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O método científico é a forma através da qual os cientistas e pesquisadores produzem conhecimentos. Como todo método é composto de procedimentos e regras, a obediência a eles gera o que se chama de conhecimento científico. Quando essas regras e procedimentos são obedecidos, o produto é considerado válido e confiável. Por essa razão, todo conhecimento gerado é submetido à apreciação dos membros da comunidade científica para que seja avaliado, basicamente, em três aspectos: a) se representa um avanço sobre algum esquema teórico existente, b) se segue as regras e procedimentos da ciência e d) se os resultados são relevantes. Quando a avaliação é positiva, o conhecimento gerado é publicado e se incorpora ao estoque de conhecimentos científicos existentes. Como é o método que determina, em última análise, tanto a veracidade do avanço quanto a efetividade da contribuição para a ciência, é fundamental que se conheça como ele funciona.

De uma forma geral, o método começa com observações. Essas observações são de duas naturezas: empíricas e teóricas. As observações empíricas são aquelas em que utilizamos os sentidos, como olhar, ouvir, sentir, raciocinar e assim por diante. Certo dia minha filha de cinco anos de idade perguntou por que uma folha de caramboleira não afundava, diferentemente do que acontecia com uma pequena pedra. Outro dia um pescador amazônico, quando viu o mar pela primeira vez, ficou intrigado quando viu que as embarcações de pesca no mar são diferentes em formato e hidrodinâmica em relação às que são produzidas e utilizadas na Amazônia.

As observações teóricas surgem da análise dos esquemas teóricos existentes, uma vez que todo conhecimento científico é construído sobre esses esquemas. Como o estoque de conhecimentos que a ciência produziu até hoje é pequeno, há muitas lacunas entre eles que precisam ser preenchidas. Uma teoria nada mais é do que uma explicação sobre a realidade passível de ser demonstrada. Nada tem a ver, portanto, com a ideia que as pessoas fazem de que são abstrações, imaginações, ilusões. Um esquema teórico consistente, robusto, é capaz inclusive de prever o que é possível acontecer. Os cientistas conhecem diferentes esquemas científicos das coisas que pesquisam, apesar de haver muitos deles que confundem esquemas científicos de outros esquemas explicativos, como os filosóficos. Conhecimento científico se faz com conhecimento científico.

A segunda etapa do método é a elaboração de questões interessantes. Dizemos que uma questão é interessante quando a comunidade científica tem interesse sobre ela, não que seja bonita ou do agrado do pesquisador, como quase todo mundo imagina. E uma questão é a junção de duas coisas: uma pergunta e uma resposta provisória. Os cientistas fazem perguntas e em seguida inventam uma resposta possível para ela. Minha filhinha se colocou a seguinte questão: “Por que a folha não afunda e a pedra, sim?”. Em seguida, inventou uma possível explicação: “Acho que a folha não afunda porque ela é verde e a pedra é marrom”.

A terceira etapa é a formulação de hipóteses. De uma forma geral, toda hipótese é uma explicação provisória, como a que a minha filhinha inventou. No entanto, cientificamente, é uma relação de causa efeito. Por essa razão, nesta etapa os cientistas estão interessados em saber o que causa o quê. Por que razão a folha não afundava? O que a estava impedindo de afundar? Por que os povos considerados desenvolvidos têm renda elevada em relação aos povos de países pobres e miseráveis? Qual é a causa da folha não afundar? Qual é a causa do desenvolvimento?

A quarta etapa é o teste das hipóteses. Para isso, os cientistas criam situações em que possam aferir cada causa e cada efeito, verificar como cada causa age e como provoca ou não o efeito que imaginaram na formulação de suas hipóteses. Testar uma hipótese é submeter a relação de causa-efeito à prova. E uma forma interessante que eles encontraram para fazer isso é através de previsões. Por exemplo, se é o fato da folha ser verde que faz com que ela não afunde, diferentes folhas não afundarão, se todas elas forem verdes. Note que isso é uma previsão: se a folha for verde, ela não vai afundar, não importa o seu tamanho ou outra característica qualquer.

A quinta etapa é a coleta dos dados. Coletar os dados é encontrar uma forma de medir tanto a causa quanto o efeito. No nosso exemplo, poderíamos medir os diferentes tamanhos das folhas em testes e suas cores (causa), assim como o fato de afundar ou não (efeito). Poderíamos testar folhas verdes, amarelas, azuis, brancas, marrons e assim por diante e ver o quanto elas afundam ou não. Os cientistas fazem diversas e diferentes formas de coleta de dados para que tenham uma compreensão completa da relação de causa-efeito. Para isso eles refinam, alteram, expandem e rejeitam hipóteses.

A sexta etapa é a construção de um esquema explicativo. Na prática, essa etapa é a de construção de uma pequena teoria (não esquecer que teoria é apenas uma forma de explicação sobre alguma coisa). Essa teoria é baseada nos procedimentos e regras que utilizamos para demonstrar que é a cor verde da folha que faz com que ela não afunde, no caso de confirmação da hipótese. Se não conseguimos comprovar que é a cor verde que afunda a folha, dizemos que a hipótese foi refutada. Refutar significa que não conseguimos comprovar a relação de causa-efeito e, por extensão, aquela primeira explicação, feita na segunda etapa do método. Uma das regras dessa etapa é o caráter universal da resposta: o mesmo resultado precisa ser verificado em todo canto e lugar.

A sétima e última etapa do método é a comunicação dos resultados. Einstein revolucionou o mundo porque comunicou suas importantes descobertas. Levou ao conhecimento dos cientistas de sua área as questões que formulou, as relações de causa-efeito que confirmou e os procedimentos utilizados neste intuito. E é isso o que fazemos todos os dias, em um esforço global de aumentar o estoque e a qualidade dos conhecimentos sobre a nossa realidade, principalmente daqueles que podem ser manuseados e transformados em tecnologia.

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