26 de fevereiro de 2021

O maior problema dos portos no Brasil: Chegar neles!

A história do desenvolvimento humano nas relações comerciais entre os povos, reside nos negócios realizados entre as nações, fundamentalmente pelas vias aquáticas. A humanidade adquiriu conhecimento entre os povos por meio das navegações,  desenvolveu comércio internacional em alto nível e, guerras também.

Se lembrarmos que mais de 70% do nosso planeta é água, e os nossos oceanos perfazem a maioria dessa proporção, infere-se que a navegação tem suma importância no cotidiano das nações.

Comparando o modal aéreo com o modal aquaviário, observa-se que o modal aéreo é muito rápido e seguro, mas tem um frete caríssimo e reduzida capacidade de transporte (A aeronave ucraniana, ANTONOV 225, o maior cargueiro do mundo, atualmente, transporta até 250 toneladas a longas distâncias). E o modal aéreo possui limitações no volume de carga,  peso e quantidade a ser transportada, sendo ideal para produtos de dimensões reduzidas, de determinada segurança, alto valor agregado e que necessitem de mínimo tempo de entrega. Por sua vez, o modal aquaviário, dispõe, atualmente, de navios que transportam 20.000 TEU (Twenty-foot Equivalent Unit ou Contêiner de 20 pés de comprimento, aproximadamente 6 metros, com peso bruto total de 25 toneladas).

Logo, esses navios podem transportar o equivalente a 500.000 toneladas! É claro que para se efetivar o transporte, alguém tem que embarcar e desembarcar os produtos contidos nos contêineres e os próprios contêineres. E essas atividades exigem portos adequados, eficazes e eficientes.

No Brasil, com um extenso litoral, se encontram vários locais adequados para a construção de portos e existem muitos portos marítimos no país, e parcela desses portos dispõe de equipamentos de ponta, elevada tecnologia e espaço suficiente para prover uma excelente rotatividade de cargas.

Claro que há uma enorme cadeia logística influente em todas as atividades portuárias, envolvendo os transportes, os horários, os documentos, o clima, o trânsito das cidades, as aduanas, o calado (espaço ocupado pela embarcação, dentro da água)dos navios e muito mais.

Bem, se for observada a situação mundial, descobre-se que existem diversas situações de navios aguardando oportunidade para descarregar seus produtos. E essa espera é muito cara, como quase tudo relativo ao transporte marítimo, como taxas, impostos, aluguéis, demurrages (multas pagas pelo atraso na devolução dos contêineres) e outras tantas despesas, (lembrando que na maioria dos casos, os contêineres são alugados, por diárias).

No Brasil, além da recorrente demora em embarcar e desembarcar produtos, seja devido à burocracia, ou excesso de cargas, ou quebra de equipamentos etc, existe, também o problema dos calados das embarcações em relação à profundidade dos portos.

Por vezes, existem portos fluviais com grandes profundidades, mas existem trechos dos rios com reduzida profundidade. Por outro lado, agora focalizando a nossa Manaus, imagine-se carregar um grande navio com 5.000 contêineres. Imagine 5.000 carretas transportando contêineres em Manaus, para fechar esta operação. Visualizou o trânsito e o engarrafamento? E sendo vários navios carregando em vários portos, sem contar as balsas, que possuem sua própria logística, mas não difere muito dos navios? E isso tudo, ainda contando com o tempo e a logística para descarregar os navios e balsas.

E sempre vão existir esses contratempos nos portos de Manaus ou do Brasil, como um todo. Ou falta profundidade, ou há engarrafamento de navios e de carretas. Ou seja, pouco importa um porto de tecnologia 10.0, com guindastes atômicos, se não se consegue chegar nele com facilidade, seja devido ao calado ou ao engarrafamento das carretas e dos navios. Eis, em uma visão bem resumida, o maior problema dos portos no Brasil: chegar neles !

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