Divulgado na semana passada pelo IBGE, o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro referente ao ano de 2007 agradou a todos, numa demonstração de que quando as coisas vão bem, ninguém reclama, às vezes até com medo de parecer chato. Superado no Governo Lula apenas pelos números de 2004, que teve um crescimento de 5,7%, o PIB de 2007 atingiu o patamar de 5,4%, envolvendo um valor global de R$ 2,599 trilhões, razoável para uma administração que vem tendo um dos piores índices de crescimento econômicos mundiais, até se comparado com os vizinhos latino-americanos. A Argentina, por exemplo, tem um crescimento médio de 8,6%, recuperando-se de forma espetacular de uma crise financeira severa que assolou o país no início do século, que a deixou à beira da falência.
A nossa preocupação em fazer esta comparação se deve ao imenso potencial econômico do país, certamente em condições de dobrar os números apresentados se adotar um projeto de nação que tenha como foco o próprio povo brasileiro e suas necessidades básicas de acesso a trabalho decente, moradia digna, educação de qualidade e serviços de saúde honestos, além da demanda responsável por bens e serviços. O professor franco-polonês Ignacy Sachs assegura que ações direcionadas para setores estratégicos da economia, envolvendo baixos investimentos, podem trazer muitos mais benefícios para a população do que a atração de empresas de grande porte, quase sempre com vultosos investimentos governamentais em infra-estrutura e renúncia de impostos.
Os números apresentados pelo IBGE demonstram que a demanda do brasileiro nesse por bens e serviços foi responsável pelo crescimento econômico muito mais que as exportações, que em outros anos puxaram para cima o índice de crescimento do PIB. Na realidade, as importações, com crescimento de 20,7%, superaram o índice apresentado pelas exportações, que ficou em 6,6%. Mas números devem ser lidos em seus devidos contextos, pois a disparidade de crescimento das importações em relação às exportações pode esconder um fator positivo.
As políticas assistencialistas praticadas pelos três níveis de governo no Brasil, que puxaram para cima o PIB em 2007, são uma demonstração inequívoca da fragilidade em que se encontram seus beneficiários e da própria condição estrutural da economia brasileira, que não conseguiu, ao longo do século 20, resgatar a dívida social para com os menos afortunados, deixando de integrá-los de forma digna ao sistema capitalista de produção ou mesmo em uma economia alternativa, a solidária.
No geral, o governo do atual presidente da República, iniciado em janeiro de 2003, ficou com a média de 3,8%, cerca de um terço da locomotiva do crescimento econômico mundial, a China, que apresenta a mais de uma década índices que giram em torno de 10% ao ano. Comparamos o crescimento do PIB do Brasil com o da China e da Argentina, pois os três países pertencem à mesma categoria, a de emergentes, sendo que o país vizinho apresenta um nível de educação e qualidade de vida um pouco superior ao do asiático, mas certamente é representativo deste conjunto de economias.
O crescimento de uma economia nacional depende, e muito, do consumo das famílias, o que, segundo os economistas, puxou para cima o crescimento do PIB brasileiro de 2007, inclusive daquelas que recebem subvenção dos governos para se manter. Este consumo faz parte da demanda interna, que em economês significa a soma dos bens e serviços demandados pela iniciativa privada em seus investimentos e pelas famílias e governos.
Com a economia aquecida, o país pode dar a seus trabalhadores uma folga no final do mês, pois a massa salarial teve um crescimento de 3,6%, o que revela um aumento real na renda das famílias. Outro número expressivo foi em relação ao crédito, que em 2007 teve alta de 28,8% sobre o ano anterior. Com crédito relativamente fácil, que permitiu à classe média a realização do sonho de consumo de tirar um carro zero da concessionária, a indústria automobilística bate

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