Novo coronavírus coloca PIB do Amazonas em quarentena

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Projeção do crescimento econômico é impactada pelos efeitos da pandemia, segundo avaliação da Sedecti

A pandemia do Covid 19 deve comprometer o desempenho do PIB amazonense em 2020, mas ainda não há como mensurar a eventual retração, que vai depender da extensão da crise e da resposta das autoridades. Esta é a avaliação do titular da Sedecti (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação), Jório Veiga, concedida ao Jornal do Commercio. 

Na quarta (11), a OMS (Organização Mundial da Saúde) decidiu classificar o oficialmente o novo coronavírus como uma pandemia, o que gerou mais pânico nos mercados financeiros mundiais, assim como medidas mais restritivas ao trânsito de pessoas, por parte dos governos de diversos países, com consequências negativas na economia global.

Dois dias antes, no material de divulgação dos números do PIB do Amazonas consolidadas no quarto trimestre de 2019, embora não disponha de números de projeção, a Sedecti ainda avaliava que a tendência positiva expressada pela economia amazonense ao longo do ano passado – que colocou o Estado em um ponto fora da curva em relação ao desempenho brasileiro (+1,1%) – poderia ser replicada em 2020.

Estudo elaborado pela secretaria estadual, com dados do IBGE, informa que o PIB do Amazonas foi de R$ 26,884 bilhões no quarto trimestre de 2019, uma expansão de 5,76%, em números brutos. Descontada a inflação do IPCA, o incremento foi de 1,39%. O resultado do acumulado apontou para altas de 5,34% (nominal) e 0,99% (real) na economia estadual, que acumulou R$ 103,075 bilhões ao final de 2019.

A Sedecti aposta em projetos de interiorização da economia, entre outras frentes, para alavancar o PIB do Amazonas em 2020. Um dos exemplos vem da implantação do Bio Darpe (Distrito Bio Agroindustrial da Amazônia – Polo Preto da Eva), uma ação intergovernamental entre a prefeitura do município vizinho e os governos estadual e federal, que envolve investimentos de R$ 150 milhões, expectativa de gerar 10 mil empregos naquela cidade.

“O governo está absolutamente focado na implementação de projetos que vão impulsionar fortemente o crescimento econômico como um todo”, declarou Jório Veiga, no texto distribuído por sua assessoria de comunicação.

Agricultura e pecuária

Embora ainda minoritária na economia amazonense, a agropecuária foi justamente o setor que apresentou o maior crescimento percentual na comparação entre os quartos trimestres de 2019 e de 2018 (+9,21%), chegano a R$ 1,942 bilhões. Em 12 meses, o setor primário respondeu por R$ 7,447 bilhões, tendo avançado 8,77%.

A maior parte das riquezas produzidas pelo setor ao longo do ano veio da agricultura (R$ 4,223 bilhões), que subiu 6,46%, sendo alavancada pelas altas nas safras de mandioca (+58,11%), milho (+47%) e arroz (+19%), conforme o IBGE. Os segmentos de pecuária (R$ 2,073 bilhões) e produção florestal e pesca (R$ 521 milhões) vieram na sequência, com altas respectivas de 14,20% e de 1,58%. 

Comércio e serviços

Majoritário no PIB do Amazonas (51,92%), o setor de serviços contabilizou R$ 13,958 bilhões no quarto trimestre do ano passado, tendo avançado 6,88% em relação ao mesmo período do exercício anterior. O confronto dos dados consolidados dos 12 meses de 2018 apontou para uma diferença de 6,46% e R$ 53,515 bilhões.

Entre os 11 segmentos que compõem o setor de serviços no Amazonas, o destaque em volume gerado ao longo de 2019 veio da administração pública (R$ 18,042 bilhões) e dos serviços de manutenção e reparação (R$ 10,120 bilhões). As maiores altas nominais ficaram nos serviços domésticos (+16,04% e R$ 853 milhões) e nos serviços de comunicação e informação (+14,01% e R$ 1,598 bilhão). 

No caso do varejo, a alta já havia sido antecipada pela Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE. A sondagem, indicou que o setor alcançou crescimento de 10,49% no volume de vendas e de 15,44% na receita nominal, na comparação com o quarto trimestre de 2018.

Indústria de transformação

Segunda em tamanho, e respondendo por 29,53% do PIB do Amazonas, a indústria viu seu resultado subir 5,24% no último trimestre de 2019 (R$ 7,939 bilhões). Em 12 meses, conjunto de riquezas produzidas pelo setor acumulou R$ 30,440 bilhões, 4,83% a mais do que em 2018.

A performance foi alavancada pela indústria de transformação, que representa 80% da manufatura amazonense e subiu 7,18% no último trimestre de 2019 (R$ 6,375 bilhões). No acumulado dos 12 meses do ano passado, o resultado aumentou para R$ 24,441 bilhões, uma diferença de 6,75%.

As atividades com a maior expansão no volume de produção do período analisado foram impressão e reprodução de gravações (+76,34%), fabricação de máquinas e equipamentos (+35,08%) e fabricação de bebidas (+23,40%), de acordo com a Pesquisa Industrial Mensal do IBGE.

Um dado negativo do PIB veio da construção civil (-4,78% e R$ 2,892 bilhões). O mesmo IBGE aponta, por outro lado, que a produção da indústria extrativa do Amazonas recuou 3,95% no comparativo dos trimestres, em decorrência da menor produção de petróleo. Dado que petróleo e gás natural são cotados em dólar, o segmento se saiu melhor na composição do PIB (+6,97%), graças à escalada do dólar do final do ano – bem antes da eclosão do Covid 19 no panorama global. 

“Os efeitos da pandemia devem impactar a economia local, com possível redução de indicadores, mas não há como projetar margens de queda. É importante destacar que trata-se de uma crise global e que a força produtiva de todos os países são atingidas indistintamente. Mas deve-se evitar o pânico. É preciso equilíbrio e atenção para superar esse período de turbulência”, encerrou Jório Veiga.

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