Novos acadêmicos do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas

Na noite de hoje, 1º de julho, mais três acadêmicos irão tomar posse no IGHA (Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas): o promotor de justiça Mário Ypiranga Monteiro Neto, e os professores Almir Diniz de Carvalho Júnior e Júlio Santos da Silva. Este ano três já conquistaram suas cadeiras e, até o final do ano, quatro outros o farão.
Na entrevista a seguir, ao Jornal do Commercio, Antonio Loureiro, presidente do IGHA, pede mais atuação dos novos acadêmicos e dá um puxão de orelha nos que já estão lá.
Jornal do Commercio: Seu mandato à frente do IGHA acaba agora, no final do ano, mas o sr. vai deixar um quadro renovado de associados.
Antonio Loureiro: Quando Manaus possuía 60 mil habitantes foi capaz de fundar esta portentosa instituição. Hoje, com dois milhões de habitantes, necessita expandir seus quadros para uma melhor representatividade de sua população. Aumentamos de 40 para 50 membros efetivos. Acho que um aumento de 10 membros de 5/5 anos deve ser extremamente salutar. 50 membros para dois milhões de habitantes, ou sejam 2,5 membros por cem mil habitantes é uma massa crítica muito baixa para qualquer mudança. Deveríamos ser uma instituição com pelo menos 200 membros interessados em História.

JC: Como definiria seus dois anos à frente da instituição e que legados está deixando?
AL: Um período de vacas magras, porém, graças às economias feitas, estamos conseguindo ultrapassar seis meses sem repasses financeiros do Estado. Estamos deixando duas novas salas de exposição, organizamos o material não classificado, instalamos a biblioteca de livros novos, que já conta com quase 700 livros doados pelos sócios e por instituições diversas que nos mandam suas produções, publicamos seis revistas do Instituto e talvez cheguemos a sete, e organizamos o 2° Encontro dos Institutos Históricos e Geográficos da Amazônia, de São Luiz a Tabatinga, que será bisado, no ano do centenário, por escolha de todos os presentes pela sua qualidade. Além disso tivemos algumas palestras e diversos lançamentos de livros.

JC: Como explica uma instituição tão importante para o Estado, como o IGHA, não dispor de verbas de instituição cultural nenhuma?
AL: O IGHA é uma instituição particular, que deveria ser mantida pelas contribuições de seus sócios, da sociedade amazonense em geral e das empresas funcionando no Amazonas. Excetuando as contribuições individuais de alguns sócios, essas doações jamais nos chegam. Em um Polo Industrial que fatura bilhões de dólares, na ZF, nenhum centavo é destinado à manutenção do nosso valioso patrimônio.

JC: Como o IGHA consegue se manter já as portas de completar 100 anos?
AL: A única instituição que contribui para a manutenção do Instituto é a Secretaria de Cultura, com uma verba de conservação do seu acervo tombado pelo próprio Estado, constituído de memória documental, objetos históricos e um edifício pertencente ao próprio Estado, cedido em usufruto, desde 1917.

JC: O que espera dos novos associados, que tomam posse hoje?
AL: Tudo. Até agora as renovações têm sido frustrantes. A nossa observação é que, salvo as honrosas exceções, só nos buscam para uma titulação, que pode perder o seu valor com o correr dos tempos, quando os associados compreendem que não pertencem a uma estatal e que entram para a instituição para com ela colaborar de alguma forma, o que não vem ocorrendo, e não apenas receber benesses, elogios e incensamentos.

Os novos associados

Mário Ypiranga Monteiro Neto, amazonense
Promotor de justiça, professor e escritor. É membro efetivo da Academia Amazonense de Letras; da Associação dos Escritores do Amazonas; fundador e diretor de Assuntos Jurídicos da Alcear (Academia de Letras, Ciências e Artes do Amazonas); e sócio efetivo do IBDFAM (Instituto Brasileiro de Direito de Família). Obras e artigos: Crônicas de um país chamado Brasil (2003); A justiça social e o Ministério Público (2001); Os princípios da Administração Pública e o Ministério Público (2002); Criminalidade e prevenção criminal no Brasil (2003); A positivação dos direitos fundamentais: evolução e análise sociológica (2004); Discurso de posse na Academia Amazonense de Letras (2005); Controle jurisdicional da função administrativa do Estado (2007).

Júlio Santos da Silva,amazonense
Trabalhou como operário durante muito tempo do Distrito Industrial de Manaus. Formado em licenciatura plena em História pela Ufam, é concursado na Semed desde 2008. Também tem especialização em História da Saúde na Amazônia pelo ILMD/COC Fiocruz e mestrado em História Social pela Universidade do Amazonas. Além da Semed, é professor na Universidade Nilton Lins no curso de História. Desenvolve pesquisas relacionadas a história das Ciências, História da Saúde e da Doença e História das Instituições de Saúde.

Almir Diniz de Carvalho Júnior, amazonense
Professor da Universidade Federal do Amazonas desde 1993; professor do Programa de Pós-Graduação em História da Ufam (mestrado); professor do Programa de Pós-Graduação em Antropologia (mestrado e doutorado); doutor em História Social pela Unicamp; fez estágio de doutoramento junto à Universidade de Lisboa (2002-2003); mestre em História Social pela Unicamp (2000); especialista em História da Amazônia; graduado em História pela Universidade de Brasília (1987); tem artigos publicados em periódicos nacionais, regionais e internacionais, além de capítulos em livros; é autor, em parceria, do livro Amazônia dos Viajantes (2011); é especialista em História Cultural da Colônia, Amazônia Colonial, História dos Índios, História Colonial.

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email