O “presômetro” que envergonha o país

O Estado do Amazonas acaba de transferir quatro dos mais perigosos habitantes de seus presídios para unidades de segurança máxima instaladas em outras unidades da Federação. Esta luta pelo controle das cadeias parace não ter fim.
Nas cadeias, os números são medidos em um “presômetro” afixado em uma das paredes da unidade. Redes são amarradas umas sobre as outras, mas ainda assim dezenas de presos têm de ficar agachados ou em pé, espremidos entre grades e paredes.
Vários estão doentes e dividem poucos banheiros. A grande maioria é preso provisório, jovens que foram pegos no crime. “Os banheiros estão entupidos. Tem preso com tuberculose, gonorréia. Todo mundo tem que revezar entre as redes e ficar agachado. Um dorme um dia, outro dorme no outro. Tem rato e barata na caixa d’água, infiltração” , descreve um detento que cumpre pena por assalto à mão armada.
“Aqui só gera mais ódio e raiva. Nossa família vem aqui e nos vê nessa humilhação. Quem está aqui porque roubou vai sair querendo matar para descontar tudo”, desabafou.
O CNJ está passando a limpo a situação carcerária no Brasil. Um pouco tarde, mas melhor tarde do que nunca! Parabéns ao CNJ!
Os presídios brasileiros, embora não sejam o fator único para medir nosso grau de civilização, colocam o Brasil numa difícil posição (sobretudo internacional).
Que é uma sociedade civilizada? Bauman (Modernity and the Holocaust, Cambridge, Polity Press, 1989, citado por Joan PRATT, Castigo y Civilización, Barcelona: Gedisa, 2006, p. 23) diz: “Uma sociedade civilizada (…) se entende como tal o Estado onde foi eliminado ou suprimido a maior parte do feio e do mórbido, assim como grande parte da propensão humana imanente à crueldade e à violência.” Como se vê, por mais progressos que possam ser apontados, nossa sociedade brasileira, no seu conjunto, ainda está muito longe de ser tida como uma sociedade civilizada.

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