18 de maio de 2021

Indústria já espera ampliação das restrições em fevereiro

A indústria incentivada de Manaus já espera uma renovação do Decreto nº 43.303, de 23 de janeiro, que instituiu medidas mais severas para o setor, até 31 de janeiro. Lideranças do PIM ouvidas pela reportagem do Jornal do Commercio concordam que, embora a maior parte das fábricas já trabalhasse com um turno, em função das limitações de circulação de pessoas do decreto anterior (43.282/2021), a nova restrição é significativa para as empresas. Mas, concordam que o caótico cenário sanitário do Amazonas impõe a necessidade de um novo sacrifício, sem expectativa de contrapartidas governamentais. 

Para o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas) e presidente do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus), Wilson Périco, as restrições devem durar de três a quatro semanas, dado o tempo de maturação da doença até seus sintomas mais graves e o período comparativamente mais longo de internação das vítimas da segunda onda de covid-19. Mas o executivo ressalta que as contaminações não se dão no ambiente fabril  

“Temos um nível de letalidade menor, neste ano. Mas, a contaminação e o tempo de recuperação dos pacientes são muito maiores. Vemos nos hospitais o reflexo de atitudes de 30 dias atrás, nas festas de fim de ano. Por esse motivo, a taxa de ausência de funcionários no trabalho passou de 2,2% para 3,3% em dezembro e chegou a 16%, na primeira semana de janeiro. Com o retorno das férias, já caiu para 10%, na semana passada, e deve continuar assim”, argumentou.     

No entendimento do dirigente a indústria local tem prestado sua colaboração para minimizar os efeitos da pandemia “desde sempre”. No começo de janeiro, o setor se movimentou para doar 43 mil metros cúbicos de oxigênio aos hospitais do Amazonas, além de acertar que não receberia novas remessas do insumo, para que 100% de sua produção fosse direcionada às unidades de saúde local.

Indústria assegurou que não receberia novas remessas de oxigênio

“A indústria não quer ser problema e seguirá o decreto à risca. Só discordo da recomendação da PGR [Procuradoria Geral da República]. O governo do Estado já havia tomado medidas severas, com o toque de recolher inicial, e as fábricas já estavam trabalhando com um turno. Entendemos que os trabalhadores correm mais risco fora das empresas do que dentro delas, onde há, inclusive, serviços ambulatoriais que ajudam a desafogar a rede pública de saúde. O primeiro atendimento costuma acontecer dentro das fábricas. Participamos da reunião com o governador e colocamos isso a ele”, reforçou.    

Carta circular

Na mesma linha, o presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas) e presidente do Sindicato das Indústrias Químicas e Farmacêuticas de Manaus, Antonio Silva, afirma que o setor industrial está cumprindo com o que foi decretado e ressalta que a entidade expediu uma carta circular às empresas para reiterar o cumprimento das restrições de funcionamento e se colocar à disposição para quaisquer orientações. 

“Todas as empresas estão imbuídas dos melhores propósitos para auxiliar nesse momento de grave crise. O governo e os seus secretários, por certo, saberão, no futuro, avaliar como poderão incentivar uma recuperação que atenda aos interesses da população. Para que sejam criados empregos e investimentos necessários para uma reação econômica, que não será apenas de um lado, mas de todos que lutam para vencer essa verdadeira guerra”, asseverou. 

Cuidados e diretrizes

Indagado sobre os impactos do Decreto nº 43.303, o presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus, e vice-presidente da Fieam, Nelson Azevedo, observa que a indústria não tinha limitação efetiva de jornadas, até então, desde que adequasse seus horários de entrada e saída ao toque de recolher de 19h às 6h. Com as mudanças, a estratégia que já estava sendo adotada pela maioria das empresas – apenas um turno de trabalho, de 6h às 19h – passou a ser uma imposição ao setor, com exceção das fábricas enquadradas como atividades essenciais. 

Em entrevista anterior à reportagem do Jornal do Commercio, Azevedo havia apontado que o toque de recolher criava reveses pelo descasamento com horários de entrada e saída de funcionários, e que algumas empresas com maior verticalização em suas plantas enfrentavam dificuldades para adequar o ritmo de trabalho em linhas de fundição, pintura e injeção plástica, entre outras – que, antes, eram destinadas ao segundo e terceiro turno. Mas, o dirigente concorda que o momento é de todos fazerem o possível para achatar a segunda onda de covid-19 no Estado.

“A indústria acatou com concordância as medidas mais restritivas publicadas pelo Executivo estadual e as apoia. Entendemos que irão contribuir para a diminuição de contágio pelo novo coronavírus e, consequentemente, reduzirão as internações hospitalares. Cuidar dos nossos funcionários, dos seus familiares e da comunidade em geral vai ao encontro as diretrizes da indústria. As medidas foram estabelecidas em caráter emergencial e todos devem dar a sua parcela de sacrifício para viabilizar a contenção da covid-19, sem nenhuma compensação de qualquer natureza para a indústria”, finalizou.

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