O enigma de Tedros Ghebreyesus

O modo de produção capitalista tem regras claras. E elas são combinadas por um contrato social formalizado previamente, envolvendo o capital dos investidores e a força de trabalho dos colaboradores, intermediado pelo poder público, que é, dos envolvidos, aquele que é melhor aquinhoado. Excetuando a vida comunitária dos primeiros cristãos, não há melhor modelagem de produção, emprego e renda, nem mais ajustado e amparado por um estatuto jurídico tão alentado. Portanto, não há porque criar expectativas, muito menos cobrança em cima da lógica capitalista, nesse arranjo tão assegurado juridicamente como nenhum outro em vinte e cinco séculos de civilização. Por tudo isso, não faz sentido criminalizar o alerta dos representantes da ordem capitalista, como ocorreu nesta segunda-feira na manifestação de alguns empreendedores que decidiram alertar os riscos humanos e sociais da depressão econômica e emocional que começa a se instalar.

A verdade não é privilégio de ninguém 

Inexiste consenso científico com relação aos diversos modelos de gestão da epidemia do novo coronavírus, a Covid-19. Tudo foi absolutamente surpreendente e chocante. Humanamente impossível de alguém ou instituição pública ou não-governamental se organizar com a efetividade necessária. Por isso, não faz sentido chamar a polícia para brecar a “carreata dos empresários”, um movimento espontâneo nascido do desespero de quem antevê calamidade pública, e tem coragem de se posicionar. O isolamento indiscriminado pode significar uma precipitação administrativa na gestão da crise. Tudo está padecendo de embasamento e concordância científica. Países como a Itália e a Espanha buscaram a alternativa do isolamento horizontal e se debatem com picos de explosão de pessoas contaminadas, batendo recordes de indivíduos alcançados pelo vírus e número dramático de óbitos. Misturar em casa pessoas sadias com as contaminadas sem sintomas ajuda ou compromete a prevenção? As pesquisas exigem tempo e observação competente e coerente para comprovação, na suposição adolescente e mítica da neutralidade científica,

A quem compete pagar a conta?

Sobram perguntas, faltam confirmações e respostas consistentes. Os proponentes do isolamento radical na China reconheceram –  em estudos publicados em universidades europeias, resenhadas  por pesquisadores da UFAM –  que algumas variáveis não foram controladas satisfatoriamente, como temperatura, tipos de prevenção, habitação… entre outros fatores. A “carreata dos empresários”, como dizia a manchete policial de uma emissora de TV, com certeza se relacionava a um grupo de comerciantes que começam a quebrar após duas semanas de suas portas compulsoriamente fechadas. E se o comércio não vende, a indústria não produz e o poder público não recebe seu quinhão tributário. Não precisa ser profeta para antever a violência dos saques, do desemprego, fome e muitos mais óbitos do que as estatísticas atribuem ao vírus.

A pergunta de todos nós

Tedros Ghebreyesus é diretor-geral da Organização Mundial da Saúde. Ele nem imagina que seus comentários sobre isolamento iriam servir de munição para essa guerra eleitoreira que está prejudicando gravemente o Brasil. Ele apenas fez um balanço da pandemia da Covid-19, e teceu algumas ponderações sobre o apoio aos trabalhadores confinados e ressaltou que, mesmo com as medidas de isolamento, os governos precisam garantir o bem-estar das pessoas que perderam sua renda e precisam ainda de comida, saneamento e outros serviços essenciais. "Não estamos apenas analisando o impacto econômico da Covid-19 em um país ou a perda de PIB. Temos que ver também o que isso significa para o indivíduo. Eu venho de uma família pobre. Eu sei o que significa se preocupar com o seu pão diário", disse o diretor-geral da OMS. "Cada indivíduo importa. Como cada um é afetado por nossas ações deve ser considerado. E isso diz respeito a todos os países. Até o país mais rico tem pessoas que precisam trabalhar para o seu pão diário. (…) Se estamos limitando a circulação, o que vai acontecer com essas pessoas? Todo e qualquer país, com base em sua situação, deve responder a essa pergunta". Trata-se, pois, do enigma de Tedros Ghebreyesus, que também é o de todos nós.

“Se eu tivesse uma lâmpada”

O presidente do CIEAM, Wilson Périco, usou sua conta no Instagram para prestar contas do trabalho da Indústria em tempos de Covid-19. E finalizou seus 7 minutos de recados para fazer três pedidos, caso tivesse uma lâmpada com um generoso Gênio em casa. O primeiro foi que as medidas de apoio do governo aos graves estragos do novo coronavírus que a alcançassem a maior celeridade possível. Somente a forte injeção de recursos na economia poderá evitar o caos, a fome, o desemprego e a fome. Segundo, que as universidades e institutos de pesquisa criassem bem rapidamente as soluções de inovação tecnológica para salvar vidas e minorar o sofrimento dos atingidos. E, finalmente, em nome da vida, que todos os que puderem… FIQUEM EM CASA. Depois da veiculação da mensagem, Périco foi informado pelo presidente Antônio Silva do protótipo de um ventilador mecânico, na parceria Senai, Samel e Instituto Transire, que vai amenizar sofrimentos e ajudar a salvar vidas neste Amazonas sem fim.

*Esta Coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras, de responsabilidade do CIEAM. Editor responsável: Alfredo MR Lopes. [email protected]

Fonte: Cieam

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