15 de abril de 2021

Novo shopping ‘servirá’ de termômetro para novos investimentos

O empresário que intermediou a compra do terreno onde foi instalado o Manauara Shopping, recém-inaugurado na capital amazonense, Jorge Lima Daou que atua no ramo de imóveis comerciais, disse que o empreendimento comercial vai tornar Manaus mais conhecida

JC –Qual a sua relação com o Manauara Shopping?

Jorge Daou – Fui indicado por um amigo para atender aos investidores do grupo Sonae Sierra quando eles estavam prospectando áreas em Manaus para implantação do shopping. Momento em que eles tinham tomado a decisão de construir mais um empreendimentos dessa natureza no Brasil e estavam estudando ainda algumas cidades para implantar o novo negócio. Ele vieram para Manaus e a gente conseguiu identificar aquele terreno, que por sinal eles gostaram muito da localização e eu fiz a intermediação da venda.

JC –Os negócios de sua empresa com eles pararam por aí?

Jorge Daou – Não. Também fiz uma assessoria para o grupo na fase de aprovação do projeto junto aos órgãos ambientais do Estado e à Prefeitura Municipal de Manaus. Hoje os investidores, antes de comprar qualquer terreno, querem ter a segurança de que vão poder implantar o empreendimento, ou seja, a compra do terreno só foi feita efetivamente depois das autorizações prévias dos órgãos ambientais, da prefeitura e do governo do Estado.

JC – Como o senhor define esse empreendimento?

Jorge Daou – É de um grupo de origem ibérico-português, um dos maiores grupos empresariais de Portugal, e que é bem conceituado no mundo dos negócios.

JC –Como o senhor avalia a entrada de mais um shopping center de grande porte em Manaus?

Jorge Daou – Acho muito importante; Manaus já pedia um novo empreendimento dessa natureza. O fato de ser de uma empresa como o grupo Sonae Sierra, além dos investidores portugueses possuem investidores americanos e ingleses, isso dá uma divulgação muito importante para Manaus, tornando-a mais conhecida no meio empresarial internacional. Além de ser um dos maiores grupos empresariais de Portugal, no negócio de shopping centers eles estão entre os maiores da Europa. Nos Estados Unidos não têm operação nenhuma, porém um dos sócios do grupo Sonae no Brasil pertence a uma empresa americana, a BBR, uma gigante americana no setor de shopping centers.

JC – Esse tipo de empreendimento estimula o turismo de negócios?

Jorge Daou – Sim, porque atrai mais investidores; mais pessoas visitam a cidade por conta das novidades, e elas mesmas se encarregam de divulga para outras. É um tipo de empreendimento bastante importante para Manaus não só porque é um novo shopping, que gera mais empregos, mas porque atrai novas empresas que não tinham operação em Manaus a exemplo da Livraria Saraiva que já inaugurou no shopping uma loja fantástica, sem nenhuma igual em Manaus no ramo.

JC –Novas marcas ainda vão se instalar lá?

Jorge Daou – Sim, a Adidas, a Calvin Klein, a Centauro, que é uma loja de esportes, considerada uma âncora, entre outras de grande porte.

JC – Existe projeção de novos empreendimentos dessa natureza para Manaus?

Jorge Daou- De shopping eu sei que tem vários grupos estudando o mercado local.

JC – Do mesmo nível do Manauara?

Jorge Daou – Não… talvez nem comporte neste momento, mas existem grupos estudando a entrada de novos shoppings em Manaus na área da Ponta Negra e da Cidade Nova, mas acredito que nos próximos dois anos ainda não deva acontecer, até pelo cenário de crise que não se sabe quando acaba.

JC – Manaus tem cacife para atrai mais investidores?
Jorge Daou – Sim, principalmente do Sul do país, que atuam na área de imóveis. Muitas incorporadoras vieram para cá, outras estão querendo vir e no setor de shopping centers não é diferente.

JC – Existe a possibilidade das Casas Bahia vir para o mercado local?

Jorge Daou – Acho que sim; qualquer investimento novo é interessante. É certo que Manaus tem algumas peculiaridades que assusta um pouco as empresas de fora.

JC –Que peculiaridades são essas?

