O ensino da Sociologia (Parte 1)

O ensino de Sociologia, no Brasil, enquanto disciplina escolar inicia-se no final do século XIX no contexto do nascimento da República e difusão dos seus ideais positivistas, que influíram também no âmbito da educação e da educação escolar. Lembremos que no final do Segundo Reinado, em 1882, a primeira sugestão da Sociologia como disciplina escolar, ocorreu pela proposição de projetos de lei que incluíam a disciplina no ensino secundário, da autoria do então deputado Ruy Barbosa de Oliveira (1849* 1923†).
O ideário positivista dos governantes da época era o seguinte: pensava-se que a Sociologia, sendo ela na época uma ciência positiva, teria fundamental papel no processo de transição para uma sociedade moderna, uma sociedade republicana direcionada para o progresso…, mas os projetos educacionais elaborados pelo famoso “Águia de Haia” não foram submetidos à votação no parlamento, de modo que a implementação da sociologia na educação escolar não tivesse prosseguimento.
A possibilidade legal da Sociologia como disciplina inicia-se, mais efetivamente, em 1890, durante o governo provisório do Marechal Deodoro da Fonseca, quando Benjamin Constant Botelho de Magalhães (1833* 1891†) ocupou a pasta de Ministro da Instrução Pública, Correios e Telégrafo…, o ideário dessa política educacional era romper com o caráter propedêutico do ensino, conferindo-lhe um caráter mais formativo e substituir um currículo predominantemente clássico-literário por um mais científico.
O ensino secundário, segundo a política educacional do governo provisório, deveria ser livre, laico e científico, implicando o ingresso da Sociologia como disciplina obrigatória no último ano de formação com o objetivo de que os discentes desenvolvessem um comportamento racional e científico, tão necessário à consolidação da organização social republicana…, mas isso não chegou a ocorrer plenamente devido à morte de seu autor e, também, criador da doutrina do “Soldado-Cidadão”.
Em 1901, já com um presidente civil no poder, a reforma proposta por Epitácio Lindolfo da Silva Pessoa (1865* 1942†) alterou a política educacional que outrora procurava “acalmar” a geração dos “jovens turcos” brasileiros, retirando a obrigatoriedade da Sociologia das escolas. Só a partir de 1920, o ensino das ciências sociais passa a ser incentivado pelas elites com o intuito de formar lideranças e criar soluções racionais e pacíficas para resolver os problemas sociais brasileiros, prevenindo-se assim as “convulsões sociais”.
Em 1925, a Sociologia volta a figurar como disciplina do ensino secundário, quando uma nova reforma educacional, reforma J. L. Alves-Rocha Vaz, trazia novamente a preocupação com o caráter formativo dos adolescentes. O ensino secundário adotava um caráter mais geral e científico ao abolir a divisão do curso em ciclos, e a Sociologia tornou-se, então, disciplina obrigatória do 6° ano juntamente com História da Filosofia, Literatura Brasileira e Literatura das Línguas Latinas.
Em 1931, a reforma proposta por Francisco Luís da Silva Campos (1891* 1968†) concretizou os debates iniciados na década de 1920, ratificava a Sociologia como disciplina obrigatória do ensino secundário, presente no último ano da formação complementar, sendo a referida disciplina vista, à época, como necessária para a formação básica e continuidade dos estudos dos educandos, tendo em vista que o conteúdo da disciplina era exigido nos exames de admissão para o ensino superior.
Os cientistas sociais vinculados a Escola Nova, “buscaram na Sociologia os fundamentos científicos para a elaboração de reformas e programas de política educacional”, pois acreditavam ser necessária uma modernização do ensino secundário, portando um discurso liberal e vanguardista que defendia uma finalidade educativa que realmente formasse o educando com a introdução de um currículo mais científico.

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