O impacto da pandemia na educação e o retorno 100% presencial no Amazonas

Paralisada desde março de 2020, as aulas presenciais da rede estadual e municipal de ensino retornaram na última segunda-feira, dia 23. Assim como outros serviços, as escolas tiveram que mudar seu planejamento pedagógico para proteger seus alunos, professores e colaboradores da proliferação do coronavírus, que vinha avançando cada vez mais no Amazonas.

Para dar continuidade ao projeto de ensino, as aulas começaram a ser disponibilizadas virtualmente, sendo pela internet ou pela televisão. Com iniciativa do Governo do Estado, o programa ‘’Aula Em Casa’’ ofereceu aos alunos da rede pública, o serviço de educação através de aulas transmitidas por um canal na TV aberta e um canal na plataforma YouTube, com horários específicos para cada ano escolar. O programa também oferecia contato com os professores de cada turma, através de grupos de mensagens, vídeo-chamada e testes online.

Pensando pelo lado positivo, essa iniciativa ajudou consideravelmente as pessoas que possuem o mínimo de acesso aos meios de comunicação, mas sabemos que essa não é a realidade de grande parte da população do estado. De acordo com dados da UNICEF e Cenpec Educação, cerca de 300 mil estudantes amazonenses não tiveram acesso ao sistema de ensino durante a pandemia. 

Mesmo na capital, é difícil afirmar que todos possuem acesso aos meios de transmissão, pois cada criança e adolescente vive uma realidade particular, onde o ambiente residencial nem sempre possui recursos básicos, como a internet, uma televisão ou até mesmo um lugar silencioso para que o aluno consiga compreender o assunto que está sendo ministrado pelo professor.

Agora vamos pensar na dimensão geográfica do nosso estado, mais especificamente nas milhares de famílias ribeirinhas que vivem isoladas pelo rio Amazonas. Em muitas comunidades, não há escolas que possuem o mínimo de recursos tecnológicos necessários para receber as aulas gravadas, e com a pandemia, os meios de locomoção também foram suspensos, dificultando cada vez mais o acesso à informação. 

Com esses exemplos, podemos constatar que apesar do país tentar se modernizar diante das circunstâncias, a exclusão escolar ainda é um problema que foi acentuado devido à pandemia, principalmente na região norte. O representante do UNICEF no Brasil, Florence Bauer destaca os impactos da pandemia na educação dos brasileiros. ‘’Os números são alarmantes e trazem um alerta urgente. O País corre o risco de regredir mais de duas décadas no acesso de meninas e meninos à educação. É urgente reabrir as escolas em segurança e tomar todas as medidas necessárias para garantir o direito de aprender’’, esclarece Bauer. 

A partir do momento em que os professores começaram a ser vacinados seguindo o cronograma estabelecido pelos órgãos responsáveis, cogitou-se o retorno das aulas presenciais, seguindo todos os protocolos de segurança. Mas foi apenas na última segunda-feira, dia 23, que os estudantes da rede pública foram autorizados a retornar com as aulas 100% presenciais. Ao todo, cerca de 230.000 alunos da rede estadual voltaram a freqüentar as instituições, enquanto a rede municipal, cerca de 196.471 estudantes. Algumas escolas da prefeitura continuam com o sistema híbrido, pois não há suporte mínimo e necessário para receber os alunos sem todas as medidas de segurança cumpridas.

O avanço da imunização do estado, incluindo a vacinação de menores de idade (12 a 17 anos) é a principal esperança para o retorno do ‘’novo normal’’. Temos consciência de que nada será como antes, foram muitas vidas perdidas, cuidados básicos foram adicionados a nossa rotina, então precisamos tentar voltar à normalidade partindo de algum lugar. 

Com mais de 100 mil adolescentes vacinados na capital, esperamos que a vacina também chegue aos estudantes que residem no interior do estado. Com medidas de proteção sendo cumpridas e vacina no braço, poderemos garantir que todos tenham acesso à educação de forma igualitária, baixando consideravelmente o número da exclusão escolar. 

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