6 de maio de 2021

Nova rodada do auxílio emergencial decepciona

Com valores bem distantes do ideal para reduzir a diferença nos lares em todo país, o governo federal liberou ontem, (6), o pagamento das novas parcelas do auxílio emergencial. A redução na oferta para esta nova fase, reflete a Pesquisa PoderData ao revelar que 82% dos brasileiros consideram que os valores anunciados pelo governo neste momento são baixos. O valor médio de R$ 250  é suficiente para 15% e 1% acham que o valor é alto. Na região Norte, 78%, dos entrevistados concordam que o decréscimo no valor não é suficiente. 

Além da redução no valor do auxílio, 22 milhões de brasileiros foram cortados da nova rodada. É o caso da desempregada Rafaela Dias, que recebeu a ajuda no ano passado e até o momento permanece de fora da lista de contemplados. “Eu quero entender o motivo porque a minha situação permanece a mesma do ano passado. Estou sem ocupação, sou mãe solteira e  tenho uma filha”.

A inspetora de qualidade Daniela Vitória, também está com a mesma dúvida. Sem trabalho há mais de um ano, ela recebeu o recurso normalmente em 2020, mas, este ano,  recebeu a mensagem que ‘não há informação de parcela do Auxílio Emergencial disponível para você’. “Após essa mensagem pedem que a gente acesse o site do governo, mas não direcionam. 

Aproximadamente 45,6 milhões de brasileiros estão na lista de beneficiados da nova rodada e contará com parcelas de R$ 150 a R$ 375, considerando  a composição familiar.

Opinião

Ao avaliar os cortes na concessão, o economista e professor do Departamento de Economia e Análise da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), Mauro Thury de Vieira Sá, diz que  a redução nas parcelas pode frustrar até os esforços de enfrentamento da pandemia. “Isso é até mais importante que o crescimento econômico. O auxílio deveria ser combinado com estratégias de distanciamento físico para ter duplo efeito: reduzir a circulação do vírus e melhorar as expectativas econômicas como decorrência do melhor enfrentamento da crise sanitária”. 

Ele reitera que a tendência dessa ausência de  estratégia é de dependência maior da vacinação. Mas a própria OMS expõe que a vacinação é um dos meios de enfrentamento da Covid-19, mas não o único. “Isso reduz as chances de êxito no combate à pandemia. Ela tende a se prolongar mais no país, frustrando expectativas econômicas”. Apesar do valor mais baixo, ele considera que o recurso surtirá efeito no cenário econômico, porém bem menos do que no ano passado. “Não só por conta do valor, mas também por estar desvinculado de uma estratégia consistente de enfrentamento da pandemia”. 

Valores não cobrem necessidades básicas

Vale lembrar que muitas pesquisas e análises de especialistas, justificam  que os valores disponibilizados pelo governo estão totalmente abaixo do necessário para os mais vulneráveis.

Paola Carvalho, diretora de Relações Institucionais da Rede Brasileira de Renda Básica e uma das porta-vozes da campanha #auxiliateofimdapandemia, reforça isso. “Este ano, com a limitação do teto de gastos em R$ 44 bilhões, 22 milhões de brasileiros foram cortados da nova rodada e ficarão sem qualquer tipo de proteção social”.

Para ela, o governo tem condições de rever suas metas e buscar recursos para, neste momento extremo, acelerar a vacinação e pagar um auxílio digno”, completa a diretora. No ano passado, o auxílio emergencial injetou R$ 321,8 bilhões na economia, beneficiando, direta ou indiretamente, 126 milhões de pessoas.

Dados do IBGE divulgados semana passada apontam que há no país atualmente 14,3 milhões de brasileiros desempregados. “Dia após dia, são computados também recordes de mortes por Covid-19. Sem vacina, sem renda, sem emprego, sem comida, os brasileiros mais vulneráveis seguem arriscando a vida em uma escolha perversa entre morrer de fome ou ser vítima do vírus. São os que precisam sair de casa para buscar uma ocupação de qualquer jeito para garantir algum alimento para a família”, complementa Paola.

Levantamento, feito pela coordenação da campanha #auxilioateofimdapandemia, com base na Pnad (Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio), revela que o número de pessoas na extrema pobreza chegou a 17,3 milhões, no início deste ano, logo após o fim do auxílio emergencial. A mesma análise mostra ainda que o país retrocedeu 15 anos em cinco, registrando mais de 84 milhões de pessoas vivendo algum grau de insegurança alimentar -quando o acesso regular e a disponibilidade de alimentos são escassos. Entre os mais afetados estão as mulheres, os negros, a população rural e os moradores do Norte e Nordeste do país.

Por dentro

Vale lembrar que no ano passado, o auxílio emergencial com os valores de R$ 600 e R$ 1.200,00 para mães-solo só foram possíveis após ampla mobilização e pressão de organizações e movimentos sociais reunidos no movimento Renda Básica Que Queremos. Atualmente, fazem dele quase 300 organizações que integram também a campanha #auxiliateofimdapandemia.

Foto/Destaque: Divulgação

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