O grande realizador Eliseu Resende

Muitos julgam que a memória histórica, ao longo do tempo, registrará apenas aqueles que chegam aos cargos executivos mais altos, como de presidente da República, governador ou prefeito. Mas a vida pública é, ontem como hoje, construída com grandes exemplos e grandes lições de homens notáveis, que foram longe, mas que o destino não permitiu chegar aos mais altos cargos da carreira no Executivo.

Um desses brasileiros, notável mineiro, foi Eliseu Resende, engenheiro e professor da UFMG, que marcou presença no comando do DNER, no governo Costa e Silva, depois foi ministro dos Transportes, com João Figueiredo, e da Fazenda, de Itamar Franco. Foi ainda presidente da Eletrobrás e de Furnas. Deputado federal e senador, tendo falecido no exercício deste mandato majoritário.

Eliseu formou com Mário Andreazza uma dobradinha na esfera dos transportes que mudou o mapa rodoviário do Brasil, na execução das mais importantes ligações, abrindo estradas ou pavimentando, como o caso da Belém-Brasília.

Esteve perto do cume Executivo por duas vezes. Na esfera estadual, em 1982, quando perdeu a eleição de governador, por pequena margem, para Tancredo Neves e no governo Itamar Franco, quando criou o esboço do Plano Real e seria naturalmente o candidato na sucessão presidencial. Foi atropelado pelo destino, numa maldosa manobra de inspiração esquerdista, totalmente sem fundamento, mas competentemente orquestrada. Foi em frente, elegeu-se deputado federal e depois senador, granjeando respeito e admiração entre seus pares.

Carecemos desse tipo de dublê de gestor eficiente e político competente, com grandes exemplos no passado, especialmente em Minas, que teve em Magalhães Pinto, notável governador, político relevante, que começou na presidência da Associação Comercial de Minas e na fundação do primeiro banco moderno do Brasil, que foi o Nacional de Minas Gerais.

A eleição de Romeu Zema, em Minas, recupera essa tradição e nos reporta a outros nomes que circularam na vida pública como na empresarial, com serviços prestados ao Estado e à causa democrática, como Newton Velloso, Gilberto Faria, Aquiles Diniz, Bonifácio Andrada, Manuel Ferreira Guimarães, Américo Giannetti da Fonseca, Odelmo Leão (FAEMG), Rui Lage, Lael Varella e José Alencar, para ficar em alguns nomes.

Eliseu será sempre lembrado. E, quando de sua morte, quem definiu bem o momento de luto foi o então senador Aécio Neves, com as seguintes palavras: “Perdemos em inteligência. Preparo. Experiência. Bom senso.”

*Aristóteles Drummond é jornalista e presidente da Associação Comercial do Estado do Rio de Janeiro

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