Nem hotelaria de luxo escapa

Hotéis para classe A não tiveram alta no semestre e instabilidade se estende

Os meios de hospedagem de luxo têm sido mais impactados pela instabilidade econômica do país do que os produtos de bens de consumo de alto valor agregado. As empresas do segmento têm visto maior procura por turistas estrangeiros do que por reservas de altos executivos brasileiros.
Os empresários estrangeiros estão mais atraídos pelo preço das diárias com a alta do dólar. Já os executivos brasileiros têm apostado em marcas mais econômicas e deixado as bandeiras caras apenas para as lideranças. “O segmento corporativo é mais resistente, mas o que observamos é que há uma contenção de despesas, principalmente em cargos de chefia e média gerência. Apenas o alto nível está mantendo”, analisa o diretor da Rede Plaza Hotéis, Roberto Rotter.
Para ele, parte da demanda está sendo recomposta por viagens corporativas de estrangeiros. “O dólar é um facilitador para baixar tarifas”. Dentro do lazer neste segmento o efeito, no entanto, não foi igual. “Para o turista estrangeiro, nós vemos que não basta o preço. Ele também leva em consideração o cenário social, político e econômico do destino”. Segundo Rotter, no segmento de luxo, os resorts foram os que tiveram melhor desempenho. “No mês de julho tiveram um bom resultado”, diz.
Desempenho
A operadora hoteleira E-HTL -que conta com 2.500 hotéis domésticos e 150 mil empresas no exterior em seu portfólio -tem uma visão um pouco diferente. “Também visualizamos uma queda no corporativo, que representa 90% dos negócios. No entanto, dentro do lazer houve alta de 20% no 1º semestre”, diz o diretor-geral da E-HTL, Flávio Louro.
Como exemplo, o executivo cita as vendas para o feriado do dia 7 de setembro. “Em apenas três dias vendemos 15 apartamentos no Nannai Resort & Spa, em Ipojuca (PE), que é um produto de alto luxo e diferenciado. Estamos com uma grande procura para essa época”, informa. Outro resort exclusivo com quem a rede trabalha teve 98% da ocupação em julho. “Nas férias, os hotéis de luxo de lazer parceiros estiveram aquecidos.”
Para Louro, o preço das viagens internas não teve queda nos preços, mas com a alta do dólar ficaram mais atraentes para os brasileiros. “O Nordeste pode se beneficiar”, informa. Ele acredita que o mercado não deve ter queda no semestre. “As empresas estão realizando muitas ações para reverter o cenário. Um exemplo são as ofertas promocionais para os clientes que fecharem a reserva antes.”

Público restrito
No Villandry, complexo que oferece hospedagem e até locação de casas de alto luxo em Campos do Jordão (SP), a retração da classe B impactou os resultados no ano. “Férias e feriados estiveram normais, mas antes também havia procura fora de época e este ano houve queda”, disse o proprietário, Mauro Martins.
O empresário afirma que não irá reduzir o preço das diárias para elevar a receita, por ser um produto diferenciado e de alto padrão. “Não podemos diminuir o custo. Muitos tentam negociar, mas não vamos mudar os serviços”. A expectativa para o ano é queda de 30% do faturamento.
“Vamos arcar com a queda e não haverá demissões. Os funcionários já têm todo um treinamento específico”. No mercado de aluguel de casas de luxo no Villandry, Martins afirma que, o dólar não impactou. “A classe A não cancela as viagens internacionais facilmente.”

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