O alimento dos nossos antepassados

A maioria das pessoas que trabalha empregada sonha em um dia se tornar a dona de seus próprios negócios. A maioria morre e não chega a sair dessa condição. Uma minoria, no entanto, consegue se desvencilhar do medo e do comodismo e se tornar patrão. E uma minoria chega a essa condição com idéias bastante simples, que beiram as raias do inimaginável. É o caso do casal Delino e Vilma. Ele, paraense, trabalhava há dez anos no Distrito Industrial; ela, amazonense, há quatro. Um dia, acharam que chegara a hora de parar de trabalhar pros outros. Foi quando Delino voltou aos seus tempos de infância, em Alenquer, e lembrou da farinha que comia desde que se entendia por gente.
Que deixe de ser amazônico aquele que não gosta de comer farinha (a farinha é um produto extraído da mandioca, até hoje a base da alimentação milenar de muitos povos indígenas). Delino achava ruim a farinha que comia pelas bandas daqui, mas ainda assim não conhecia ninguém que não gostasse do alimento ancestral de nossos indígenas, então, pensava ele, o que não vão achar da deliciosa farinha produzida em Alenquer?
Delino e Vilma procuraram o Sebrae para se especializar em administração e comércio e, com o dinheiro guardado na poupança, mandaram vir a primeira remessa de farinha de Alenquer. “O Delino foi lá, falou com os amigos que tinha e que produziam farinha curumum, e trouxe um carregamento. Em pouco tempo tudo foi vendido em Manaus e logo nova remessa chegava”, lembrou Vilma.
Há dez meses Delino e Vilma abriram o “Delícia de Farinha”, uma delicatéssen cabocla, no bairro de Petrópolis, e não apenas vendem farinha, mas farinhas. Atualmente eles têm na loja treze tipos delas, realmente para satisfazer a todos os gostos.

Farinhas com tempero
“Começamos com a ‘curumum’, de Alenquer, depois trouxemos a ‘d’água comum’, a ‘d’água mais torrada’ e a ‘amarela fina’, também de Alenquer. Em seguida fomos a Uarini, as margens do Amazonas, e adquirimos a ‘ova’e a ‘ovinha’. De Cruzeiro do Sul, no Acre, trouxemos a ‘branca’. E ainda tem a ‘amarela d’água’ que vem com acréscimos que a tornam ainda mais saborosas: com cebola, com manteiga, com alho ou com pimenta.
“É para facilitar a vida de quem não tem muita paciência de ficar temperando a comida, então a farinha já vem com o tempero. E o gosto permanece mesmo. Gosto de dar uma prova da temperada com pimenta murupi, mas aviso que é só um pouquinho porque é forte mesmo. As pessoas se espantam ao verificar que ‘queima’ de verdade”, riu.
Enquanto Delino é o responsável em comprar e transportar as farinhas para o comércio, Vilma permanece no “Delícia de Farinha”, com o filho Daniel, 12 anos, atendendo o consumidor final. Sempre sorridente, ela cativa os clientes, oferecendo aos iniciantes, uma prova de qualquer das farinhas expostas e comemora o sucesso das vendas. “A primeira remessa que nos chegou foi de apenas algumas sacas, mas hoje vendemos mais de duas toneladas de farinhas por mês”, garantiu. Os preços variam de R$ 2,50 a R$ 6, o quilo. As temperadas custam R$ 10, o quilo.
Na loja, todas as farinhas também podem ser compradas em fardo e em local destacado, fica a farinha de tapioca, outra paixão dos amazônicos, esta produzida em Manaus. Também tem boa saída. Pra completar, ovos, baratos, ricos em proteínas, ferro e fósforo, entre outros, consumidos por todos de qualquer gênero, raça e idade e um bom companheiro para a farofa. Realmente Delino e Vilma vêem mais longe quando se trata de negócios.
O “Delícia de Farinha” abre de domingo a domingo, das 8 às 12 horas e das 14 às 18 horas. Aos domingos, só pela manhã.

Serviço
O quê? Delícia de Farinha
Onde? Rua Coronel Ferreira de Araújo, 807 – Petrópolis
Funcionamento: De domingo a domingo, das 8 às 12 horas e das 14 às 18 horas. Aos domingos, só pela manhã.
Informações: (92) 9 9291-0848

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