Nova realidade do gestor financeiro e gestor contábil

Durante muitos anos, no Brasil, algumas situações específicas da economia marcaram fortemente a atuação dos profissionais das áreas contábil e financeira. Duas foram (e uma delas, ainda é) as principais: a alta inflação e a confusa e elevada carga tributária.
As taxas elevadas de inflação, desde a década de setenta do século passado, foram as responsáveis pela separação das atividades contábeis das atividades financeiras, pela concentração dos esforços do gestor financeiro nas operações de tesouraria e pelo afastamento do gestor contábil das atividades de planejamento orçamentário, contabilização e análise de custos e a preparação de informações gerenciais para a decisão.
A elevada carga tributária, por sua vez, se encarregou de retirar da contabilidade o seu caráter de controle e a jogou ao planejamento fiscal nas grandes empresas e à busca de soluções alternativas nas pequenas e médias empresas, levando o contador, nestas, a cumprir um papel eminentemente voltado para os aspectos fiscais da atividade.
Felizmente, esta situação está mudando. Pelo menos, nas maiores empresas.
Hoje em dia, em decorrência das fortes pressões que a gestão financeira vem sofrendo de todos os lados, internamente e externamente às empresas e, sobretudo devido aos avanços da informática, que ligou definitivamente os sistemas contábeis aos sistemas financeiros, não faz mais sentido um profissional dizer-se da área financeira sem conhecer muito bem a área contábil, como também não faz sentido um profissional da área contábil dizer que não conhece muito bem a área financeira.
A queda da inflação e, mais recentemente a redução contínua da taxa de juros, trouxe para a ordem do dia das empresas, entre outras, a questão do planejamento financeiro, da necessidade de controlar os custos e do imperativo de vender a prazo analisando o risco dos clientes. E isto, somente se faz com uma boa informação contábil.
Nas grandes empresas, os procedimentos de governança corporativa, as exigências de controle da aplicação de legislação mais rígida, os comitês de auditoria, além, de normas mais fortes do órgão controlador – a CVM(Comissão de Valores Mobiliários) fez com que as atividades dos gestores financeiros e contábeis retomassem o seu papel tradicional.
O problema ainda está localizado nas pequenas e médias empresas. Nestas, a pressão para mudanças ainda é pequena. Já começou, mas é pequena. A elevada carga tributária ainda é um atrativo para a busca de soluções alternativas de planejamento fiscal.
Contudo, o crescimento econômico irá dar uma contribuição decisiva para este problema. Certamente, quando estas empresas perceberem as vantagens da formalidade completa e das boas práticas contábeis, os gestores financeiros e contábeis a elas ligados passarão a fazer parte desta nova era das duas referidas áreas.
Sob a ótica da educação, recai sobre as escolas, sobretudo naquelas que procuram atuar como escolas de negócios – seja nos cursos de graduação, seja nos cursos de pós-graduação – uma grande responsabilidade: atender a este mercado, formando profissionais com perfil adequado a estas novas demandas e em tempo para integrá-los, o mais rapidamente possível, aos setores produtivos.
Cabe às escolas, em atenta observação às normas reguladoras do Ministério da Educação, as quais apresentam atualmente, em termos das diretrizes curriculares, orientação suficientemente flexível para atingir estes objetivos, promover as alterações necessárias em seus projetos pedagógicos, de forma a contribuir decisivamente com este momento muito rico por que passam estas duas áreas.

Armando de Santi Filho é diretor da Trevisan Escola de Negócios. E-mail: [email protected]

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