7 de maio de 2021
Alfredo Lopes

A Amazônia tem cumprido um papel vital na reciclagem do lixo atmosférico, transformando carbono em oxigênio enquanto adensa a cobertura vegetal.

Estima-se que a floresta amazônica consome boa parte das 5,5 bilhões de toneladas de gás carbônico jogadas na atmosfera, sobretudo pelo mundo desenvolvido. Tal inferência tem servido para embasar os argumentos do discurso preservacionista que defende a intocabilidade da floresta para essa finalidade. Ora, através de criterioso manejo florestal, está provado que iremos ampliar essa função de reciclagem, pois, ao renovar a floresta, sobretudo retirando as árvores adultas, responsáveis por uma taxa significativa de emissão de gás carbônico, estaremos, pelo simples processo de renovação, da fotossíntese contribuindo com a saúde de nossa atmosfera e enriquecendo de forma sustentável a própria floresta. 

As alternativas de ocupação humana na Amazônia oferecem algumas vantagens. Enquanto a atividade manufatureira atinge um declínio crescente em função do avanço tecnológico provocando o desemprego estrutural, o modelo de exploração econômica e racional dos recursos naturais em nossa região supõe a ocupação massiva de mão-de-obra. A silvicultura é um exemplo. Carecemos de tecnologia para seleção e aprimoramento das sementes, o que supõe laboratórios e poucos recursos humanos. Entretanto, passada essa fase, o cultivo, a colheita e o beneficiamento dos produtos florestais implicam a ocupação de grande número de pessoas.

O mesmo se aplica à farmacologia e à biotecnologia na produção racional de medicamentos e alimentos, ao turismo ecológico e demais serviços decorrentes dessas atividades Ao longo de 500 anos que marcam a presença da cultura européia em nossa região, aprendemos algumas lições. Hoje sabemos o que não ‘funciona na Amazônia, como sabemos o que não queremos para a Amazônia.

A implantação de modelos econômicos, sobretudo agrícolas, na floresta, sem estudos prévios de sua vocação, é um convite ao desastre. Refiro-me à necessidade imperativa de um estudo abrangente, criterioso e competente para implantação do zoneamento econômico e ecológico de todo o ecossistema amazônico. Há que se promover a sistematização do conhecimento já consolidado e a ampliação dos inventários podemos mais tolerar opiniões travestidas de pseudociência, muito menos acusações e ameaças de quem nunca viveu a experiência amazônica. Esta reflexão resulta de algumas convicções pessoais. A primeira delas diz respeito às dificuldades reais que o desafio de desenvolver a Amazônia implica. Se assim não fosse já estaríamos num patamar mais elevado de prosperidade. Tais dificuldades repousam fundamentalmente nas adversidades climáticas e no desconhecimento das leis da floresta. Além disso, não deve ser por acaso que a humanidade tem polemizado tanto sobre esta região e por ela demonstrado tanto interesse. É preciso tirar lições das experiências históricas que resultaram das tentativas de explorar a Amazônia.
Uma delas nos ensina que nessa faixa gigantesca dos trópicos úmidos o ritmo de atividades e conquistas tem sido e será sempre diferente. Entre a ansiedade e a perseverança temos constatado que, para nos apropriarmos racionalmente dos recursos naturais, precisamos ter a calma dos sábios e a paciência do homem que aqui habita.  

É preciso, ao falar de Amazônia, conotar com clareza a afirmação e explicitar a que Amazônia tal discurso se refere, pois muitos são os ecossistemas e as culturas da floresta, do mesmo modo como são múltiplas suas possibilidades e desafios.  Neste depoimento pretendo desvendar os impasses e as alternativas contidas neste universo, apresentando opções objetivas e promissoras para aquilo de que atualmente a humanidade precisa.

(*) biografia de Gilberto
http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionarios/verbete-biografico/gilberto-mestrinho-de-medeiros-raposo
O Eldorado é verde!
Por Gilberto Mestrinho. Trecho do I capítulo da obra: Amazônia Terra Verde Sonho da Humanidade. Editora Três – 1994.

Foto/Destaque: Divulgação

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