15 de abril de 2021
Uma das principais características da moderna sociedade global, centrada na economia capitalista

Uma das principais características da moderna sociedade global, centrada na economia capitalista, é a insurgência cíclica de crises de confiança no sistema financeiro, que afetam os países de ambos os hemisférios de maneira diferenciada, mas de forma marcante. Apesar de serem aparentemente de cunho financeiro, as crises do capitalismo são resultados eloqüentes de uma política econômica que tem como cerne a exploração do trabalho assalariado, vivenciado por uma parte significativa dos habitantes do planeta. A este fator soma-se a geopolítica, com suas peculiaridades, para dar dimensão planetária a algumas das mais célebres crises vividas pelo capitalismo nos anos após a Segunda Guerra Mundial, que ficaram conhecidas pelo nome dos países que mais afetaram, como a da Argentina, a da Coréia do Sul, e assim vai.
O Brasil não ficou à margem deste processo de globalização das crises, mas felizmente, vem demonstrando que a situação pode ser contornada por políticas econômicas que privilegiam a contenção de despesas e gastos públicos “supérfluos”, como os destinados à infra-estrutura, saúde e educação. Mas o essencial, o que não pode faltar em nenhum governo, este sim, mantém-se intacto, como as mordomias e a benesses direcionadas para os altos funcionários públicos, que têm o privilégio de usar os cartões corporativos a seu bel-prazer. Mas nosso interesse no momento não é exatamente na crise que atinge a alta burocracia estatal. Nosso interesse é nas crises cíclicas que atingem a todos, empreendedores e empresários, governo e sociedade, que revelam em seu bojo o colapso da modernidade, que falhou em prover as necessidades básicas da maioria da população mundial.
Neste contexto, a fragmentação da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), processo que se desenrolou de janeiro a dezembro de 1991, foi um marco histórico de alcance mundial, com significado ainda a ser revelado. Numa das primeiras tentativas neste sentido, o pesquisador Robert Kurz publicou, em 1992, o livro “O Colapso da Modernização – Da derrocada do socialismo de caserna à crise da economia mundial”, com foco na recente história econômica mundial e em seus desdobramentos, com ênfase na polarização socialismo versus capitalismo. O primeiro capítulo do livro traz o tema Lógica e ethos da sociedade de trabalho, que se tornou o centro de nosso interesse no momento.
Para Kurz, a falha na análise dos pontos críticos internos do socialismo real, provocada pela aparente cegueira de seus dirigentes, talvez não seja uma exclusividade dos gerontocratas do sistema que soçobrou diante do capitalismo do Ocidente, podendo os vencedores desta disputa, eles próprios, estar sofrendo do mesmo mal em relação ao que acontece nas entranhas de suas sociedades nacionais. O jornalista, economista e filósofo Karl Marx fundamentou sua teoria econômica exatamente no trabalho assalariado, o ponto que Kurz identifica como a origem dos transtornos atuais da sociedade contemporânea. Trocando em miúdos, Kurz afirma que, em sua forma especificamente histórica, o trabalho nada mais é do que a exploração econômica abstrata, em empresas, da força de trabalho humana e das matérias-primas.

A reificação do trabalho
O autor permeia o texto com a idéia de que o trabalho na modernidade está em crise devido à sua desvinculação da satisfação das necessidades humanas, passando a ser mero reprodutor de lucro, no sistema capitalista, ou mesmo de endeusamento do Estado, no sistema socialista real, que tem como últimos representantes Cuba e a Coréia do Norte. O trabalho, neste contexto de reificação ou coisificação, passa a ser um fim em si mesmo. A ética protestante, identificada por Max Weber como o centro ou origem das atenções dos religiosos em seu labor, em nenhum outro lugar foi posta em prática com mais fervor e rigor do que no movimento operário e nas formações sociais do socialismo real.
Kurz afirmou que o socialismo do movimento operário nunca esteve muito distante desta criação feti

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