Jorge Daou – A logística é o principal problema. Dificilmente uma empresa como as Casas Bahia, que não tem lojas em Belém (PA) ou pelo menos em São Luís (MA) vem para Manaus, porque é difícil montar um sistema de logística para abastecer Manaus se não tem lojas no meio do caminho. É muito difícil operar uma loja em Brasília ou em São Paulo e outra em Manaus. As Casas Bahia tem poucas lojas no Nordeste, mas nada mais próximo da capital amazonense. Por outro lado tem outras redes de lojas como a Insinuante, que é a terceira ou quarta maior rede de eletrodomésticos do Brasil que inaugura pelo menos oito lojas em Manaus em abril. Ela vai se instalar no Manauara, em maio.

JC – Pelo que se sabe o Armazém Paraíba está vendendo bem em Manaus?

Jorge Daou – O mercado local é muito grande.

JC – Ele suporta mais empreendimentos dessa natureza?

Jorge Daou – Acredito que sim.

JC – Como está o segmento de imóveis hoje?

Jorge Daou – Nossa empresa, que é familiar, tem algumas propriedades em Manaus que eu administro. Também atuo como corretor de imóveis comerciais de grande porte. Em linhas gerais está bom.

JC – A crise global afetou muito esse mercado?

Jorge Daou – Os lançamentos estão parados, a maioria das construtoras suspenderam alguns lançamentos previstos, como alguns residenciais. Os investidores estão preferindo aguardar o desenrolar dessa crise. Ninguém sabe quando vai terminar. É claro que alguns setores estão sendo mais penalizados, enquanto outros, menos.

JC – Como estão as unidades residenciais?

Jorge Daou – Como é uma área que não atuo, não faço vendas de unidades residências, trabalho mesmo é na área de terrenos e eventualmente de galpões. O que posso garantir é que a crise mexe com todo mundo. O problema mesmo é falta de crédito e de financiamentos. Mas acredito que seja um cenário temporário.

JC – Quando a crise acabar o que deve ser reativado inicialmente?

Jorge Daou – A primeira coisa que vai reativar será a área de imóveis até porque o governo tem interesse em incentivar a atividade imobiliária que gera muito emprego e renda.

JC – Como o senhor avalia o PIM?

Jorge Daou – O Polo Industrial de Manaus é a base da economia do Estado do Amazonas. O governo deve olhar para as empresas incentivadas do setor com muito cuidado porque são as grandes geradoras de empregos e riqueza no Estado.

JC – Para combater a crise, as empresas estão querendo que o governo prorrogue os pacotes de incentivos fiscais até o fim do ano, como o senhor vê essa situação?

Jorge Daou – Não conheço essa situação, mas acho que o governo tem que ver isso com muito cuidado porque a pior coisa é fábrica fechar. Tem que fazer tudo para manter o setor produtivo funcionando normalmente, gerando emprego. O governo tem que fazer o que for possível, nem mais nem menos.

JC –Mesmo correndo o risco de reduzir a arrecadação?

Jorge Daou – Sim, mas não tem outra alternativa, o que se vai fazer?

JC –E melhor arrecadar menos e manter as fábricas funcionado?

Jorge Daou – Todo mundo tem que apertar o cinto, não tem jeito.

JC – No ramo de imóveis, quais as áreas mais privilegiadas da cidade hoje?

Jorge Daou – Se tratando de comércio e escritórios é a região do Vieiralves, Adrianópolis e a Djalma Batista.

JC – E a área da Ponta Negra?

Jorge Daou – É mais solicitada para imóveis residenciais, apartamentos.

JC – Quais as novas tendências quando o Vieiralves ficar estrangulado?

Jorge Daou – Existe uma tendência de verticalização, inclusive tem muitos prédios em construção que ficarão prontos nos próximos dois anos. Em linhas gerais, cada bairro vai continuar tendo seu centro comercial e na medida que vai aumentando a renda da população na periferia, o comércio vai aumentando e melhorando.

JC – A zona leste é uma alternativa viável?

Jorge Daou – Sim, tem uma atividade comercial muito forte que vai continuar até porque atraiu muitas lojas de grande porte para lá.

JC –O que precisa melhorar em Manaus?

Jorge Daou – A infraestrutura de trânsito.

JC – Que alternativas o senhor aponta?

Jorge Daou – Construir viadutos, abrir novas ruas e proibir estacionamento em ruas movimentadas a exemplo da Djalma Batista. Temos que admitir que somos mal-educados no trânsito.Todo mundo para onde não pode. Tem que viabilizar novos estacionamentos.

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