estratégia na campanha?

AM – Com a pandemia, estamos focando 60% da nossa campanha nas mídias sociais. E os outros 40% com presença física. São as necessidades do momento, evitando ao máximo as aglomerações.

Mas verifiquei que o eleitor quer conhecer de perto o candidato. Não tem jeito. Temos que ir ao encontro das comunidades.

Temos uma adesão espontânea da população. O meu grande objetivo é saber que a população pode contar com homem que tem muita seriedade para conduzir a prefeitura.

Tem candidato que diz ser empresário que não tem empresa. E outros que dizem  entender de saúde sem ter formação acadêmica.

Falo com muita humildade, basta comparar meu currículo com o dos candidatos que aí concorrem. Esse é o grande diferencial.

O meu grande desafio é fazer a população saber que somos independentes, que não temos ligação com nenhum cacique político. Renunciamos ao fundo eleitoral e somos apoiados pelo presidente da República, ao vivo e em cores.

Nossa principal estratégia é nas mídias sociais e na presença física.

JC -A população manifesta um sentimento de decepção em relação à velha política. E também ao que se apregoa como novo. O sr. tem observado isso nas visitas às comunidades?

AM – Vou fazer uma abordagem técnica. Não sou político, estou entrando nessa classe para fazer uma boa política.

Uma coisa é certa:  essa velha classe tem cinco raposas felpudas. Querem fazer a população acreditar que o novo não resolveu o problema. Eles sabem manipular as pessoas.

O novo não resolveu os problemas porque se aliou a essas raposas felpudas, manipulam quem não tem o devido preparo.

Porque esse novo pegou uma carona no rabo do cometa chamado Jair Bolsonaro.

O velho também não é a nossa solução. O velho a gente já sabe -deixar a prefeitura com rombo de R$ 360 milhões, CPI da Saúde, CPI da Maus Caminhos, CPI da Lava Jato.

Se o novo não deu certo, o velho já se sabe qual será o resultado.

O que a população está buscando é  diferencial.

O momento é dos militares das Forças Armadas. O nosso presidente é a referência para tudo isso.

E se o Estado  do Amazonas é hoje o que é deve aos preparados militares que criaram a Zona Franca de Manaus. Como também desenvolveram toda a Amazônia.

Tem político que não tem formação. Eles viraram profissionais da política. Por isso, fazem promessas vãs.

E quem acaba pagando essa conta é a população. Vamos nos inspirar para trabalhar  num grande homem público que foi o  coronel Jorge Teixeira, excepcional prefeito, que construiu as grandes vias da nossa cidade.

E também inspirados na nova visão do nosso presidente, que é o que queremos fazer.

Somos bons administradores e queremos trazer esses valores para a política.

JC – O sr. espera ainda que tenha outra reação do próprio presidente Bolsonaro na sua campanha?

AM – Claro, obviamente. O presidente me liga diretamente, esse é o nosso diferencial. Os segmentos da população estão percebendo.

Os adversários tentam buscar esse apoio para mitigar a nossa campanha.

São sinalizações diretas e pontuais do presidente em nos apoiar. Mas preferimos não revelar tudo, por enquanto.

Tudo que a gente fala antecipadamente gera um fato político

Se chegarmos à prefeitura,  a velha política vai querer colocar um representante dele lá. Foi por causa disso que não coligamos com nenhum partido político, exatamente para termos liberdade

O presidente Bolsonaro vai nos ajudar muito. Qualquer político hoje quer uma sinalização dele nesse sentido.

JC – Jair Bolsonaro tem uma estratégia forte contra a corrupção. O sr. vai também incorporar essas medidas na prefeitura?

AM – Nós militares somos administradores, ordenadores de despesas.

O que queremos é fazer isso, uma administração desburocratizada,  integrada.

A prefeitura não tem ouvidoria. É preciso para se ter mais transparência. Como superintendente da Suframa, convidei a CGU, TCU, enfim, os órgãos de controle para serem parceiros de minha administração.

E assim irei fazer quando chegar à prefeitura.

JC – Na sua visão, quais são os principais problemas na zona rural ?

AM – Regularização fundiária. Manaus vai fazer 351 anos e 70% da cidade não tem regularização fundiária. É uma vergonha.

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