18 de maio de 2021

O método científico – tecnológico

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O método científico-tecnológico (MC-T) é uma aposta para a produção de tecnologia de base científica. A base científica, além de ser sua grande limitação, é sua grande e principal característica. A razão disso é que os conhecimentos científicos funcionam como sua matéria-prima, insumos que são transformados em tecnologias, artefato material que materializa conhecimentos, através de um processo distinto de encapsulamento. Apesar de funcionam de forma razoável com conhecimentos de outras naturezas, é a partir da conjunção dos esforços científicos direcionados que o MC-T se torna mais potente. Essa conjunção é feita com intenção teleológica, o que presume que os conhecimentos a serem manuseados precisam apresentar determinadas configurações e escopo. Assim, não é qualquer tipo de conhecimento que pode servir de matéria-prima para ser transformada em tecnologia com o uso do MC-T. Como mostraremos, é necessário que a dimensão científica apresente respostas (conhecimentos) padronizadas para que a dimensão tecnológica possa ser operacionalizada.

O método científico-tecnológico apresenta duas dimensões interrelacionadas. A primeira é a dimensão científica, cujo desafio é disponibilizar os conhecimentos e proporcionar as habilidades que serão utilizadas na segunda dimensão, a tecnológica. Diz-se que a primeira dimensão é extrafísica porque trata com conhecimentos (cognitivos e operacionais), enquanto a segunda é física, porque lida com recursos físicos para o encapsulamento dos recursos extrafísicos. 

A intenção da materialidade, aliás, já pode ser percebida a partir do tipo de questão de pesquisa que o método exige. Enquanto as questões tipicamente científicas, que não têm como ponto central a operacionalização de suas descobertas, se preocupam apenas com a explicação da realidade, as questões exigidas pelo MC-T já têm direcionamento tecnológico. Por exemplo, questões do tipo “Quais são os elementos capazes de neutralizar a ação do Coronavírus em indivíduos jovens?” são tipicamente de ciência, enquanto questões no formato de “Quais são os elementos capazes compor um medicamento para a neutralização da ação do Coronavírus em indivíduos jovens?” marcam as de cunho científico-tecnológico.

As questões científicas têm como finalidade a produção de conhecimentos, explicações sobre a realidade. As questões científico-tecnológicas têm também a preocupação com a geração de explicações, mas vão além, buscando-se também responder questões operacionais. No nosso primeiro exemplo, o pesquisador estaria preocupado apenas em demonstrar que determinados elementos neutralizam a ação do vírus em pessoas abaixo de um limite de idade, enquanto o cientista, no segundo exemplo, também teria a mesma preocupação que seu colega pesquisador do primeiro exemplo, e mais o desafio de saber como produzir um medicamento com as descobertas que faria na primeira parte do estudo.

É por essa razão que o MC-T tem sempre duas preocupações centrais, antes de partir para a produção da tecnologia. A primeira é responder às questões relativas ao foco central da pesquisa, cuja finalidade é obter todos os conhecimentos possíveis sobre o fenômeno em estudo para que possa se colocar as segundas questões, que se concentram sobre a forma mais adequada de produzir a tecnologia desejada. Assim, a dimensão científica é desdobrada em a) questões sobre o objeto ou fenômeno do estudo e b) questões sobre a materialização ou veículo tecnológico. 

Regra geral, as questões sobre o objeto são cinco: conceituais, funcionais, estruturais, relacionais e ambientais. As questões conceituais buscam determinar o escopo do fenômeno ou objeto, as funcionais explicam como o objeto e suas partes funcionais, as estruturais descrevem as partes do objeto, as relacionais mostram como uma parte se relaciona com as outras e as ambientais apresentam as diferentes formas através das quais o ambiente impacta os componentes e o fenômeno sob estudo e é por ele afetado. Com base nisso o cientista poderá determinar a forma mais adequada de encapsulamento desses conhecimentos, que é feito a partir de respostas a perguntas similares.

As questões científicas apresentam, portanto, respostas sobre o fenômeno (o vírus e os elementos de sua neutralização, no nosso exemplo) e a forma mais adequada de utilizá-las (um medicamento). É com base nesses dois grandes conjuntos de respostas que o cientista operacionalizará a parte tecnológica do método. Começa com a prototipagem, com o intuito de reconstituir as respostas obtidas para as questões estruturais, funcionais e relacionais, mas sempre levando em consideração as respostas para as questões ambientais. 

O estágio seguinte é o teste do protótipo, para saber se os resultados alcançados estão de acordo com os benefícios previstos. Se não estiverem, alterações devem ser processadas naquelas partes do protótipo que foram reprovadas nos testes, para que novo reteste seja realizado. Os estágios de teste-ajuste é repetido tantas vezes quanto forem as reprovações do protótipo naqueles atributos específicos. Finalmente, o último estágio é a aprovação do protótipo, que o promove a produto final. Sem que o protótipo seja considerado aprovado em todos os atributos essenciais, não poderá ser considerado um produto, não tem como ser considerado uma tecnologia. Continuará como protótipo.

O método científico-tecnológico tem a intenção de preencher uma grande lacuna nos esforços de cientistas em busca de uma orientação geral na produção tecnológica. Não tem a intenção de se tornar imperativo, caminho necessário para a avaliação por pares, por exemplo, para que seja aceito. Visa apenas servir de norte, principalmente para os cientistas em formação e para aqueles que precisam de um caminho relativamente seguro para que seus esforços sejam consequentes com aquilo que intencionam materializar.

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