25 de fevereiro de 2021

Na vida social muitas vezes se distorce os fatos para “gerar” uma versão de realidade, de opiniões sobre a realidade e de propostas que pareçam – mas não são – razoáveis… Neste período de pandemia, esse fenômeno cresceu em proporção geométrica, na forma de fake news cada vez mais “elaboradas” e “perspicazes, bem como depoimentos de pseudo especialistas, que se arvoram em “donos da verdade”.

Desde o início da pandemia houve quem desprezasse seus riscos e a comparasse com doenças que causaram estragos muito menores do que a Covid 19. Essas pessoas, algumas de grande destaque, contribuíram para uma postura despreocupada de uma parte da população, que se deixou contaminar com facilidade e  contribuiu para a contaminação de muitas outras pessoas… Tanto sofrimento poderia ter sido evitado se esse desleixo não tivesse sido tão grande. A atitude de desprezar o uso de máscaras, o distanciamento social e o perigo das aglomerações foram certamente responsáveis por muitas internações e mortes que poderiam ter sido evitadas.

Penso que o  dilema entre saúde e economia é uma “balela”. Ora, não existe uma economia pujante se uma epidemia se dissemina na sociedade onde as pessoas movem a própria economia. Uma visão escravocrata disfarçada de que existe mão de obra descartável “de sobra”, em que doentes e mortos podem ser facilmente substituídos, transpareceu diversas vezes nas vozes de algumas autoridades e lideranças! Mas é verdade que  ninguém está imune a contrair o coronavírus e não se sabe de antemão se a doença será grave ou não… Nesse sentido é preciso resgatar um sentido humanizador da economia, em que pessoas são pessoas e não objetos de descarte, independentemente de sua posição social ou econômica. Devem todas ser protegidas da doença, sejam ricas ou pobres, ou “remediadas”. Uma economia de “descarte” dos seres humanos é algo deplorável, que precisamos evitar.

Em Manaus, as falhas de prevenção – associadas provavelmente à mutação do vírus para uma forma mais contagiosa- prosperou em festas e barzinhos lotados de jovens despreocupados com a própria vida e a dos outros. Também as festas familiares, especialmente no fim de ano, acabaram por prejudicar muitas pessoas cujas vidas deveriam ter sido protegidas, inclusive pelos próprios parentes. Esses e outros descuidos, como o não uso constante de máscaras em locais públicos , derivaram no “tsunami” de contágio que desde o final de dezembro provocou a maior calamidade da história de Manaus. Em pouco mais de 1 mês faleceram mais pessoas do que em 9 meses anteriores somados!

É claro que as medidas restritivas – nem sempre respeitadas por todos- foram e são necessárias. As exceções devem ser muito bem definidas até que se tenha a maior parte da população com mais de 40 anos de idade vacinada, o que deve demorar alguns meses. É provável que os shoppings centers e outros centros comerciais, desde que muito bem organizados nas medidas preventivas, não sejam tão perigosos quanto bares e restaurantes funcionando com as pessoas próximas e sistematicamente sem máscaras, porque não se come e não se bebe sem retirá-las do rosto. Neste caso, será preciso um cuidado muito maior, principalmente quanto ao uso de bebidas etílicas, pois sabe-se que o álcool nos provoca uma falsa sensação de segurança e entusiasmo e nos desmotiva a tomar os cuidados indispensáveis de higienização e distanciamento.

Essas e outras situações precisam ser minuciosamente discutidas entre empresários, trabalhadores, autoridades públicas e especialistas da área de saúde, mediadas pelo bom senso e critério de justiça. A economia precisa ser protegida, a vida humana também. A sobrevivência das empresas representa a sobrevivência de seus proprietários, mas principalmente de seus funcionários e seus familiares, portanto é muito importante, até porque atividade econômica gera impostos que financiam as políticas públicas, inclusive a de saúde. 

O bom senso exige medidas criteriosas de proteção, como também de flexibilização, à medida em que não apenas o contágio diminua como também os hospitais saiam da crise de superlotação, que infelizmente ainda não terminou.

Debate civilizado que exige respeito e compreensão de todos. Cabe ao Poder Público mediá-lo para definir um “modus operandis” em que vida humana e atividade econômica façam parte de uma mesma equação de fraternidade e bom senso. 

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