Os extremismos políticos – e religiosos também – são alimentados pelo ódio e pela violência. Esta é uma coisa perigosa: canalizar a indignação contra aquilo que se considera errado para uma espécie de ira insana e destrutiva.

        A indignação contra as injustiças é algo essencial para mobilizar energias contra condições de vida que precisam ser transformadas. Mas esta indignação pode ser “capturada” e “potencializada” de forma “odiosa” como instrumento de mera luta pelo poder, sem escrúpulos de limites morais.

O nazismo hitlerista e o comunismo stanilista são dois  exemplos históricos de instrumentalização do ódio contra segmentos da sociedade, em nome de ideologias que se impuseram à força, em nome do povo, subjugando-o.

        Na Alemanha Nazista os judeus foram o principal “bode expiatório” de um regime que trucidou 6 milhões deles, além de ciganos, comunistas, socialistas, democratas. Na sanha enlouquecida de poder e de glória, os exércitos alemães invadiram outros países, obtendo expressivas vitórias na primeira fase da II Guerra Mundial, mas depois foram derrotados. Ao final, a Alemanha foi completamente aniquilada. Hitler se suicidou no seu bunker em Berlim. E o nazismo se tornou um doloroso exemplo de estupidez humana. Não foi muito diferente com Stalin comandando a antiga União Soviética, embora com nuances distintas.

        Sabemos que não existe regime político – nem sistema econômico – perfeito. Mas quando se abdica da liberdade, um fator primordial da dignidade humana, os riscos de uma ditadura cruel, o pior dos regimes, são enormes.

        Líderes carismáticos autoritários tem facilidade de atrair pessoas indignadas contra situações erradas e conduzi-las ao caminho do abismo das ditaduras. Líderes carismáticos podem ser perigosos, mesmo em regimes democráticos, porque tem capacidade de “manipulação” de pessoas que não se percebem “conduzidas”.

        O discurso do ódio no Brasil têm sido instrumentalizado por “fake news” e ataques virulentos nas redes sociais, que muitas vezes “desmerecem” a inteligência de quem deveria analisar as falsas notícias e as calúnias infames antes de endossá-las.

        As mentiras têm prosperado como se fossem verdade. A indignação tem se transformado em ódio irracional. O debate de ideias se tornou uma contenda de acusações. A Política empobreceu. As pessoas de boa índole, inclusive muitas que se permitem manipular, saem perdendo.

        O fato é que nosso país é mesmo muito desigual e injusto. E que a corrupção, cuja origem vem de longe, de nosso passado colonial, parece ter se tornado sistêmica. Há motivos claros para indignação e luta contra as coisas erradas. O problema é quando essa luta se torna violenta e amoral, apesar do discurso moralista. Combater o mal com o mal é uma solução provisória e arriscada. Observe-se o que ocorreu no Rio de Janeiro, em que grande parte da população é refém de quadrilhas de tráfico de drogas ou de milícias armadas que se organizaram sob o pretexto de expulsar os bandidos, mas se tornaram, pela violência e ganância, “fora da lei” e opressoras.

        Penso que podemos exercer a capacidade solidária de valorizar as relações sociais e potencializar mudanças pacíficas, baseadas em pactos pelo bem comum da população. Dessa maneira, exercer a boa e a verdadeira política. Não o embuste, as mentiras, as ameaças e as calúnias.

        Se acreditamos que a “direita” é ilibada e a “esquerda”, bandida, ou vice-versa, provavelmente estamos sendo manipulados por lideranças de diferentes vieses ideológicos.  Penso que ser um cidadão de bem, não está associado à sua visão programática da política. Embora este fator possa influenciar a forma como agimos e os resultados objetivos que alcançamos, acredito que o essencial é uma verdadeira escolha ética, por dolorosa que seja, entre o bem e o mal. E esta escolha não é algo fácil, não é um fast food que se compra na esquina. Tem muito mais a ver com princípios e valores de conduta do que com as ideologias. E se relaciona diretamente com a espiritualidade e o caráter de cada um.

        Se elegemos a mentira e o ódio como solução para combater outros males, podemos piorar as situações que pretendemos enfrentar e mudar.

        Martin Luther King, Nelson Mandela e Gandhi são exemplos de líderes carismáticos que optaram por não enganar as pessoas com mentiras e ilusões, abriram mão da violência, mas não deixaram de lutar, de forma não violenta, com visão estratégica.

        O Brasil necessita de muitas mudanças. Mas o caminho precisa ser de paz, fraternidade e Luz.

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