Nova fábrica para o Kito’s

Curioso como determinadas marcas, de tão fortes, passam a identificar o produto. O exemplo clássico é o Bombril. Todas as demais marcas de palhas de aço parecem ser Bombril. No Amazonas temos um produto assim. O Milhitos, salgadinhos de milho tipo snack, lançados em 1980 pela Jack’s Amazônia, até hoje, mesmo estando fora do mercado há anos, identificam os demais snacks. Mas um jovem empresário, de apenas 24 anos, Yago Heron Veloso, trabalha para que seus snacks Kito’s, seja um divisor de. salgadinhos.

Yago trabalha com os pais Gildásio e Ana Cleide, desde os 16 anos no supermercado Nova Califórnia, no bairro da Paz, pertencente à família. “Sempre vendemos os snacks de outros fabricantes (segundo Yago, existem quatro em Manaus) aqui no supermercado e é um produto que vende muito, mas quando resolvemos fabricar um produto nosso mesmo, escolhemos material de limpeza tipo água sanitária e detergente. Ficamos um ano fabricando esse material até que resolvemos focar em alimentos e, entre os alimentos, detectamos que os snacks eram os que mais vendiam”, contou.

Há sete anos os primeiros Kito’s começaram a sair da linha de produção. “Alguns fatores contribuíram para que a ideia se concretizasse, porque pode parecer fácil montar uma indústria de salgadinhos de milho, mas não é. É tudo muito complexo desde a preocupação com o que se vai produzir em termos de alimento até o maquinário caríssimo. Tivemos a sorte de encontrar máquinas, aqui em Manaus, com preços acessíveis, de empresas que haviam falido. São máquinas nacionais e algumas chinesas, nacionalizadas”, contou.

A matéria-prima para os snacks é o milho granulado, comprado fora de Manaus. “Depois que a matéria-prima entra na máquina ela passa por alguns processos começando com a homogenização com água, depois a saborização (quando adquire o sabor) até a extrusão (quando recebe o formato característico), no nosso caso chamado de camarãozinho”, contou.

Atualmente o Kito’s é produzido com quatro sabores: queijo, presunto, pizza e o mais recente, amanteigado. “Estamos preparando o lançamento de mais dois sabores, o churrasco e o cebola e salsa, em parceria com o pessoal da Engenharia de Alimentos da Ufam. A produção desses sabores é feita numa empresa em Recife”, acrescentou.

Vantagens com a crise
Yago revelou alguns números da produção de Kito’s. “São 40 toneladas/mês de milho granulado, mais de quatro mil litros d’água, além de 14 mil quilos de gordura para saborizar. Nossa principal preocupação é com a qualidade nutricional dos snacks, porque nosso principal cliente são as crianças. A gordura que utilizamos é de palma”.

O óleo é extraído da polpa do fruto da palmeira oleaginosa Elaeis guineensis por prensagem mecânica, sem uso de solventes ou outras substâncias químicas. O refino é feito usando-se apenas produtos naturais no seu processamento (ácido cítrico e terra não ativada), diferente dos processos convencionais de refino químico nos quais usa-se soda cáustica para a neutralização dos ácidos graxos livres.

“O Kito’s também é livre de glúten e gordura trans e o corante utilizado é o urucum (erva utilizada há milhares de anos para curar e prevenir doenças graves e até mesmo aquelas com menos riscos de saúd e. O urucum é considerada como a erva do futuro). E reduzimos em 40% o sódio. Nosso objetivo é produzir um salgadinho saudável, que qualquer pessoa possa consumir sem preocupação. Todo esse processo é acompanhado por um químico responsável”, garantiu.

Funcionando num grande salão atrás do supermercado Nova Califórnia, Yago disse que o espaço ficou pequeno para a produção em ascensão e, em 2018, a fábrica irá mudar para um espaço maior, fora do bairro da Paz. “Parece mentira, mas a crise econômica no país foi vantajosa para nós. As pessoas tiveram seu poder de compra reduzido, mas queriam continuar a consumir os snacks, então migraram das grandes marcas, com preços bem mais altos que o nosso, para o Kito’s. Nossas vendas aumentaram na crise o que nos levou a pensar em novos investimentos”, disse.

Ganhando o mundo
“Todos os nossos funcionários, hoje em torno de 40, entre o supermercado e a fábrica, moram aqui no bairro da Paz, mas a nova fábrica será na zona Leste, e eles irão conosco porque estão com a gente desde o começo”, afirmou.

“Além de precisarmos de um espaço maior para as novas máquinas que estão chegando, tem outro motivo que nos leva para um local distante. Nossos próximos produtos serão cereais matinais, snacks mais sofisticados para um público disposto a pagar mais por eles, e pipocas, daquelas que parecem um isopor. Para se fabricar essas pipocas é usado uma espécie de canhão, que faz um barulho muito alto. Por isso a fábrica precisa ser isolada”, revelou. “Estamos realizando estudos para que os cereais tenham sabores regionais, começando com o açaí. Se algum pesquisador puder desenvolver sabores de tucumã, pupunha e coisas do tipo, pode nos procurar”, emendou.

Outro ponto que Yago gosta de destacar como fator de credibilidade de seu produto é a pré-venda realizada por ele mesmo. “Tenho uma equipe de vendedores visitando os estabelecimentos comerciais, mas gosto de ir pessoalmente na primeira visita, me apresentar, mostrar que sou o responsável pelo produto que eles irão comprar para revender. Não por acaso o Kito’s já está em 59 municípios do Amazonas e em Roraima e no Pará. Recentemente estive em Tabatinga e aproveitei para visitar a Colômbia e o Peru, e encontrei o Kito’s sendo vendido naqueles países. Um produto fabricado em Manaus e ganhando o mundo”, comemorou.

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