Nova selic gera queda de consumo no AM

O aumento da Selic (taxa básica de juros) em 0,5 ponto percentual –de 8,5% para 9% ao ano –deve causar leve queda no consumo em Manaus, avaliam lideranças empresariais. A elevação da selic foi anunciada pelo Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) na última quarta-feira e não surpreendeu analistas do mercado financeiro nem o varejo local.
Segundo o presidente da Fecomércio (Federação do Comércio do Estado do Amazonas), José Roberto Tadros, a pequena redução nas vendas no varejo é um resultado natural do aumento na taxa de juros. Ele avalia, porém, que o governo agiu de forma pensada para conter um aumento descontrolado no consumo interno.
“O governo tomou medidas no sentido de restringir o crédito e reduzir a dolarização. Se a inflação estava na faixa de quase 7% com tendência de alta, e a remuneração total de quem investia em título do governo era de 7%, o investidor se depararia com uma situação vexatória e deixaria de poupar”, analisou. Tadros ressaltou ainda que a economia é um processo em cadeia, onde uma ação atinge ou reflete em outros setores econômicos.
O aumento na selic já era esperado em todo o país. Especialistas apostavam de forma quase unânime no aumento de 0,5 ponto percentual como forma de manter a economia sob controle.

Desoneração e incentivo

De acordo com o presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ismael Bicharra Filho, mesmo diante das medidas de contenção da inflação tomadas pelo governo, o segundo semestre deve apresentar resultado positivo para o varejo local. Ele avalia que o segundo semestre ainda é o melhor período do ano para o varejo e, com o adiantamento do 13º salário para o funcionalismo público já concedido –e agora com os pensionistas e aposentados –a economia será aquecida, assegurando um resultado positivo.
“Saímos de uma incerteza nos caminhos da economia e vamos acreditar nos percentuais que o ministro está falando. Pelo menos ele está sendo mais coerente agora. Às vésperas de um ano eleitoral majoritário, o governo tem que mostrar números positivos esse ano e deve fazer mais, como alguma desoneração, ou dar algum incentivo ao mercado. Alguma coisa ele tem que fazer”, desabafou.

Solução é liquidar

O economista, José Fernando Pereira da Silva também prevê uma retração no consumo e queda nas vendas do varejo. “É obvio que vai refletir no consumo, porque nós temos inflação e elevação na taxa de juros. Haverá uma queda no nível de consumo da população, inclusive no setor de passagem aérea para o exterior, que também vai sofrer queda expressiva por causa da elevação do câmbio”, alertou.
José Fernando afirmou que a solução para amenizar os efeitos da retração no varejo ainda está nas promoções e na liquidação de mercadorias e produtos mais consumidos. “Só existe um antídoto: são as promoções, antecipar alguma liquidação ou promoção, é isso que tem que ser feito”, sugeriu.

Selic de 10% ao ano

Na análise do economista Alex Del Giglio, além de desestimular o consumo, o aumento da taxa Selic também deve causar uma rigidez maior no crédito ao consumidor que terá mais exigências durante o processo de liberação. “A economia já está retraída e deve se retrair ainda mais. Até porque o Copom já sinalizou que deve aumentar a taxa de juros nas próximas reuniões ainda neste ano”, analisou. O especialista na área financeira acredita que a Selic deverá fechar 2013 entre 9,75% a 10% ao ano.

Inflação + dólar

Inflação em alta e dólar valorizado forçaram o Copom a elevar Selic para 9% ao ano, continuando uma trajetória de alta que iniciou em abril, quando a autoridade monetária elevou a taxa básica de juros de 7,25% – mínima histórica -para 7,5%, chegando a 8,5% em junho. A decisão é válida até o próximo encontro do comitê, agendada para outubro.
No comunicado que acompanhou a decisão, o BC (Banco Central) reafirmou que a inflação constitui um risco para a economia, deixando claro que novas elevações na taxa básica de juros devem ser esperadas. “O comitê avalia que essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano”.

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