12 de abril de 2021

Norte e Nordeste esperam expandir receitas

Os negócios seguirão trajetória promissora no Norte e Nordeste do Brasil ao longo de 2010, indica pesquisa da Deloitte Touche Tohmatsu apresentada em evento da Amcham (Câmara Americana de Comércio)

Os negócios seguirão trajetória promissora no Norte e Nordeste do Brasil ao longo de 2010, indica pesquisa da Deloitte Touche Tohmatsu apresentada em evento da Amcham (Câmara Americana de Comércio). Quase a totalidade (97%) das empresas consultadas nessas regiões espera crescimento de receitas –uma expansão que deve ficar, na média, na casa dos 15% sobre 2009. Com foco em novas oportunidades e planos de ampliação das operações, 85% declaram intenção de elevar investimentos.
O estudo da Deloite, realizado junto a 40 companhias de diferentes portes e segmentos que atuam nessas regiões em outubro e novembro de 2009, aponta ainda que a mesma parcela de 85% dos respondentes já havia aumentado os investimentos em 2009 e que 72% computavam ampliação do faturamento em torno de 10% em 2009 na comparação com 2008.
“As empresas tiveram um 2009 complicado, mas, ainda assim, registraram bons resultados. Para 2010, as perspectivas são ainda mais positivas”, afirmou o gerente sênior de Consultoria Tributária da Deloitte, Sandro Melo, que participou na quinta-feira, 6, do “Encontro de Comitês – Norte e Nordeste no Radar do Mercado”. O evento foi promovido pela Amcham, entidade que reúne mais de 5.000 empresas associadas no Brasil e está presente em 11 cidades brasileiras.
O bom momento é explicado por uma conjunção de fatores, a começar pelo otimismo com a superação da crise internacional pelo país. Além disso, há a criação de empregos formais, projetos sociais do governo como o Bolsa Família, estímulos fiscais – sobretudo em termos de redução de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) em relação a outras localidades–, e importantes obras de infraestrutura (principalmente energética e logística), que abrem novas possibilidades de atuação em cadeia. Tratam-se de refinarias de petróleo, hidrelétricas, termoelétricas e modernização de portos e aeroportos.
Nesse cenário, os setores que se destacam pelo maior potencial de desenvolvimento são construção civil, petróleo e gás, açúcar e álcool, turismo, tecnologia da informação, máquinas e equipamentos e energia elétrica e saneamento.

Rede de contatos é essencial

O ponto inicial a que as companhias que pretendem se estabelecer no Norte e Nordeste precisam estar atentas é o entendimento dos aspectos culturais das regiões, bastante diferentes dos do eixo Sudeste-Sul, onde se privilegia a análise de expertise e processos. “No Norte e Nordeste, o relacionamento pessoal vem em primeiro lugar e depois os processos. Estabelecer uma rede de contatos é essencial para o fechamento de negócios. Os empresários querem conhecer bem as pessoas com as quais lidam. Não adianta uma aproximação fria e formal”, orientou Sandro Melo.
Nesse sentido, é fundamental que quem chega se cerque de profissionais locais competentes que conheçam bem as regras vigentes. É o que fez o Grupo Pão de Açúcar. Apesar de presente no Nordeste desde 1974, foi recentemente que a rede varejista mudou de paradigma e criou uma diretoria específica, transferindo poder de decisão à região.
De acordo com o diretor comercial do Pão de Açúcar, Leonardo Miyao, a medida auxiliou também no conhecimento mais profundo sobre os consumidores e na maior adaptação tanto de marcas quanto de produtos. “O grupo tinha fama de ser muito paulista”, comentou. O Pão de Açúcar investiu R$ 150 milhões em 18 meses no Nordeste e planeja que até 2012 a região responda por 15% de suas receitas contra os 10% atuais.

Gargalos de infraestrutura

Deve fazer parte da estratégia de quem chega ao Norte e Nordeste o uso da criatividade para desenvolver soluções e superar gargalos de infraestrutura relacionados a transportes e armazenamento. Isso porque, em que pesem os avanços obtidos desde 2002 na área de infraestrutura, as obras e os projetos setor não têm acompanhado o ritmo acelerado da economia regional.
Os participantes do painel na Amcham foram unânimes ao afirmar que tanto governos quanto a iniciativa privada devem prover capacitação técnica da mão de obra local para acompanhar o desenvolvimento. Conforme o consultor Sérgio Melo, da Deloitte, atualmente há um descompasso importante a ser corrigido entre a criação de vagas e a disponibilidade de profissionais com qualificações específicas para preenchê-las, situação que pode se agravar se não houver providências rápidas.

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