A pandemia do coronavírus colocou a economia do planeta dentro de um redemoinho, e não tem sido diferente para as startups, afinal, elas dependem de investidores e, com a atual crise, as reservas financeiras raramente estão disponíveis, porém, se uma das características das startups é o desafio, então, este é o momento.

Com a atual situação, dois cenários foram colocados diante das startups: o primeiro é o que foi mais afetado pela crise. Sem conseguir o crédito oferecido pelo governo, muitas delas se viram perdidas e sem capital para manterem seus negócios. O segundo cenário é o das oportunidades que startups de alguns segmentos encontraram na crise. Diversos mercados estão com boas possibilidades para começar um negócio oferecendo serviços que atendam as novas demandas trazidas pela pandemia.

“Eu iria além, vendo dois outros cenários, e os dois com ótimas perspectivas. No primeiro, os investidores sempre foram atraídos pelas possibilidades de alto retorno das startups, o que se tornou mais relevante agora em momento de juros baixos, já que as aplicações financeiras estão com retornos na menor faixa histórica; e o segundo, a queda dos juros aumentou muito o capital disponível para investimentos”, destacou Emanuel Pessoa, advogado, especializado em política econômica internacional.

Segundo a pesquisa ‘O impacto da pandemia do coronavírus nos pequenos negócios’, realizada pelo Sebrae entre os dias 3 e 7 de abril, 60% dos donos de pequenos negócios que buscou crédito no sistema financeiro desde o início da pandemia do coronavírus teve o pedido negado. O levantamento, que ouviu 6.080 empreendedores de todo o país, mostrou que além da dificuldade de acesso a crédito, 88% dos empresários ouvidos viram seu faturamento cair (a perda foi de 75% em média).

“É nessa hora que o empreendedor deve mostrar outra habilidade: a de negociar. Ele deve ter um pitch conciso, no qual explique, de forma sucinta e eficiente, o modelo de negócios e as possibilidades de retorno do capital. Isso vai permitir que consiga reuniões com os investidores, nas quais, aí sim, as explicações deverão ser mais robustas, com apresentação do plano de negócios e número os mais precisos possíveis, o que maximizam as chances de obter o investimento”, ensinou o advogado.

As novas tendências

Sem que as pessoas percebam, novos comportamentos foram, e estão sendo, moldados em virtude da pandemia. É daí que têm surgido as novas oportunidades de negócios. O Google for Startups na América Latina fez uma análise e detectou várias startups que, valendo-se da pandemia e do pós-pandemia, idealizaram empreendimentos dentro das principais tendências que surgiram.

A pesquisa do Google mostrou que 38% das pessoas passaram a querer refeições rápidas e lanches. Brigadeiros, coxinhas e pães de queijo apareceram como os mais solicitados. Ainda, de acordo com a pesquisa, entre março e abril o delivery cresceu 30% no país. Quem já trabalhava com o serviço, ou quem começou a trabalhar com a pandemia, viu suas vendas se manterem, ou aumentarem.

Móveis, principalmente para o home office, tiveram um aumento nas vendas, bem como kits de maquiagem.

A pesquisa do Google mostrou também que 65% dos pesquisados disse estar estudando ou trabalhando em casa, e 18% querem começar a fazer cursos online.

Empresas que prestam apoio financeiro a quem não sabe lidar com suas finanças foram outras tiveram um aumento de procura.

“Seja qual for o tipo de startup, é importante que o investidor seja devidamente informado de como o capital vai ser utilizado, porque a maioria dos contratos de investimento amarra a destinação do dinheiro. Dito isto, ele pode ser usado tanto para manter a empresa quanto para desenvolver um novo produto. O melhor caminho é consolidar um produto ou serviço existente antes de criar um novo, ou, se o existente não está dando o retorno esperado, pivotar (mudar), criando um novo”, disse Emanuel.

“Os principais pontos são o time da startup, seu nível de dedicação e mindset, além do modelo de negócios e estratégia de conquista de mercado. Esses pontos são decisivos para se chegar a um número satisfatório em uma negociação de investimentos”, completou.

Fidelizar a marca

Mas é importante lembrar que o comportamento dos consumidores pode alterar de acordo com as mudanças da pandemia. São comportamentos em transformação. As startups devem sim aproveitar esse momento de alta nas vendas, mas o mais importante é fidelizar sua marca.

“É hora de destacar sua empresa e ganhar o pensamento dos seus consumidores, o que também é conhecido como ‘top of mind’. Quando eles toparem com um certo problema, como os diversos enfrentados durante esta pandemia, logo pensarão na solução promovida pela sua empresa”, aconselhou André Barrence, diretor do Google for Startups na América Latina.

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