O exemplo de Nelson Mandela para a eternidade

Bem próximo ao Natal, desaparece a pessoa que mais encarnou, no século passado e no presente, o valor humanista que dá sentido à espécie. Não por acaso. Sua biografia tem a ver com o menino Jesus. É um dos maiores legados para a evolução da humanidade. Inscreve-se, por isso mesmo, no reduzido acervo de exemplos de vida a fertilizar o solo da sociedade e garantir a perspectiva do desenvolvimento humano. Traz energia a endossar a fé de que nem tudo está perdido. Transforma sacrifícios, privações e sofrimentos em ternas substâncias existenciais a darem significado à vida.
Nelson Mandela deixa-nos, no mundo de hoje, conscientes do que representa liderança autêntica, corajosa e ousada, atuando em completo desprendimento pessoal, perseguindo o sonho de transformar os seres humanos do planeta, aproximando-os para fraternizá-los no vínculo afetivo, com igualdade plena a ser construída sem retorno. Ao transbordar o leito das conquistas nacionais, expandindo-as para a grandeza das verdades universais, integra a nobre galeria dos arquitetos da sociedade humana. Está ao lado de Cristo, Francisco de Assis, Gandhi e Luther King, referências que salvam a humanidade do mergulho, sem retorno, nas profundezas da injustiça social.
São pessoas que se sucederam no tempo, mantendo acesa a luz no fim do obscuro túnel da evolução humana. O serviço por ele prestado à sociedade em que nasceu, cresceu e transformou extrapola a escala dos valores econômicos que cegam a mente humana, impedindo-a de vislumbrar o modelo social que a permanência da espécie no planeta está a exigir. Mandela reforça tão sagrada equipe pelo mérito de sua personalidade rica em singeleza, discrição, humildade e alegria, que resistiram a 27 anos de prisão inominável. Ao sair da masmorra, liberou as virtudes acumuladas para ensejar a libertação de sua gente.
O conceito de eternidade envolve múltiplas visões. Muitas religiosas, outras filosóficas e algumas poéticas. O filósofo francês Sponville não atrela eternidade à duração temporal do ser. Alega que passado não existe, já passou. Futuro, tampouco. Logo, só existe o presente. Se vivido de forma ininterrupta, é a eternidade. Na mesma linha, cantava Vinícius de Moraes sobre o amor: “Que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure”. Mandela nunca interrompeu o amor à causa humanista. Viveu-a enquanto durou. Sem cessar. Eternamente.

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