O equilíbrio desejado à sociedade justa

A nova década iniciou-se de modo singular. Os ventos de mudança pela implementação de uma cultura organizacional mais inclusiva e geradora de impactos sociais positivos veem-se reforçados pelas manifestações do movimento Black Lives Matter (em português, “vidas negras importam”), ao qual juntaram-se vozes de expressão dos mais diversos segmentos da sociedade. O movimento, rapidamente espalhado em nível global, clama por efetiva igualdade de tratamento aos negros e reconhecimento das agruras ainda sofridas por uma comunidade que lamentavelmente carrega o peso de uma odiosa herança escravocrata.

Somam forças ao movimento antirracista outros fortes movimentos de minorias, como a defesa dos direitos das mulheres. Reivindica-se a igualdade de oportunidades, possibilitada através do oferecimento de instrumentos que permitam a competição em igualdade de condições entre pessoas humanas. Em busca dessa igualdade de fato, e não apenas de direito, as organizações podem exercer importante papel e, certamente, não escaparão da expectativa de que adotem uma postura ativa na transformação da sociedade nesta nova década.

A pandemia tem mostrado que as minorias são as que mais sofrem com seus efeitos negativos, a exemplo das mulheres e dos negros. As mulheres têm sido mais penalizadas em suas carreiras, pois, além de terem sido suspensas as atividades em setores majoritariamente ocupados por mulheres, como estética, com o fechamento de escolas e creches, elas foram as primeiras a abrir mão de seus trabalhos para cuidar dos filhos; segundo a Pnad Contínua, no primeiro trimestre de 2020 a demissão de mulheres foi 25% maior que a de homens.

Ademais, não apenas a situação econômica de mulheres piorou, mas também sua integridade física e psicológica, já que elas têm sido vítimas de um aumento significativo da violência doméstica praticada por parceiros abusivos em tempos de isolamento.

Os negros, por sua vez, também sofrem mais com desemprego e perda de renda, especialmente porque é uma população que depende de trabalhos informais, os primeiros a serem prejudicados em épocas de crise.

Se é o mercado quem dita as regras do jogo, as empresas são chamadas a, de forma auto regulatória e independentemente de determinação estatal, comprometerem-se e contribuírem com a geração de efetivos impactos positivos na comunidade. Para tanto, o movimento Black Lives Matter precisará sair das ruas e chegar ao topo das organizações, ao centro de decisões.

Quando negros, mulheres e outras minorias ocuparem espaços de poder, quando integrarem em proporção equilibrada as diretorias executivas das empresas, então teremos uma sociedade verdadeiramente mais justa, igualitária e tolerante às diferenças.

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