Número de novas empresas abertas no Amazonas diminui

O estado do Amazonas está abrindo -13% empresas durante a pandemia frente ao período que a antecedeu. O número é relativamente positivo quando comparado à média do Brasil, que é -28%. A informação faz parte do levantamento realizado pela empresa Contabilizei, maior escritório contábil do Brasil, que fez um estudo a partir da base de clientes e percebeu que a emissão de notas do mês de abril caiu 10,3%, e o faturamento total dessa mesma base diminuiu 8,3%, o que representa uma significativa queda de vendas.

Empresas MEI sofreram uma redução de 4% enquanto não-MEI 46%; Entre os principais municípios, o destaque fica para: Manaus (-3%) e Parintins (-47%); Os setores de Serviço e Comércio foram os mais afetados, com -16% e -14% respectivamente. Já o setor industrial apresentou alta de 19% frente ao 1ºtrimestre.

Dentro do setor de Serviços, os segmentos mais afetados foram: Consultoria (-67%),  Serviços de Arquitetura e Engenharia (-60%) e Saúde (-49%). Entre os menos afetados estão: Médicos (+3%) e serviços automobilísticos (-3%).

“A pandemia trouxe novos desafios para o mercado, adaptações que tiveram que ser feitas da noite para o dia, e com isso vem muita insegurança sobre o momento futuro. O resultado disso é que o Brasil sofreu uma queda brusca de 28% de abertura de empresas com a pandemia. E o impacto foi ainda mais forte, de 60%, naquelas aberturas que envolvem processos locais e custos. Parte pela dificuldade da operacionalização de processos 100% digitais em um período em que órgãos estão fisicamente fechados, parte pelo momento do empreendedor de evitar custos”, afirma Guilherme Soares, VP de Growth da Contabilizei, maior escritório de contabilidade do país e pioneiro em oferecer os serviços online. Estima-se que 80 mil empresas deixaram de abrir por conta desse cenário no primeiro trimestre do ano. 

O efeito Covid-19 também atinge as PMEs já operando. “Na Contabilizei, as notas emitidas no mês de abril, após a intensificação da quarentena, caíram 10,3% se comparado a março. O faturamento dessa base também teve queda, de 8,3%, ou seja, as empresas estão faturando menos. Analisando o segmento de serviço, vimos que o ramo de Educação e Marketing são os mais impactados, enquanto os prestadores de serviço de TI são os que menos tiveram impacto no faturamento.", conta Soares. Ele diz ainda, conforme dados da empresa, que o estado do Rio de Janeiro lidera essa queda, com 18,5% a menos de NF emitidas, seguido do Paraná e Minas Gerais com 14,2% cada um. Há também um movimento de mudança de contador por empresas que já estão em funcionamento e que passaram a ter a contabilidade online. “Muitos empreendedores que já tem suas empresas abertas estão aproveitando o momento e migrando para a contabilidade online. Assim reduzem seus custos garantindo um serviço de qualidade. Para atender a esse aumento de demanda, reorganizamos as equipes internamente provendo atendimento ainda mais personalizado ”, analisa Soares.

Conjuntura traz riscos

Ao avaliar os números, o especialista em gestão estratégica de negócios, Flávio Guimarães, diz que é natural que diante do cenário nada animador e de instabilidade, parte dos empreendedores repensem os seus negócios e parte de quem estava querendo investir recue porque o grau de incerteza é muito grande tanto local, quanto mundial, principalmente na nossa região. “As decisões do isolamento está nas mãos dos governadores e essas decisões são tomadas de acordo com cada Estado. Isso faz com que quem vai abrir uma empresa repense. Essa incerteza faz com que de repente o número de empresas que iam abrir certamente reduzam pelo menos neste momento. É uma forma de um empresário está se resguardando de um prejuízo futuro”. 

Para as empresas se manterem abertas neste momento, ele avalia a necessidade  inicialmente de ver a margem de lucro, depois pensar em fortalecer a marca e ser parceiro do cliente, além de flexibilizar o máximo possível a forma de atender e vender. “Temos que nos reinventar e quando a gente se reinventa começa trabalhar melhor uma outra parte, se adequando a realidade. E certamente minimizando prejuízos que boa parte dos empreendedores estão tendo e ainda terão enquanto a pandemia permanecer”, avaliou. 

Em matéria publicada no Jornal do Commercio, o analista de negócios do Sebrae-AM, Daniel Azevedo havia comentado sobre a atual conjuntura dos pequenos negócios. A estimativa é que ao menos 89% dos pequenos negócios tiveram quedas no faturamento.  E que 65% consegue alcançar mais que 50% do faturamento, porém tem que se preocupar com todos os custos custos para manter uma operação em funcionamento. Ele entende que  apesar das medidas para sanar os efeitos adotadas pelo governo, com algumas questões como acesso ao crédito, redução de salários dos colaboradores entre outros, ainda assim o empresário e a sociedade irá arcar com a conta, o que pode refletir na queda de arrecadação de impostos em todas as esferas de governo, além do aumento da inadimplência de tributos.

“Negócios deverão fechar por conta dos empresários não conseguirem faturar o suficiente para honrar compromissos com fornecedores e aluguei e não conseguirem acessar ao crédito”, enfatizou. 

Um pequena parcela, algo em torno de 5% está tendo oportunidade de acessar clientes e aumentar faturamento a partir a ampliação de cais de venda remoto. E alertou ainda que os pequenos negócios que não buscarem se adaptar ao canais de vendas remotos, serão os mais atingidos.

“Os empresários devem usar este momento para fazer uma avaliação de seus modelos de negócios e buscar inovar, principalmente na forma de atender seu cliente e entregar seus produtos e serviços.”

Números

Os dados da Receita Federal apontam ainda alguns destaques de estados e municípios que estão fechando os meses de forma mais positiva como Belém (PA) com aumento de 66%, Nova Iguaçu (RJ) com 16% e Aracaju (SE), com 9%. Entre os estados, o Pará foi o único que terminou de forma positiva, com +27%. Ainda não é possível prever sobre os impactos do coronavírus daqui alguns meses, mas os estados, municípios, empresas e profissionais liberais, precisarão trazer novas soluções que vão transformar o mundo econômico dos próximos anos.

Fonte: Andreia Leite

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