O produto interno bruto brasileiro – PIB em 2019 alcançou o resultado de R$ 7,3 trilhões e o agronegócio foi o setor responsável por 21,4% desse resultado, R$ 1,55 trilhão. Dentre os segmentos do agronegócio, a maior parcela é a do setor agrícola com R$ 1,06 trilhão. Já a contribuição da pecuária correspondeu a R$ 494,8 bilhões. Olhando somente para os “números” podemos dizer que o Agro é POP, mas isso será verdade?

A expressão “Pop” é uma abreviatura de “popular” e ainda pode ser relacionada à cultura popular como algo legal, bacana, moderno. Então o Agro é POP? Muitos dirão que sim e inúmeros dirão que não, contudo não temos como simplesmente acabar com a chamada “Indústria: riqueza do Brasil” e, nem tão pouco, devemos deixar de observar os sinais de socorro que a natureza está enviando.

Não há como negar a importância do agronegócio para a economia brasileira. Segundo o Ministério da Agricultura – MAPA as exportações do agronegócio encerraram 2019 com o valor acumulado de U$ 96,79 bilhões, representando 43,2% do total as exportações do Brasil. O principal produto de exportação do agronegócio brasileiro, a soja em grão, respondeu por quase um terço dos embarques e destacamos que o volume embarcado de carnes de frango, bovina e suína foi de 6,965 milhões de toneladas.

Em relação ao mercado de trabalho a agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aqüicultura, em 2019, o contingente de trabalhadores foi de 8,5 milhões. A agropecuária brasileira terminou 2019 com a geração de 14.366 postos de trabalho com carteira assinada, de acordo com a Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia. O Brasil fechou 2019 com 39,05 milhões de empregos formais, o que significa que a cada 100 trabalhadores 22 estão no setor agropecuário.

Com esses breves dados sobre o agronegócio podemos afirmar que esse setor econômico do país apresenta resultados positivos, comprovação que continua ocorrendo no ano de 2020, mesmo com a pandemia, com uma safra recorde de grãos e o aumento nas exportações. Então podemos afirmar que o Agro é Pop? Depende. Existem problemas: o desmatamento, a perda da biodiversidade, a degradação do solo, o esgotamento dos mananciais, a contaminação do solo, da água e do ar e a geração de resíduos.

Citando um exemplo específico dos problemas ocasionados pela Agropecuária a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico – ANA afirma que esse setor é o que mais consome e desperdiça água doce no Brasil. 70% da água do país é usada pelo setor e metade é jogada fora, segundo estimativas do Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação – FAO. Os motivos para o desperdício da nossa água doce são irrigações mal-executadas e falta de controle do agricultor na quantidade usada em lavouras e processamento de produtos.

O desperdício atinge negativamente os lençóis freáticos e rios, que sofrem com a falta de chuvas e ficam sujeitos aos riscos de secas no decurso dos anos. Para termos uma idéia do volume de água consumida e desperdiçada o consumo diário de água de cada brasileiro é de 150 litros, o que resulta em um consumo médio anual de 10,4 trilhões de litros no país. Desse total, pouco mais de 7 trilhões são destinados à agricultura, que acaba desperdiçando cerca de 3 trilhões de litros de água.

Em relação à pecuária a FAO, em seu relatório “Estado das Florestas no Mundo”, informa que mais de 80% do desmatamento brasileiro está associado à criação de pasto. Com um dos maiores rebanhos de gado do mundo, tendo mais de 200 milhões de cabeças, a pecuária do Brasil necessita de uma pastagem de pelo menos 2 milhões de km2. Área que corresponde a um quarto do território nacional. Assim podemos entender que quanto maior o rebanho, maior o pasto, maior a necessidade de se ter uma área apropriada para o gado ou outro animal utilizado pelo setor produtivo da pecuária. A FAO apresenta um dado interessante ao dizer que uma área de floresta tropical do tamanho de um campo de futebol precisa ser destruída para se produzir 257 hambúrgueres.

Citar os benefícios e os malefícios sobre um certo assunto permite que cada um de nós pense e não fique preso a único discurso. Soluções não são fáceis de serem pensadas e implementadas, mas certamente precisam ser discutidas entre todos os setores da sociedade, interessados no tema. Dessa forma acreditamos que a questão a ser respondida não é se o Agro é “POP”. Temos que encontrar soluções para tornar o Agro “SUSTENTÁVEL”.

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