O delicioso ofício de ensinar a dançar

Dicas de Leitura

Sabemos que a dança surgiu praticamente junto com a humanidade, tendo, no princípio, um aspecto mágico, quase irracional, e constituindo-se como uma forma de contato com o sobrenatural. Evoluiu, posteriormente para rituais religiosos, que ainda mantinham o aspecto mágico. Por fim, na Grécia antiga, deixou de ser somente utilizada com fins religiosos, sendo incorporada também às tragédias gregas. É uma das três principais artes cênicas da antiguidade, ao lado do teatro e da música. Caracteriza-se pelo uso do corpo seguindo movimentos previamente estabelecidos, ou improvisados.
Ainda pode existir como manifestação artística ou como forma de divertimento e/ou cerimônia. Como arte, a dança se expressa através dos signos de movimento, com ou sem ligação musical, para um determinado público, que ao longo do tempo foi se desvinculando das particularidades do teatro. Atualmente, se manifesta nas ruas, em eventos, nas academias de ginástica, e também em livros.
A editora Valer lançou recentemente o livro “O Delicioso Ofício de Ensinar a Dançar”, de autoria da professora Lia Sampaio, onde é descrito o prazer que a autora sente no “ofício” de ensinar. Não é fruto de pesquisa, é uma obra didática onde a autora divide com o leitor o prazer pela música, dança e coreografia, e ainda algumas ilustrações.
O livro é, praticamente, o relato de uma mulher simples que teve como primeira paixão e expressão artística a música, vindo logo a descobrir a dança, que fazia parte do seu dia a dia entre grandes músicos eruditos e contemporâneos. “Observava tudo. E todos. Numa evolução natural procurava explorar todas as formas de expressão, codificando todo o processo que se seguia, vendo uma dança por meio de formas privilegiadas de movimentos e procurando numa nova maneira de mover-se, uma nova maneira de ensinar a dançar”.
Lia Sampaio foi dançarina, solista, professora, filha e irmã, mãe e mulher, companheira e amiga. E pôde, no começo dessa trajetória, tirar dessas vivências, subsídios que muito favoreceram suas descobertas. Hoje, continua ensinando, aproveitando ainda mais a essência da arte de viver, para enriquecer a arte da dança. Classifica-se como uma mulher simples que vive intensamente o ofício de ser educadora. Com a alma cheia de alegria ao deixar nos seus escritos um pouco do seu jeito de ensinar a dançar.
É uma artista que diz sentir seu corpo presente e existente, tendo Deus no coração. E estar em todo lugar através dos seus escritos que são o seu sentir e o seu ser. “Não sei escrever o que sinto agora, mas sei que você entenderá”, assegurou.
A obra é despretensiosa e a autora diz não desejar que as pessoas pensem que é uma grande escritora ou uma grande artista. Quer ser vista como uma grande mulher, professora que espera se aperfeiçoar. “Sinto que ainda posso aprender e gosto disso. Aprender a cada dia. Meu caminho começa agora e a minha alegria é saber que você está proseando comigo nesse momento. E me tem inteira, verdadeira em toda a minha expressão”. Maria do Céu Sampaio (Lia Sampaio), graduada pela Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia, é hoje professora e diretora na Universidade do Estado do Amazonas.

Bia Santos

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