No Dia da Indústria, setor comemora superação

O Dia da Indústria traz a reflexão de que o setor encontra-se em uma encruzilhada. Por um lado, há a certeza de que a indústria amazonense conseguiu atravessar um período de crise sem precedentes durante a primeira e a segunda ondas da pandemia, mantendo produção e empregos, a despeito das oscilações, e com potencial de aproveitamento de demanda reprimida. Por outro, ainda pesam as incertezas inerentes não apenas aos impactos da crise sanitária e o risco de uma terceira onda, como também à Reforma Tributária que se costura em Brasília.   

Segundo dados fornecidos pela Fieam, o setor representa mais de um terço do PIB do estadual e mais de 32% do PIB Industrial de toda a região Norte. Com 2.787 estabelecimentos registrados, a atividade responde por 51,2% do total de ICMS do Amazonas. Também obteve a melhor performance de arrecadação do tributo, em abril (R$ 475,88 milhões), com elevações de 45% sobre o mesmo mês de 2020 e de 26% no acumulado do ano (R$ 1,74 bilhão).

A indústria é responsável também por 20,2% dos postos de trabalho com carteira assinada no Estado, e por 30,4% do emprego industrial da região Norte. Das 121.530 vagas cridas pelo setor, pelo menos 95 mil estão concentradas no PIM, entre mão de obra efetiva, temporária e terceirizada. O salário médio no Estado (R$ 2.946) supera a média nacional (R$ 2.792). O dado mais recente do Caged mostra que a indústria (+1.806) representou 70,68% dos empregos formais criados no Amazonas (2.555), no primeiro trimestre de 2021, com aumento de 1,70% sobre o estoque anterior.

De 2020 para cá, por outro lado, a indústria local enfrenta seu pior desafio na pandemia. Durante a primeira onda, mais da metade das empresas do PIM chegou a suspender as atividades em períodos e níveis variados, para manter a segurança de seus funcionários e para evitar superestocagem, já que a maior parte das cidades estava com seus comércios fechados. O parque industrial de Manaus teve de se reinventar para se adaptar à nova realidade e conseguiu manter produção e empregos nos mesmos patamares dos anos anteriores. 

A média mensal nas fábricas do Distrito Industrial, ao longo do ano, ficou em 94 mil postos de trabalho, a melhor dos últimos cinco anos, conforme números da Suframa. A mesma base de dados aponta que o faturamento do PIM avançou 14,26% em reais (R$ 119.68 bilhões) e caiu 13,74% em dólares (US$ 22.82 bilhões). Apesar da segunda onda e das restrições, o setor esboçou recuperação nas vendas no primeiro bimestre, com queda de 0,82% (US$ 3.92 bilhões) e alta de 23,90% (R$ 21.43 bilhões), respectivamente. Mas, o recrudescimento da pandemia no restante do país, e seus efeitos no consumo, preocupam os dirigentes.

Reforma e importância

A despeito de sua pujança, e de estar assegurada pela constituição, a indústria da ZFM segue assentada em bases que podem ser modificadas para pior em uma Reforma Tributária mal conduzida. O tema, a propósito, reuniu o ministro da Economia, Paulo Guedes, e os presidentes da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), nesta segunda (24). Após o encontro, Pacheco ressaltou à Agência Senado que há um consenso entre os três de que a reforma é “fundamental” e “urgente” e que o sistema de arrecadação deve ser simplificado, sem gerar aumento de carga tributária.

Na avaliação do presidente da Fieam, Antonio Silva, a versão fatiada apresentada pelo Ministério da Economia ao Congresso ainda não motiva preocupações. A proposta de unificar PIS e Cofins seria vantajosa à indústria, ao possibilitar o desconto de gastos com insumos ao longo do processo produtivo. Além disso, a proposta mantém os regimes diferenciados, como a Zona Franca de Manaus, e assegura o direito às simplificações das normas e procedimentos que forem aprovados.

“Vamos aguardar a segunda parte da proposta que, provavelmente, apresentará modificações no IPI [Imposto sobre Produtos Industrializados]. Deveremos ter o máximo de atenção a fim de que sejam minimizadas quaisquer repercussões negativas na atividade econômica da ZFM (…) Nessa questão, estamos todos coesos: os setores produtivos, a classe política e a classe trabalhadora para que os impactos negativos na economia local sejam eliminados ou minimizados”, afiançou.

O presidente da Fieam destaca o peso e a importância da indústria para o Amazonas e lembra que o PIM melhorou o nível de emprego no Estado, além de expandir a escolaridade na região e promover o crescimento da renda per capita local acima da média nacional e elevar a arrecadação de tributos. “Basta ver a diferença entre os R$ 21 bilhões que o governo federal arrecadou em 2020, com impostos cobrados no Amazonas, e os R$ 9,5 bilhões que repassou ao Estado”, argumentou.

De acordo com o dirigente, essa dinâmica contribuiu para elevar Manaus à sexta posição entre os municípios com maior participação no PIB nacional, e o Amazonas à sétima colocação no ranking das unidades federativas brasileiras com maior participação na arrecadação federal em relação ao PIB estadual. Antonio Silva acrescenta ainda que a ZFM ajudou a reduzir os índices de desmatamento. “Esse já é um bom motivo para comemorarmos o dia da indústria e o dia do meio ambiente, junto com os resultados do PIM”, afiançou.

“Grande desafio”

Sem entrar em detalhes, por considerar que a melhora da economia depende mais de um conjunto de fatores do que da soma das partes, o presidente da Aficam (Associação dos Fabricantes de Insumos e Componentes do Amazonas), Roberto Moreno, assinalou que a indústria amazonense tem muito a comemorar na data, a despeito dos obstáculos que ainda surgem no caminho – sendo que o fator pandemia se destaca.

“Entendo que o balanço da indústria é positivo. Há bastantes desafios que a pandemia ainda nos trás, mas estamos confiantes que conseguiremos passar por mais este período de provação, e também alicerçados na disponibilidade mundial de vacinas, para todos nós. Esse é o grande desafio. Vamos acreditar que ainda serão tempos difíceis, mas a indústria amazonense tem uma forte estrutura produtiva, uma cadeia de fornecedores que não mede esforços em atender seus clientes. E os números nos mostram que conseguiremos avançar”, encerrou.

Data homenageia patriarca da indústria brasileira

O dia 25 de maio foi escolhido como dia da indústria para homenagear o patrono da indústria nacional, Roberto Cochrane Simonsen (1889-1948), que faleceu nesse dia, aos 58 anos. Simonsen foi engenheiro industrial, administrador, professor, historiador e político. Foi também presidente da CNI e membro da Academia Brasileira de Letras. No Amazonas, Roberto Simonsen dá nome ao estádio de futebol mantido pelo Sistema Fieam, no Sesi Clube do Trabalhador, na zona Leste de Manaus.

Foto/Destaque: Divulgação

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