Nove mil empregos são extintos no Amazonas, aponta Novo Caged

A crise do Covid-19 fez o Amazonas emendar, em abril, seu segundo saldo negativo mensal de empregos com carteira assinada, após as altas registradas em janeiro e fevereiro. No total, 14.292 trabalhadores foram mandados embora, superando de longe o volume de contratações do período (5.709). Houve recuo de 2,07% no saldo, que apontou para a extinção de 8.583 vagas, a maior parte em Manaus (-2,14% e -8.075). 

Foi o pior número do Estado para a série histórica fornecida pelo “Novo Caged”, divulgado pelo Ministério da Economia, nesta quarta (27). Também foi a queda relativa mais acentuada na região Norte (-1,52%), embora tenha perdido para a média nacional (-2,21%). Com exceção da administração pública, praticamente todos os setores econômicos promoveram cortes em seus contingentes, diante do avanço da pandemia e no rastro dos impactos econômicos das medidas de isolamento social.

No acumulado dos quatro meses do ano, o resultado foi ainda pior, levando o Estado a amargar o primeiro resultado negativo de 2020 neste tipo de comparação. De janeiro a abril, foram extintos 9.010 empregos celetistas, já que as admissões (+45.869) nem encostaram nos desligamentos (-54.879). com isso, a variação no número de postos de trabalho em relação ao estoque do exercício anterior foi negativa em 2,18%.

Dos oito setores econômicos listados pelo Caged, sete fecharam no vermelho, e apenas administração pública teve saldo positivo (+165 vagas), na comparação mensal. O corte de postos de trabalho foi carreado pela indústria de transformação (-2.544), comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas (-2.164), construção civil (-1.578) e os serviços de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias e administrativas (-959). 

Os outros resultados negativos registrados na passagem de março para abril vieram de agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (-29), indústria extrativa (-116), e dos serviços de transporte, armazenagem e correio (-532), de alojamento e alimentação (-737) e “outros serviços” (-89). Os dados do “Novo Caged” divulgados à imprensa não incluíram a variação mensal para os setores econômicos nos Estados, nem os desempenhos destes no acumulado.

Fábricas “entupidas”

Embora a indústria de transformação tenha a atividade econômica que mais eliminou empregos com carteira assinada em nível local, o vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas) e presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus, Nelson Azevedo, garante que o setor fez todo o possível para evitar as demissões, adotando a redução de jornada com diminuição de salário, ou a suspensão dos contratos de trabalho.

O dirigente diz que a situação é ainda pior entre os fabricantes de componentes do PIM e diz que há empresas que fecharam abril com faturamento equivalente a 20% da média registrada no primeiro trimestre do ano. Em paralelo, as fábricas componentistas do Distrito Industrial estão “entupidas” de partes e peças, sem possibilidade de saída.  

“A indústria faz o possível, mas o fechamento do comércio e dos transportes ajudou a derrubar a demanda. E as medidas provisórias do governo não estão sendo operacionalizadas pelos bancos. Abril e maio, possivelmente, serão os piores meses para os empregos no Distrito. Isso desde que haja a flexibilização para o funcionamento do comércio que estamos esperando, e não ocorra uma segunda onda. Por isso, é importante que as pessoas se cuidem, evitando aglomerações, usando máscaras e higienizando as mãos”, frisou. 

Desinformação e inadimplência

De acordo com o presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens e Serviços do Amazonas), Aderson Frota, as medidas de suspensão de contratos e de corte jornadas e de salários não tiveram amplitude no setor, em virtude da desinformação. O dirigente informa que 90% da atividade vem de micro e pequenas empresas e que a maior parte delas não optou pelas alternativas oferecidas pelas MPs, a despeito da orientação da entidade.

“O varejo está vivendo um momento dificílimo, quando poderia estar operando, seguindo os protocolos de segurança e tomando todos os cuidados necessários. As empresas permanecem de portas fechadas e 59% delas já estão inadimplentes com o ICMS. Infelizmente, embora seja responsável pela maior parte da arrecadação e das contratações no Estado, o comércio é apontado pelos cientistas e pela academia como vilão da pandemia. E não usufrui dos mesmos benefícios concedidos pelo governo estadual à indústria, como o adiamento do pagamento de tributos”, desabafou. 

Abalos na agropecuária

O impacto pelo fechamento das lojas de comércio e serviços na capital, como medidas preventivas para evitar a propagação do coronavírus, registrou abalos tão fortes, que se estenderam também ao setor primário e aos municípios do interior, destaca o presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço. O dirigente, contudo, se diz otimista para o médio prazo.

“O setor agropecuário também foi impactado pela pandemia. Segmentos rurais que comercializam produtos como frutas, hortaliças, queijo, dentre outros para bares e restaurantes estão sentindo mais pela paralisação desses estabelecimentos. Consequentemente, tiveram sua empregabilidade prejudicada pela crise do Covid-19. A expectativa é que, nos próximos meses, a situação melhore, em razão da retomada da atividade econômica”, encerrou. 

Fonte: Marco Dassori

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