27 de maio de 2022

O efeito bruma e a criminalização da mineração

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Já existem tecnologias para se desenvolver a mineração a seco

Em recente evento organizado por membros da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC, realizado no auditório do INPA, em Manaus, quase tive a sensação de que os mineradores e garimpeiros do país estão sendo responsáveis pela onda de crimes ambientais que acontecem no dia a dia no Brasil e no mundo.

A maioria dos palestrantes foram enfáticos em criminalizar a Mineração e o Garimpo, sempre exemplificando os casos do mau uso de mercúrio nos garimpos ou dos rompimentos ocorridos com as barragens de Brumadinho e Mariana, em Minas Gerais. Aliás, esses problemas já produziram um jargão conhecido como o “efeito Bruma”, que remete ao pensamento de que toda e qualquer barragem a montante ou a jusante pode romper e causar mortes. Não faltam intelectuais nas academias e nas mídias sociais com essa pregação do caos, com esse pensamento devastador e igualmente tendencioso.

É claro que em ambos os casos, as empresas mineradoras envolvidas, ou seus gestores, tiveram uma nada honrosa atitude profissional, que geraram essa avalanche de críticas, que estão exageradamente levando a população menos esclarecida a também proferir jargões de pseuda defesa ambiental, em detrimento da economia e do crescimento do Brasil. A constante repetição de informações deturpadas, que se vê nesses ambientes acadêmicos, utilizando-se do mau exemplo do desastres do “efeito Bruma”, é no mínimo insensato, para não dizer irresponsável. Não se pode conceber que antropólogos, sociólogos e outros formadores de opinião continuem a promover ideias torpes a seus alunos nas Universidades em cursos de graduação ou pós-graduação, ou mesmo nas interações com as comunidades ribeirinhas, indígenas ou metropolitanas, envolvidas num manto de pesquisa científica, intocável e inquestionável. Agindo assim, esses formadores serão tão irresponsáveis quanto foram os técnicos que estão sendo apontados pelos erros do rompimento das barragens mencionadas. 

Como se sabe, já existem tecnologias e processos para se desenvolver a mineração a seco, com adaptação de projetos sustentáveis, desconhecidos por muitos ambientalistas que muitas vezes produzem suas obras em grandes e confortáveis metrópoles ou em bares e cabarés de guetos sujos.

Um fator muito importante é preciso incutir também aos nossos estudantes e pesquisadores: os produtos da Mineração e do próprio garimpo, como o alumínio, o cobre, a silvinita, o calcário, o siltito, o granito, o tungstênio, o vanádio, o ouro, o petróleo, o gás, que são abundantes na Amazônia, geram riquezas, criam empregos, elevam a arrecadação de tributos para sustentar a máquina pública e os programas sociais, as pesquisas, enfim a melhor qualidade de vida dos habitantes do planeta. Os produtos da Mineração estão nos diversos utensílios domésticos, nos equipamentos de comunicação, nos modernos smartphones, nos automóveis, nos prédios da construção civil, nos notebooks e computadores, nos inúmeros equipamentos das bicicletas, motocicletas, das lanchas, dos navios, dos aviões, dos satélites, e até dos inúmeros robôs e foguetes que fazem viagens interplanetárias. Em todos esses equipamentos, o trabalho árduo e duro de mineradores e garimpeiros estão contextualizados.

Aliás, é até cômico, para não dizer que é trágico, se constatar um ambientalista proferindo aleivosias contra garimpeiros e mineradores, sem abrir mão usar de relógios, celulares, retroprojetores, nas poltronas confortáveis das academias e no final de suas explanações sair em automóveis confortáveis rumo ao seu lar, onde certamente encontrará inúmeros outros subprodutos que foram extraídos das pequenas ou grandes Minas do Brasil, do continente americano e do mundo afora. Uma boa reflexão para esses intelectuais até que fariam bem, assim como os minérios e o bom senso também o fazem, e é claro, quando bem pensado e bem produzido. Mineração com Sustentabilidade é o binômio que certamente unirá os elos do desenvolvimento da Amazônia.

*Cristóvam Luiz é professor, microempresário de mineração e escritor

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